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Controlinveste obtém injecção de capital de 224 milhões de euros

20 de Janeiro de 2010 às 02:00:00, por Ana Marcela

ControlinvesteA Controlinveste obteve uma injecção de capital de 224 milhões de euros através uma emissão de obrigações junto a um conjunto de “obrigacionistas internacionais”. Os 20,4 milhões de acções detidas pelo grupo de Joaquim Oliveira na Portugal Telecom, representativas de uma participação de 2,17% na operadora, foi o activo que serviu de garantia a esta operação, já que as obrigações são convertíveis em acções da empresa liderada por Zeinal Bava.

Em declarações ao M&P, Rolando Oliveira, administrador da Controlinveste, não revela quais os investidores que aderiram a esta operação, mediada pelo Credit Suisse Securities Limited e pelo Banco Comercial Português através do Millennium Investment Banking, de “emissão de características internacionais”. Questionado pelo M&P sobre se a aquisição terá sido feita pelas empresas de capital angolano que recentemente têm vindo a apostar no mercado de media nacional, como a Scoremedia ou a Newshold, Rolando Oliveira nega essa possibilidade. Ongoing e BES foram outros dos nomes sobre os quais o M&P questionou o administrador. Sem confirmar estes nomes, e em relação a entidades nacionais com fundos internacionais, o responsável admitia que “possa haver empresas portuguesas as quais, através dos seus fundos, tenham decidido comprar [obrigações]“, frisando, no entanto, que esta operação não “teve qualquer tipo de foco em empresas nacionais”.

As obrigações agora emitidas terão um cupão anual de 3 por cento, e um preço final de 10,97 euros, valor de conversão que tem um prémio de 35%. Na prática o grupo terá de pagar aos obrigacionistas um juro global anual de 6,72 milhões de euros, mas mantém durante o período de cinco anos, frisa Rolando Oliveira, a titularidade das acções da PT – “posição estratégica e de grande valor” -, direitos de voto correspondentes, bem como os dividendos da operadora. O grupo ficou com a opção de entregar as acções ou liquidar as obrigações findo o prazo de cinco anos.

Questionado sobre o timing desta operação, Rolando Oliveira diz que a mesma vinha a ser preparada “há muito tempo”, procurando com isso o grupo obter “novas fontes de financiamento”. Com este montante “vamos reestruturar outras obrigações no grupo, menos vantajosas para nós e com prazos mais curtos”, afirma.

As obrigações foram colocadas junto de investidores internacionais através de um processo de bookbuilding e a liquidação financeira desta operação vai ocorrer no próximo dia 28. Os títulos deverão ser admitidos à negociação na Frankfurt Stock Exchange.