Saltar o menu e ir para os conteúdos
Media

Personalidade de comunicação da década

15 de Janeiro de 2010 às 05:57:20, por Rui Oliveira Marques

LPM, o influente

22-25-mp.jpg

Dirige a principal consultora de comunicação nacional e teve em mãos duas das eleições que marcaram a década política: a maioria absoluta de José Sócrates e a eleição do primeiro Presidente da República vindo da área de direita. Dono de uma ironia e especialista em “mordidelas silenciosas”- a expressão que usava no seu blogue para enviar recados ao mercado -, Luis Paixão Martins continuou a ser a figura incontornável do sector da comunicação na última década. “Foi a pessoa que trouxe mais foco para a área do conselho de comunicação, às vezes para o bem, outras para o mal, mas não foi por culpa dele”, refere Rui Calafate, à frente da Special One.

A comunicação empresarial é o negócio da LPM, mas são os clientes da área da política, que segundo Paixão Martins pouco representam na facturação da agência, que o colocam no palco mediático. A propósito da primeira campanha de Sócrates e da de Cavaco Silva, Ricardo Costa considera que “o trabalho foi bom. Detectou-se o dedo dele”. O director-adjunto do Expresso relembra que, apesar disso, as campanhas eram “ganhadoras à partida”.

Alvo recorrente de artigos de opinião de Miguel Sousa Tavares e de Pacheco Pereira e com um ódio de estimação em relação a Cunha Vaz, que abriu em 2003 uma agência que veio disputar a sua área de influência, Paixão Martins é parco nas entrevistas e nas aparições públicas. Salvador da Cunha, presidente da associação das agências do sector, apelidou a LPM de “agência do regime”, o que terá sido encarado como um elogio no Edifício Lisboa Oriente.

“Gostávamos de ser a agência do regime em Angola”, referia o próprio Paixão Martins ao M&P, a propósito dos negócios naquele mercado africano. Mesmo assim, Ricardo Costa não concorda com o epíteto “agência do regime” para o caso português. “É um exagero. Para o tamanho que o país tem, dificilmente alguém podia ser a agência do regime. Quando houvesse eleições estaria liquidado”.

Paixão Martins é o líder da sua equipa. É agressivo quando tem de ser agressivo e diplomata quando é necessário. “Impõem as suas ideias quando tem a certeza de que tem razão”, diz quem trabalha com ele. Refira-se que ninguém da LPM foi autorizada a prestar um depoimento para este artigo. “Sabe ser venenoso”, aponta outra pessoa que prefere não ser identificada. Eduardo Patrício, depois de sair da LPM, a quem tinha vendido a sua agência Nickles & Pickles, garantia, a propósito da sua passagem pela agência, que ia criar uma associação que denunciasse “o vil e degradante fenómeno do assédio moral nas empresas”.

Luís Paixão Martins assinou durante anos o blogue Lugares Comuns, que se tornou numa referência do sector e palco de outras tantas polémicas e análises à profissão. Lançou em 2007 a discussão em torno da actividade de lóbi em Portugal, ao solicitar à Assembleia da República a criação de uma “credenciação especifica” para os profissionais das agências de comunicação. O presidente Jaime Gama recusou.

Antes da explosão da blogosfera, já publicava os seus textos no extinto www.luispaixaomartins.net. É dos poucos consultores no activo com livros publicados, As Armas dos Jornalistas e Shiu…Está Aqui Um Jornalista encontram-se praticamente esgotados. Traduziu o marco A Queda da Publicidade e Ascensão das Relações Públicas de Al e Laura Ries e prefaciou a edição portuguesa do histórico Propaganda, dado à estampa em 1928 e que marca o nascimento da disciplina de relações públicas.

Comprou as agências Over & Jervis MCW, Nickles & Pickles e Inforfi e lançou recentemente a Nextpower e a Mediática LPM. E por que estas agências não ganham ou nunca ganharam maior protagonismo? “Há quem diga que quando existe um líder forte, as pessoas, mesmo sendo boas, apagam-se”, comenta um profissional do sector. Aos 56 anos, tem no filho João Paixão Martins o braço direito na LPM. É aliás João Paixão Martins quem detém a maioria do capital da Enzima Amarela, a editora que desde o Verão passado assumiu o controlo do Briefing. A influência de Paixão Martins pai continua nas páginas do jornal. É aí que se podem ler “mordidelas silenciosas” à Galp, conta que a LPM perdeu recentemente, ou elogios a uma das suas séries favoritas – Mad Men.