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Media

Tendências da década – Em rede a partilhar tudo

15 de Janeiro de 2010 às 05:22:29, por Rui Oliveira Marques

A Time escolheu-nos a todos como personalidade do ano de 2006, lembra-se? Tudo graças ao conhecimento que os cidadãos partilham na Wikipedia, aos milhões de canais que criam no YouTube, à metrópole online que constituem o MySpace e às opiniões que expressam nos blogues. Ao longo da década, o movimento da partilha e das redes sociais tem-se mostrado dinâmico. A febre do Second Life foi passageira e o Facebook vai, a pouco e pouco, dominando o mundo. No final do ano passado, pela primeira vez em Portugal, o Facebook teve mais visualizações que o Hi5, prenunciando o fim da liderança desta rede social entre os portugueses. A nova forma de produção de conteúdos fez com que entrassem no jargão da comunicação expressões como user generated content, marketing colaborativo, citizen journalism ou crowdsourcing. As pessoas comuns começaram a criar conteúdos, sejam eles textos, fotos ou vídeos que, por vezes, fazem sombra aos media profissionais. As marcas decidiram pedir ajuda aos consumidores para desenvolverem os anúncios e para as ajudaram na elaboração dos programas de marketing. As televisões e jornais recorrem agora a vídeos ou fotografias de anónimos para mostrar uma realidade onde os seus repórteres não conseguiram ou não puderam chegar.

Bastou um telemóvel com câmara para que o mundo visse a execução de Saddam Hussein. Há vários sinais que indicam uma mudança de paradigma. O processo da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente foi revelado pelo blogue Do Portugal Profundo. A campanha de Obama assentou nas redes sociais. O Twitter foi a ferramenta de comunicação dos jovens que participaram nas manifestações de Teerão contra os resultados das eleições presidenciais. E a nova linha de comunicação do Pingo Doce foi arrasada nas redes virtuais. O consumidor deixou de ser um número.