Saltar o menu e ir para os conteúdos
Editorial

A morte da TDT paga

5 de Fevereiro de 2010 às 05:02:11, por Carla Borges Ferreira

23 de Abril de 2008, sede da Anacom. Uma comitiva encabeçada por Zeinal Bava transportava caixotes e caixotes de documentação, que formalizavam a candidatura aos dois concursos para a Televisão Digital Terrestre, e Michael Werner, CEO da Airplus, fazia chegar em suporte magnético documentação semelhante, mas referente apenas ao concurso para a TDT de acesso condicionado.Seguiram-se conferências de imprensa a apresentar/defender as virtudes de cada uma das candidaturas, um primeiro parecer que colocava a PT na dianteira do concurso, a contestação da Airplus, a reapreciação das candidaturas, uma nova decisão que dá mais uma vez a vitória à PT, uma providência cautelar interposta pela Airplus e, em Abril de 2009, um ano após o inicio do processo, o anúncio de que a operadora sueca não iria recorrer da decisão do tribunal, entretanto proferida mas que durante sete meses deixou num impasse todos os intervenientes. Ao longo de todo este período foram muitas as vozes que se interrogaram sobre a pertinência/viabilidade da TDT paga, que à partida representaria uma terceira opção séria para a televisão por subscrição, num mercado dominado pela Zon e onde o Meo dava os primeiros passos. Em entrevista ao M&P, o então ministro com a tutela da comunicação social, Augusto Santos Silva, explicava que o objectivo do concurso era a promoção da concorrência na plataforma paga, enquanto Zeinal Bava dizia em conferência de imprensa que “a análise da TDT tem de ser feita no contexto de uma estratégia de televisão que os operadores tenham. Para nós, o que o concurso permite fazer é garantir que o TDT se insira bem na nossa estratégia de televisão, que tem o nome do Meo”. Um ano e meio depois o Meo tem 20 por cento de quota de mercado e a PT pede a revogação do concurso, bem como a devolução da caução de 2,5 milhões de euros. A TDT paga, que a PT prometia para este ano, morre assim antes de nascer, sendo que também não parecia particularmente desejada pelos operadores presentes em Portugal. Falta agora decidir o que fazer do espectro remanescente. Em Abril de 2008, Manuel Polanco, um dos oradores convidados num almoço/conferência do M&P, afirmava que “O concurso da TDT, pode ser, infelizmente, mais uma vez a história de uma oportunidade perdida”.

“Por causa de uma visão política de curto prazo, Portugal pode perder o comboio das novas tecnologias ao renunciar à aposta e ao lançamento da experiência de alta definição na televisão em aberto”, dizia o administrador-delegado da Media Capital. Quase dois anos depois, será esta a alternativa?