Mais que o simples som

Por a 25 de Dezembro de 2009

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A Índigo voltou a fechar o ano com o título de melhor produtora de som no Clube de Criativos e nos Prémios Meios & Publicidade. Há falta de concorrência neste sector? Manuel Faria, director-geral da Índigo, sustenta que enfrenta uma “boa concorrência”. “Talvez não tão cerrada porque o bolo a repartir tem, aparentemente, menos valor. Mas há muito bons trabalhos produzidos por concorrentes nossos e a maior parte das empresas foi criada por técnicos que foram formados na Índigo.” No desempenho da Índigo deste ano, Manuel Faria destaca os trabalhos para o BES e a música de Natal para a Vodafone, que recorre a uma língua inventada. Além disso, a produtora, com o trabalho Perseguição para a Vodafone, obteve pela primeira vez num festival internacional, neste caso no London Internation Awards, um prémio na categoria de sound design. “O ponto alto foi insistir num estilo irreverente, apostar no entretenimento do espectador e acrescentar sempre qualquer coisa de nosso a qualquer trabalho, por muito banal que nos pareça no início. Há também todo um trabalho menos visível e que não semeia prémios como o dia-a-dia igualmente criativo que vivemos com a Sonae”, refere. Mesmo assim, Manuel Faria não esconde que a crise que atravessa o sector tem levado a que o trabalho seja “cada vez mais defensivo”, o que “contribui para um certo esgotamento progressivo das formas mais tradicionais de comunicação”. Desta forma, enquanto os consumidores procuram entretenimento e conteúdos, os profissionais continuam a insistir “no mesmo”. “Além do mais, a crise serve de justificação para uma concorrência unicamente baseada no preço, o que faz com que o nível de exigência do tipo de trabalho que se faz neste momento seja cada vez mais reduzido nivelando toda a gente por baixo”, considera Manuel Faria.

No início do ano passado, e para diversificar as áreas de negócio, a Índigo começou a trabalhar na área das grandes produções de cinema. Neste período sonorizou longas metragens de Leonel Vieira, Walter Carvalho, Fernando Lopes e Carlos Coelho da Silva e curtas de João Nuno Pinto e de Rita Nunes. A música original do filme de Jorge Pelicano Pare Escute Olhe que ganhou o prémio principal do DocLisboa, também foi criada pela produtora.

No entanto, é a comunicação web que é descrita como “a maior aposta no futuro”. Mas é a parceria com a YDreams que poderá abrir ainda mais portas. “Temos vindo a criar os nossos próprios conteúdos invertendo uma tendência de apenas prestar serviços a terceiros. Criámos e desenvolvemos ao longo de mais de um ano, um conceito novo de conteúdo chamado sound experience.” O pontapé de saída foi dado com a estreia da primeira sound experience em cinema para a Vodafone, associada ao filme Avatar, em associação com a Screenvision. “A nossa grande aposta, a partir de agora é a internacionalização do nosso trabalho. Temos feito alguns trabalhos para Espanha, Itália e bastantes para Angola mas há muito trabalho ainda a realizar nesta área”, aponta.

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