Se os social media são os meios favoritos de milhões de utilizadores, será que os blogues ou redes sociais como o Facebook ou LinkedIn também obtêm o mesmo grau de sucesso, como fonte de informação, junto da classe jornalística? Aparentemente sim. Pelo menos é que indiciam os resultados do estudo 2009 Social Media & Online Usage Study, realizado pela George Washington University e Cision, junto a um universo de 9.100 editores e jornalistas norte-americanos (obtiveram 371 respostas), apresentado em Dezembro.Os números dão a medida da receptividade do sector aos media sociais, em particular os blogues. De acordo com o estudo, 89 por cento dos jornalistas usam os blogues como fonte de pesquisa online para o seu trabalho, valor apenas superado pelos sites corporativos que reúne 96 por cento das respostas. As diferenças de uso dos media sociais manifestam-se consoante o tipo de meio para o qual o jornalista trabalha, com 75 por cento dos profissionais de meios online a referirem usar redes sociais como o Facebook ou o LinkedIn como fonte de pesquisa, valor que desce para 72 no caso de jornalistas de jornais e 58 por cento em jornalistas de revistas. Os blogues são também a ferramenta mais frequentemente usada para publicar, distribuir ou promover o trabalho dos jornalistas (64 por cento), seguido de redes sociais (60 por cento) e redes de microblogging como o Twitter (57 por cento).
Mais do que uma fonte de informação ou de divulgação de trabalho, os media sociais são também percepcionados como uma forma de avaliar o impacto de uma determinada história. Contudo, o número de visitantes de um site (76 por cento) e de comentários ou visualizações (74 por cento) são os mecanismos mais valorizados na avaliação do sucesso de uma história junto do público. O número de followers no Twitter e links para o site são também métricas utilizadas, com 43 por cento cada. A experiência do profissional é um factor relevante neste item, com os jornalistas “com menos experiência a usarem constantemente o online e as métricas do media sociais para medir o impacto das suas histórias mais do que aqueles com mais experiência”.
Apesar do relativo entusiasmo com que os profissionais olham para os media sociais, não deixa de haver um certo grau de resistência no que se refere à confiança que colocam na informação veiculada por esta via. Uma maioria significativa dos jornalistas que responderam ao inquérito (84 por cento) consideraram que a informação distribuída por esta via era “ligeiramente menos ou muito menos fidedigna do que notícias distribuídas por via dos media tradicionais” e nenhum dos inquiridos afirmou que a informação veiculada por esta via é muito mais fidedigna , com apenas “um em sete a dizer que era igual ou ligeiramente mais fidedigna”. Também aqui o factor experiência profissional influencia as respostas, com 88 por cento dos jornalistas com mais experiência a classificarem a informação dos social media como menos fidedigna, comparada com os 78 por cento daqueles com menos experiência que partilham da mesma opinião, com as diferenças relativamente ao grau de confiança a manifestarem-se, mais uma vez, consoante o tipo de meio para o qual o profissional trabalha. “Os jornalistas de imprensa a maior parte das vezes consideram que os media sociais são menos fidedignos (jornais – 91 por cento, revistas 85 por cento), comparado com os jornalistas de websites (76 por cento)”, precisa o estudo. Falta de confirmação dos factos, verificação ou de standards jornalísticos é a razão principal, eleita por 49 por cento dos profissionais que responderam ao inquérito.
A relação dos jornalistas com as agências de comunicação também não foi esquecida neste estudo. Os resultados são curiosos q.b. Comparando com há 5 anos, “mais jornalistas com menos experiência (nove anos ou menos) estão a virar-se para os press releases e para os profissionais de relações públicas em busca de informação para escreverem as suas histórias”. Ambas as percentagens são significativamente mais elevadas do que aquelas que o universo relata, com o uso de press releases (68 por cento) e o recurso a profissionais de relações públicas (74 por cento) a manter os valores ao longo da última meia década.