Os centros comerciais poderão começar a abandonar o topo das preferências de expansão dos retalhistas. O formato começa a revelar-se menos interessante, com a crescente ocupação deste tipo de espaços comerciais, e alguns dos retalhistas que pensam expandir a sua rede de lojas começam já a ponderar apostar no comércio de rua. Prova disso são os cerca de 36 por cento de marcas a actuar em Portugal que afirmam ver com bons olhos esta opção. A conclusão é da consultora Cushman & Wakefield, que anualmente conduz um inquérito aos retalhistas no sentido de perceber a evolução e perspectivas para o mercado. O inquérito foi respondido por quase 90 empresas, na sua maioria do sector da moda, e grande parte dos participantes são marcas nacionais com presença há mais de dez anos no mercado.Segundo o estudo, uma larga maioria de 80 por cento dos retalhistas considera não haver espaço para a abertura de novas superfícies comerciais, sendo evidente a saturação do mercado neste tipo de formato. A estratégia passará, para muitos, pela revitalização do comércio de rua. Os retalhistas que defendem esta estratégia como uma tendência a seguir representam já 60 por cento dos inquiridos. No campo das superfícies comerciais, os projectos da Sonae Sierra continuam a reunir as preferências dos retalhistas com especial destaque para o Centro Comercial Colombo, o NorteShopping e o Centro Vasco da Gama.
O inquérito de 2009 revela ainda um importante ponto de viragem relativamente a anos anteriores. Ao contrário daquilo que se registava, durante o ano de 2009 houve já 10 por cento de retalhistas a ponderar encerramentos na sua rede de lojas e a percentagem de participantes que afirmam congelar o aumento do número de lojas situa-se nos 30 pontos percentuais. Quanto à expansão geográfica, as preferências permanecem praticamente inalteradas com o mercado ibérico, a Europa Central e o Brasil no topo das prioridades. A grande novidade nas intenções de expansão dos retalhistas anda de mãos dadas com o crescente interesse de outros sectores de actividade pelo mercado angolano. Pela primeira vez, Angola surge apontada por quatro por cento das marcas como um destino apetecível para albergar as suas cadeias de lojas.
Questionados sobre os volumes de vendas e rentabilidade, os retalhistas revelam-se menos pessimistas relativamente à edição anterior, em que 40 por cento apontavam um crescimento negativo das vendas. Apesar da actual conjectura de crise económica, as respostas da edição de 2009 mostram uma evolução positiva, com uma redução para os 29 pontos percentuais nos retalhistas que apontam quedas no volume de vendas. Apesar da melhoria registada, os níveis de confiança mantêm-se baixos. Cerca de 34 por cento dos participantes já esperava um crescimento negativo das vendas. As razões apontadas para as dificuldades sentidas no sector prendem-se com a saturação do mercado, o endividamento das famílias e o desemprego, que surge pela primeira vez em lugar de destaque quando não era sequer referido em edições anteriores.