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Media

Tendências da década – Dez mudanças numa década

15 de Janeiro de 2010 às 05:03:17, por Carla Borges Ferreira

Produção nacional destrona Globo

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Meu Amor, Deixa que te Leve, Morangos com Açúcar VII, Sentimentos e Perfeito Coração, as primeiras quatro da TVI e a última da SIC, são produções nacionais que fazem parte do ranking dos 10 programas mais vistos televisão portuguesa na última segunda-feira, primeiro dia útil de 2010. Uma realidade bastante diferente da que se vivia em 2000, quando as novelas da Globo, transmitas pela SIC, eram rainhas e senhoras da ficção em Portugal. A SIC, liderada por Emídio Rangel, era então o canal mais visto pelos portugueses e a TVI parecia destinada a ser o terceiro canal, com um share inferior a 20 por cento. A viragem começa em Setembro desse ano, quando José Eduardo Moniz coloca no ar a ‘sua’ TVI. Reality-shows, informação (com o regresso de Manuela Moura Guedes), ficção internacional e ficção nacional foram os quatro eixos nos quais assentou a mudança. E, com o Big Brother a encabeçar as atenções e a servir de porta de entrada, como dizia na época o responsável, os espectadores repararam em Jardins Proibidos, um original de Manuel Arouca e Tomás Múrias, primeira novela nacional a ultrapassar as da Globo. Produzida pela Fealmar, um dos braços de produção da então NBP – adquirida entretanto pela Media Capital e agora denominada Plural Entertainment, após a incorporação de toda a operação de produção da Prisa – esta foi a segunda de mais de 30 novelas produzidas nesta década, às quais se juntam outras tantas séries. Já este ano a SIC reforçou a aposta na ficção nacional ao colocar diariamente em horário-nobre a novela Perfeito Coração, um original de Pedro Lopes produzido pela SP Televisão, produtora de António Parente com qual a SIC tem uma parceria para a produção de ficção, e que começou por ser transmitida apenas ao fim-de-semana.

Massificação da televisão paga

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RTP1, RTP2, SIC ou TVI. No início da década ainda eram estas as únicas opções para a grande maioria dos portugueses, num país onde apenas existiam 2.600 mil casas cabladas e cerca de 900 mil assinantes de televisão por cabo, aos quais se juntavam mais 130 mil assinantes de televisão digital por satélite, de acordo com os dados do então Instituto da Comunicação de Portugal. Dez anos depois, no terceiro trimestre de 2009, segundo os últimos dados divulgados pela Anacom, o número de casas cabladas ascende a 5,5 milhões e o número de assinantes de televisão por subscrição situa-se nos 2,4 mihões. O serviço de distribuição por cabo representa menos de 60 por cento do total de assinantes, constituindo as “outras tecnologias” cerca de 15 por cento. A subscrição por satélite (DTH) situa-se nos 624 mil e a subscrição sobre fibra óptica nos 12 mil.

A Zon/TV Cabo é responsável por 58,2 por cento das assinaturas de televisão por subscrição, seguindo-se a PT/Meo com 20,7 por cento e a Cabovisão com pouco mais de 10 por cento. E, se mais uma vez recuarmos 10 anos, é sobretudo ao trabalho da primeira empresa, na altura dirigida por Graça Bau e integrada na PT, que se deve o grande boom da televisão por subscrição. Em 2004 Graça Bau é substituído por Zeinal Bava na liderança da TV Cabo, sendo o mesmo Zeinal Bava o responsável, após o spin-off que em 2007 que autonomizou a PT Multimédia dando origem à Zon, pelo lançamento do Meo, iniciando uma concorrência aguerrida. E a concorrência dá-se também entre canais, não só na oferta disponibilizada pelos operadores – que contam com mais de uma centena de canais, entre os quais cerca de uma dezena de portugueses – como entre os quatro generalistas e os canais de subscrição, que cada vez mais vão sendo uma opção para os telespectadores.
Promessas que não passaram disso

1. Prometia revolucionar a relação com os espectadores, mas os portugueses nem deram por ela. TV Interactiva RIP.

2. E o quarto operador de telecomunicações móveis?
Chamava-se V e estava a ser preparado pela Oniway. No YouTube ainda se encontra um filme de lançamento protagonizado por Ricardo Pereira, antes do actor ser quem é.

3. Cresceu, cresceu e estourou. Falamos da bolha dotcom.

4. A comunicação integrada, holística ou de 360 graus parecia ser a panaceia das agências. No fim, quase ninguém conseguiu oferecer esses serviços e, imagine-se, até se começou a valorizar a especialização das agências.

5. E as hotshops inspiradas nas agências de publicidade de Amesterdão, Londres ou Nova Iorque? Alguma vingou?

6. Muitas vezes dados como mortos, os spots de 30 segundos continuam a ser o centro da comunicação das principais marcas.

7. Quase, quase para acontecer, mas a Young & Rubicam e a Partners continuam separadas, tal como a Lift e a Imago.

8. Conteúdos pagos na internet. Apesar das tentativas, só na próxima década é que poderão vingar (ou não).

9. Europe’s West Coast foi o último grande fôlego da promoção de Portugal lá fora. Mais uma peça na incoerente estratégia de divulgação do país. Terá continuidade?

10. Second Life. Nem é preciso dizer mais nada.

Rui Oliveira Marques