A desgraça abateu-se sobre o Haiti. As imagens mais chocantes estão na televisão e os relatos mais crus na imprensa. A ONU já disse que o terramoto que assolou a ilha é uma “catástrofe histórica” e a pior situação que a organização tem de enfrentar desde a sua fundação. O país precisa de tanta ajuda que nem é possível enumerá-la. Em Portugal e lá fora têm chovido notícias sobre doações de empresas e particulares. A titulo de exemplo, a Fundação PepsiCo, de uma das maiores empresas de alimentação e bebidas do mundo, doou um milhão de dólares para ajudar as vítimas do terramoto. Parece muito? Gisele Bündchen ofereceu 1,5 milhões de dólares à Cruz Vermelha, com o mesmo fim. A brasileira é a top model mais cara do mundo, mas a PepsiCo, por trimestre, costuma ter lucros na ordem dos mil milhões de euros. Aparentemente, uma top model tem mais meios que uma multinacional para ajudar as vítimas e mostra estar mais comprometida com as questões de responsabilidade social, a tal expressão que se tornou moda entre as empresas.Uma tragédia como a dimensão da que se vive no Haiti ajudará a perceber quem é realmente generoso. É curioso ver que a maioria das acções implementadas pelas empresas nacionais serve para pedir aos portugueses dinheiro para ajudar as ONG que estão no terreno. As marcas, por si e do seu bolso, não estão a fazer quase nada. É que além do dinheiro, podem pôr os seus conhecimentos e meios ao serviço das questões de solidariedade. O Google, que também doou um milhão de dólares, criou um serviço de “person finder” em inglês, francês e crioulo e durante duas semanas disponibiliza chamadas grátis através do Google Voice para familiares e amigos que estejam na ilha. Mas ainda é pouco, muito pouco.