A firmar que o digital imprimiu novos padrões de consumo é quase uma verdade à La Palisse, mas é inequívoco que a quase infinidade de opções trazidas pelo digital também criou novas possibilidades de modelo de negócio. Se em dez anos os media ainda não conseguiram encontrar a fórmula certeira de gerar receitas no mercado digital – os modelos de negócio são na sua grande maioria uma migração do modelo dos media nas plataformas tradicionais: a publicidade -, o certo é que na década os grupos foram procurando novas fontes de receita alternativas para além da publicidade ou da venda em banca. Em Portugal, essa vontade manifestou-se na explosão do marketing alternativo, na criação de unidades de custom publishing, no merchandising de produtos com base em séries de televisão ou telenovelas, em chamadas de valor acrescentado ou SMS (substituindo o velhinho cupão de passatempo) e, mais recentemente, na entrada dos grupos na organização de conferências e eventos procurando tirar partido da credibilidade das suas marcas. No mercado nacional a Económica há muito que desenvolve esta área de negócio, mas também a Impresa, o grupo Renascença, a Lena Comunicação ou a Cofina referindo apenas alguns exemplos, caminharam mais recentemente nesse sentido, criando inclusive empresas especificamente para o efeito como é o caso da Acting Out, da Génius & Meios ou da Cofina Eventos e Comunicação. Um caminho rumo à diversificação que a actual recessão está a impulsionar e que, tudo indica, não irá ficar por aqui.