
É apontado como um dos poucos sectores da comunicação que está a crescer e um dos mais concorridos na disputa de prémios nacionais. No balanço do ano, na área digital, destacam-se o desempenho da View (agência do ano no Clube de Criativos), o da Fullsix (Prémios M&P) e o da Ogilvy (agência do ano nos Prémios Sapo). “Este é o terceiro ano consecutivo que somos melhor agência digital no Clube de Criativos e, para além disto, temos na carteira mais de 60 prémios nacionais e internacionais. Contudo, isto não chega, é preciso dar provas da competência com um portfólio de bons projectos executados”, disse ao M&P Nuno Frazão, CEO da View, relembrando que, mais que os prémios, o que pesa na decisão do cliente é o compromisso entre “a experiência da agência, a solução proposta e o preço apresentado”. Ao longo deste ano foram várias as peças que saíram da View que, segundo Nuno Frazão, merecem ser referidas. O simulador de cor para a Cin “foi um enorme desafio técnico”, o Lipton Linea transformou-se “no que de melhor uma acção de social media pode ser, com um aumento de tráfego à volta da marca na ordem dos 1500 por cento” e o novo site EDP “foi um verdadeiro teste à nossa capacidade como agência digital e que felizmente correu muito bem”. Já no fim do ano, Nuno Frazão destaca um projecto para a Timex onde a View teve “a oportunidade de testar algumas tecnologias novas e fazer um bom uso da realidade aumentada”. A agência conseguiu também o grande prémio dos utilizadores com Embarque na Liberdade para a TAP, nos Prémios Sapo. Sobre 2009, Frazão sublinha que se registou um crescimento em comunicação digital sentido por todos os players. Mas deixa uma ressalva sobre os números que por vezes são apontados pelo mercado: “Este crescimento está sobreavaliado por se estar a considerar o investimento que antes era feito directamente por alguns anunciantes e que agora é feito através de agências de meios”, refere o CEO da View.
A disputa pelos prémios principais na área digital contou este ano com outro protagonista, a Ogilvy, que conseguiu ser eleita agência do ano nos Prémios Sapo, graças a peças como o Petnet Casamentos para a Mars (dois ouros) ou Ícones para a Ford (grande prémio do júri e melhor campanha multiplataforma). Este último trabalho mereceu ainda um ouro nos últimos Prémios à Eficácia. Jorge Coelho, director criativo da OgilvyOne, não hesita em relembrar que o mundo já não é o que era “e este cliché ganha ainda mais peso quando falamos de comunicação. As fórmulas antigas, o spot de 30 segundos e as estratégias conservadoras já não nos garantem audiências. Muito menos quando o alvo são jovens”. Daí que refira a propósito do projecto Ícones para a Ford, que “apostar numa rede social (o Hi5) em vez de num canal de televisão, falar a linguagem dos consumidores e deixá-los falar pela marca contribuíram muito para que os Ícones ganhassem o que ganharam nos Prémios Sapo mas também nos Prémios Eficácia”. Jorge Coelho sublinha também que “os trabalhos em causa respondem a um pedido do cliente, têm propósitos comerciais e constroem uma imagem para as marcas que os assinam. Tudo isto, quando bem sucedido, representará de certeza motivo de orgulho para qualquer cliente”. O director criativo sustenta que o histórico de prémios numa agência é um retrato de profissionalismo. “Ter prémios relevantes com trabalhos e clientes conhecidos deve, no mínimo, dar o conforto a um decisor de que está a contactar uma empresa onde a palavra brio representa mais do que uma marca sueca de comboios de brincar”, ironiza.
Já a Fullsix, eleita agência digital do ano nos Prémios M&P, distingue entre os trabalhos mais importantes, a Tela Moche para a TMN, “que introduziu no mercado um novo formato publicitário, o user generated outdoor”, descreve Nuno Moreira, partner da agência. Além disso, destaca o projecto Anda à Boleia do Verão, para a Super Bock e o Calendário Água das Pedras, ambos vencedores de Ouro nos Prémios Sapo. Já nos serviços, Nuno Moreira aponta para a campanha Chuva de Trevos dos Jogos Santa Casa, com o Eduardo Madeira como apresentador de um quiz, e o projecto Irrequietos para os CTT. Entre os prémios ganhos este ano está também o Ajuda o Tiago da TMN (prata nos Eficácia). “Todas estas campanhas incluíram uma forte componente multimédia e integrações com social media”, refere. Já agora, quais as perspectivas para 2010? “A maioria dos grandes anunciantes deram-nos indicações de que vão aumentar o investimento na área digital. A percentagem que o digital representa no total do investimento irá por isso crescer, situando-se contudo aquém da fair share, quando comparamos o tempo despendido pelos consumidores, em comparação com os outros meios”, responde Nuno Moreira.