Os jornais não podem continuar assim, não estão a fazer suficientes receitas com os seus conteúdos online e não obtém a publicidade online que necessitam para financiar o jornalismo. É esta a questão número um que a indústria enfrenta neste momento”. A afirmação é de Timothy Balding, CEO da WAN-IFRA, e resume o desafio com o qual a imprensa fecha a década a nível mundial e ao qual o mercado português não está alheio. Mas em 2000 o online não estava propriamente na lista de prioridades. O crash da bolha dotcom tinha ocorrido e, mais do que uma fonte de receita, o online era encarado um lugar onde se ‘ia estando’ mais do que ‘se tinha de estar’. A plataforma papel era ( e continua a ser) a rainha das receitas dos grupos que lançaram publicações a um ritmo regular. Os semanários viram desaparecer o Independente, o Tal&Qual, o Semanário e surgir o Sol, mantendo-se o Expresso, tendo o segmento das newsmagazines começado a ganhar expressão, bem como o da imprensa económica. Nos diários, o segmento não viu nascer nestes dez anos muitos títulos para a banca (o I é a excepção), mas em contrapartida o movimento do gratuito, descrito por Chris Anderson em Free – O Futuro é Grátis, traduziu-se no fenómeno dos gratuitos e que em Portugal ganhou consistência com a entrada do sueco Metro, juntando-se ao português Destak.Nos anos que se seguiram o segmento viu explodir a oferta de revistas e jornais gratuitos (Meia Hora, o Sexta e o Global Notícias), mas a recessão jogou um balde água fria ao big bang levando ao encerramento de diversos títulos e a uma consolidação do sector.