A investigação do caso Face Oculta revelou “fortes indícios da existência de um plano em que está directamente envolvido o governo” para interferir em alguns órgãos de comunicação social, afastando “jornalistas incómodos”. A acusação faz parte do despacho do procurador João Marques Vidal, datado de Junho, e revelado pelo jornal Sol na última edição. De acordo com a documentação apresentada pelo semanário, nomeadamente excertos de escutas do processo Face Oculta e despachos do juiz e procurador envolvidos no processo, o plano do executivo socialista pelo controlo da TVI, o afastamento do então director-geral da estação, José Eduardo Moniz, e da pivot do Jornal Nacional de Sexta, Manuel Moura Guedes, e que passava pela aquisição do jornal Público, bem como do grupo Cofina.Um “esquema” para interferir em “órgãos de comunicação social considerados adversários, visando claramente a obtenção de benefícios eleitorais” é a forma como o procurador João Marques Vidal descreve este processo, sendo que o juiz de instrução de Aveiro, António Gomes, vai mais longe e fala de “indícios muito fortes” de um plano “em que está directamente envolvido o Governo, nomeadamente o senhor primeiro-ministro”.
O PSD já requereu à Comissão de Ética da Assembleia da República que analise “em que situação está a liberdade de expressão em Portugal”, anunciou Manuela Ferreira Leite, presidente do partido da oposição.
“Demasiado grave” é como o Sindicato de Jornalistas classificou a denúncia do Sol deste caso, considerando que o mesmo exige a “sua averiguação urgente até às últimas consequências e a publicitação das respectivas conclusões sem ambiguidades”, pela ERC e pela Assembleia da República. No entanto, o organismo sindical critica o semanário por, diz, não ter respeitado “o dever deontológico de ouvir as pessoas objecto dos trabalhos” publicados, já que além disso “constituir um direito dos visados e do público” a audição dos mesmos “poderia contribuir para o esclarecimento cabal dos factos que se impõe”.
No âmbito do caso Face Oculta, recorde-se, foram constituídos 18 arguidos, incluindo o antigo ministro Armando Vara, José Penedos (presidente da REN), entre outros. As certidões extraídas deste processo e que, alegadamente envolviam José Sócrates, foram arquivadas.