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Marketing :: Artigos de Fundo

Ideias para levar a sério em

11 de Dezembro de 2009 às 05:31:07, por Rui Oliveira Marques

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A lista de tendências que agências, bloggers e consultoras propõem para o próximo ano podia ser infinita, de tão numerosas e discrepantes que são. Mas vale a pena levar a sério alguns dos conceitos que podem ficar na moda em 2010. É o caso do Word of Mouse, proposto pela BBDO do Canadá e do Real Time Reviews, avançado pelo site Trend Watching. Apesar de terem nomes diferentes, traduzem realidades próximas. Os consumidores estão a gastar mais tempo a pesquisar online antes de comprarem offline, ao mesmo tempo querem encontrar outras opiniões sobre os produtos ou serviços em que estão interessados. Será que, para dar resposta a esta realidade e às críticas de que as marcas são alvo nos blogues e nas redes sociais, chegou a hora de as empresas passarem a integrar na sua estrutura um director de comunicação para a blogosfera ou um digital care director? Cada vez mais pessoas partilham aquilo que fazem, ouvem ou vêem. O Twitter e o Facebook têm-se demonstrado as plataforma indicadas para que os utilizadores digam em tempo real o que estão a fazer.

“Isso vai levar a uma conversa real entre consumidores com interesses semelhantes e potenciais compradores, sem que a marca seja capaz de acompanhar o que está a ser dito sobre os seus produtos, e muito menos capaz de responder”, refere o Trend Watching.

Smartphones mudam redes sociais

As redes sociais poderão passar por uma pequena revolução, já que vão tornar-se (ainda) mais populares, mais móveis e mais exclusivas. A previsão é de David Armano partilhada no blogue da Harvard Business Review. O consultor apresenta as justificações para a exclusividade nas redes sociais. É que existem cada vez mais grupos, listas e redes de nicho que querem fomentar a ideia de exclusivo. A opção de ocultar os membros mais hiperactivos do Facebook é a face mais visível de um comportamento que tenderá a ser mais comum. Não é má vontade, mas apenas o desejo de filtrar o que é importante.

A forma como as empresas encaram a utilização das redes sociais pelos seus colaboradores também ficará mais definida em 2010, já que começarão a banir o uso de redes no local de trabalho, de forma a aumentar a produtividade dos colaboradores. E com os smartphones a ganharem quota aos terminais móveis ‘tradicionais’, as actualizações nas redes sociais serão, cada vez mais, feitas a partir do telemóvel. No local de trabalho, as pausas para o cigarro poderão dar lugar às pausas para as redes sociais, vaticina David Armano. Também ajudada pelos smartphones, a partilha vai deixar de ser exclusiva do e-mail. Uma recente aplicação do New York Times no iPhone veio permitir a partilha de artigos através do Facebook e do Twitter. O que é que isto significa? “Significa que o crescimento das redes sociais vai acelerar os avanços da tecnologia móvel para abraçar as novas tendências das compras através do telemóvel, as interacções em tempo real na web e o fascinante conceito de realidade aumentada”, considera David Armano. Recorde-se que a realidade aumentada utiliza uma câmara para sobrepor um conteúdo virtual à realidade (ver a última edição do M&P).

Crowd Sourcing. É a expressão que o site Marketing Vox acredita que deveria estar presente nos planos de marketing das empresas no próximo ano. Muitas indústrias e organizações deverão ter a capacidade de conseguir recrutar grupos de pessoas interessadas, não apenas em transmitir mensagens, mas também em fazer parte das decisões. A elaboração de programas políticos, o desenvolvimento de software e novos projectos de jornalismo já incorporam o crowd sourcing.

O ambiente perante a crise

A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que começa segunda-feira em Copenhaga, vem reforçar a necessidade de colocar na agenda as questões da sustentabilidade. Há novos conceitos que podem emergir brevemente. “As actuais boas intenções das empresas e dos consumidores são úteis, mas os eco-resultados mais sérios vão depender de fazer produtos ou processos mais sustentáveis sem que os consumidores se apercebam disso.

Não haverá muito espaço para que os consumidores e as empresas optem por alternativas menos sustentáveis. Isso pode, muitas vezes, significar uma forte e dolorosa intervenção do governo ou uma coragem empresarial”, vaticina o Trend Watching, que aponta como exemplo do músculo da sustentabilidade a proibição do uso de sacos e garrafas de plástico adoptada em alguns países. Já a BBDO do Canadá aponta para o conceito The New Eco-no-me, que vai noutra direcção. “Muitas pessoas dizem que o ambiente é importante mas a recessão, vem lembrar que quando chega o momento da acção, o verde que mais importa é o da carteira. Eu primeiro, depois os outros. Agora os consumidores estão a procurar produtos com benefícios pessoais imediatos”, descreve a agência de publicidade.

E em 2010, que tendências associadas à crise vão manifestar-se no comportamento dos consumidores? A comparação de preços tornou-se num novo desporto urbano.

“É uma fonte de orgulho e é cool optar pelo barato. Agora é possível ser ao mesmo tempo fashion e simples”, diz a BBDO do Canadá. Os consumidores também vão privilegiar produtos com maior longevidade. Podemos estar até perante um novo tipo de consumidores: os consumerpreneurs. Não querem apenas ser consumidores, mas também participar na economia, fazendo dinheiro com o que possuem ou criam.

Foi a crise económica que levou as pessoas a optarem por formas mais criativas de ganharem dinheiro, desde arrendar o seu lugar de estacionamento até comprar um painel solar para poupar na conta da luz.