Balsemão, “o grande inovador da media portuguesa”
Nunca mais haverá em Portugal um gestor de media como o dr. Balsemão”. Quem o diz é Luis Marques, director-geral da SIC, quando lhe pedimos que numa frase defina Francisco Pinto Balsemão, nome incontornável quando se pensa no sector dos media na última década. A explicação é simples e é referida por quase todos os profissionais ouvidos pelo M&P no âmbito deste trabalho. “É um homem do meio, não é um empresário tradicional, não encara este negócio como sendo um negócio qualquer, o que faz toda a diferença”, sintetiza o também administrador e membro da comissão executiva da SIC. “O que o caracteriza, antes de mais, é ser jornalista. E essa marca repercute-se nas suas empresas e na forma de estar na comunicação social.
É um empresário de media completo”, garante um colaborador próximo. Um empresário de media/jornalista que todas as terças-feiras marca presença na reunião semanal do Expresso, que antes de aprovar o novo layout de uma publicação discute a fonte, o corpo de letra, o entrelinhamento do texto ou o espaço para a imagem ou que ainda esta semana, dias depois de sair uma edição da Única com o balanço da década, criticou, página a página, toda a edição. Aos 72 anos, as 12 horas diárias que dedica ao trabalho são repartidas entre a Lapa, sede da Impresa, a SIC, a Impresa Publishing e os vários compromissos internacionais que mantém, fruto dos diversos cargos que desempenhou nos últimos anos e dos que ainda exerce, como membro não executivo do conselho de administração do Daily Mail and General Trust plc, desde Novembro de 2002, ou presidente do European Publishers Council, desde 1999, no âmbito do qual dinamizou no último Verão a Declaração de Hamburgo sobre direitos de propriedade intelectual, subscrita pelos principais grupos de media do mundo.
“É muito mais conhecido no estrangeiro do que em Portugal”, diz o advogado Manuel Castelo-Branco, no início da década membro do conselho de administração da SIC e mais tarde presidente do conselho de administração da Económica. Amigo de Balsemão há 36 anos, o administrador da sociedade de advogados Cuatrecasas acredita que o presidente da Impresa “é uma pessoa a quem o país deve mais do que julga”. “Criou um grupo que sempre defendeu a liberdade de expressão e a defende como nenhum outro”. “Há pessoas que acham que se compram jornais e jornalistas. Ele não intervém nem deixa que intervenham nos conteúdos e é penalizado por isso. Muita gente nunca lhe perdoou que os seus meios falassem mal de fulano ou beltrano, não entendem que não é ele que decide”, diz. “Num país de invejosos, chega a ser penalizado pelo êxito que tem”, lamenta. Um êxito que, garante Mónica Balsemão, filha mais velha, foi conquistado a pulso e com muito trabalho, apesar da situação confortável, do ponto de vista financeiro, da qual partiu. “O meu pai herdou o Diário Popular, mas construiu todo o grupo”, recorda a directora de marketing da Impresa Publishing e responsável da Acting Out. A sua principal característica? “A permanente vontade de fazer coisas novas e o entusiasmo com que está nas coisas. O seu optimismo é um rastilho e as pessoas vão atrás”, assegura. “Procura estar sempre a par de tudo, discute tudo, fruto das suas relações internacionais tem acesso a uma série de informações que transporta para a Impresa e o que ganha aplica no desenvolvimento do grupo”, descreve um colaborador próximo, na opinião de quem “em democracia é importante que exista alguém desta dimensão, que em determinadas alturas possa bater o pé e dizer não”.
“Balsemão é o grande inovador da media portuguesa, sem medo de sonhar grande e, desses sonhos, construir novas realidades”, sintetiza ao M&P Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo.