
Há um mundo novo à espera das marcas que queiram chegar aos seus consumidores utilizando as novas tecnologias.Descubra as marcas que estão a apostar no couponing, na realidade aumentada ou em campanhas por bluetooth para seduzir os consumidores
Omercado está a abrir-se aos new media, ao mesmo tempo que as novas tecnologias e o mobile estão a assumir uma elevada importância. Já há muitas empresas em Portugal a perceberem que este pode ser o caminho para sobressair num mundo com cada vez mais estímulos. O telemóvel é um objecto central nas nossas vidas e está a ser aproveitado pelas marcas para ficarem mais próximas dos consumidores.
Se é certo que o marketing mobile não vai substituir os meios tradicionais de publicidade, também é garantido que está com um peso cada vez maior no planeamento de meios dos anunciantes.
Para que serve a realidade aumentada
A realidade aumentada foi desenvolvida inicialmente para projectos de engenharia industrial para visualização de módulos e moldes para produção, explica Tiago Andrade, director-executivo da Lifetime. Posteriormente, refere, começou-se a utilizar esta tecnologia para acções web integradas com interacção em realidade aumentada. “De momento estamos em acções com suporte físico mais realidade aumentada e a começar a dar os primeiros passos com integrações a nível de plataforma mobile”, conta Tiago Andrade. E acrescenta: “Para nós existe um potencial ilimitado na utilização desta tecnologia ao nível de comunicação interactiva (one-to-one) onde o consumidor passa a ter um papel relevante em determinada campanha onde pode decidir que tipo de aplicação vê ou instala no seu telemóvel e que tipo de interacção tem com determinada marca.” A Lifetime acredita que com a integração desta tecnologia em plataformas móveis, o custo por contacto irá descer substancialmente, tornando a tecnologia mais atractiva para o cliente em termos de retorno de investimento. A empresa está já a desenvolver em conjunto com um parceiro internacional uma plataforma que permite a realização de acções de realidade aumentada integrada com telefones móveis.

A By já assinou uma campanha assente na realidade aumentada para a Aquarius, uma marca da Coca-Cola, envolvendo os departamentos de interactive media e space & architecture da By. Com recurso à realidade aumentada foi possível ver o efeito causado pela ingestão da bebida no corpo humano. A ideia, explica Pedro Janela, sócio da agência, era demonstrar aos consumidores, quais os benefícios da bebida no corpo da pessoa. “Na prática, um consumidor coloca-se em frente a uma câmara que reproduz a sua imagem numa televisão, e sobre essa imagem o sistema de realidade aumentada coloca em torno do corpo da pessoa os benefícios de consumir Aquarius nos diversos órgãos da mesma”, explica Pedro Janela. Segundo este profissional, a acção tem como principal vantagem o poder da demonstração “aumentada” de um beneficio ou valor da marca ou produto.
Pedro Janela admite que, do ponto de vista de investimento, as soluções tecnológicas são sempre mais onerosas que uma simples cartaz ou roll-up. No entanto, sublinha, “do ponto de vista de passar a mensagem, sem dúvida que a tecnologia permite uma assimilação mais profunda da mensagem”. Além disso, a medição no caso da realidade aumentada é fidedigna, sendo inclusive possível saber quantos pessoas foram de facto impactadas com a mensagem, e até que ponto levaram o ciclo de interacção.
A YDreams é outra das empresas que está a fazer uma aposta na tecnologia de realidade aumentada junto de clientes que vão desde o mercado publicitário até ao sector cultural, entretenimento e educativo. “Por um lado, procuramos oferecer novas soluções de utilizar a tecnologia que já está no mercado e aplicá-la de forma a fazer a diferença em relação a todos os casos já feitos.
Por outro lado, e fruto da nossa componente de investigação interna, conseguir oferecer em primeira mão desenvolvimentos desta tecnologia, facto que acaba por nos definir com uma das empresas de referência a nível mundial em realidade aumentada”, explica ao M&P Luís Carvalho, director criativo da YDreams. Este profissional refere que são acções que se destacam por toda a experiência acrescida e relação directa que se consegue com o consumidor. Estas acções e as campanhas tradicionais, diz, são formas de comunicar totalmente distintas e que devem ser vistas como complementares devido à sua natureza e finalidade a que se destinam. “A grande diferença que distingue a realidade aumentada e meios tecnológicos emergentes é a capacidade de, por um lado, nivelar a linguagem usada por aquilo que são os standards do nosso quotidiano e, por outro, estabelecer uma proximidade e empatia cada vez mais difícil de atingir pelos meios de massa”, explica. É ir de encontro à necessidade que as pessoas têm cada vez mais de falar uma linguagem que complemente a que já usam há décadas, refere. Trata-se, continua Luís Carvalho, de encontrarem algo que de facto as consiga surpreender e seduzir quer pela forma, quer pelo conteúdo.
“Hoje em dia o computador faz parte do nosso dia-a-dia, temos câmaras no laptop, no telemóvel, etc., quando o mail está ‘em baixo’ falta-nos o ar, há cada vez mais pessoas para as quais o Twitter, o Facebook ou o LinkedIn são formas naturais de estar na vida, há uma autêntica cultura de conhecimento e experiências assentes e distribuídas pela rede”, resume. Por tudo isto, diz, só faz sentido e só há vantagens que as marcas e a forma como comunicam reflictam a capacidade de acompanhar essa evolução. “Não podemos continuar a comunicar única e exclusivamente da mesma forma que comunicávamos há 30 anos”, defende.
Estás são “de longe” soluções que têm uma capacidade de acrescentar algo que fique na memória como uma experiência diferente ao mesmo preço de contacto ou até inferior, diz o responsável da YDreams. E este é um valor que garante quase sempre um retorno de investimento bastante mais fácil de atingir, opina. E “todas as nossas plataformas geram aquilo que qualquer decisor gostaria de ter: dados e estatísticas de utilização em diversos parâmetros”, garante.
Mas mais do que em Portugal, é lá fora que a YDreams tem visto reconhecido o seu pioneirismo. Ao longo dos últimos anos têm trabalhado internacionalmente, entre outras, para a Coca-Cola, Nokia, Unilever, Vodafone e Imaginarium. Neste momento, segundo diz Luís Carvalho, estão em fase de negociação para vários projectos no Brasil e Estados Unidos para sectores de actividade como o retalho, indústria alimentar, indústria automóvel, indústria discográfica e desporto. E este profissional destaca o trabalho que têm feito na Audience Entertainment, empresa da qual têm uma participação e que está sedeada em Nova Iorque. “É um projecto empresarial que tem o objectivo de cobrir o mercado mundial das audiências em recintos (cinemas, estádios, etc.) com novas formas de comunicação e entretenimento, muitas das quais assentes na tecnologia da realidade aumentada e com tecnologia desenvolvida por nós”, remata.

Os casos de mobile marketing
Mas há mais tecnologias ao serviço deste novo consumidor.
Quando se fala de mobile marketing é incontornável que se refira a MKTM, empresa que em dois anos de actividade desenvolveu mais de 80 campanhas em Portugal. Entre os trabalhos realizados há clientes de diferentes áreas de actividade como a Unilever (Olá, Lipton, Planta, Vaqueiro, Becel, Flora e Calvé), a Sumol Compal (Sumol, Pepsi e Antártica), os canais FOX, a TMN, a EDP e o BES.
A par desses trabalham ainda com os principais grupos de media, como a Controlinveste, Cofina, Impala, Destak e TVI. Ricardo Carvalho, managing partner da MKTM, referiu ao M&P que dispõe de múltiplas soluções tecnológicas que são utilizadas consoante o objectivo das campanhas e o posicionamento das marcas. A título ilustrativo, já utilizaram alertas SMS (promoção da meia maratona da EDP e de séries FOX), quizzes mobile (Cofina), aplicações mobile (Vaqueiro Mobile Cook Book e Cornetto Declara-te em grande), participações integradas SMS e online (Lipton, Cornetto, Sumol, Pepsi), VMS (BES Poupa), portais WAP (Nissan Micra), activação de base de dados mobile (Renault), prémios mobile (Sumol sorteava bilhetes de cinema ZON Lusomundo) e mobile vouchers (Elefante Azul). Para 2010 têm projectos para campanhas que utilizam soluções para plataformas iPhone, Blackberry e Windows Mobile.
Ricardo Carvalho garante que o canal mobile oferece vantagens únicas: o imediatismo já que é o único canal que está com o cliente 24h/7 e que permite uma interacção em tempo real, esteja o cliente onde estiver e sem necessidade de qualquer outro suporte; o amplo alcance pois é um canal com elevada penetração em Portugal; a interactividade ao ser o único canal que verdadeiramente interage com todos os meios de comunicação; a compatibilidade com múltiplos formatos (texto, imagem, vídeo, som) e a mensurabilidade do impacto. A medição dos resultados do mobile é fidedigna e comparável à da internet, ficando registadas todas as interacções e todos os momentos de interacção entre a marca e o consumidor independente do formato mobile utilizado. “Outra vantagem muito relevante são os custos incomparavelmente menores quer de conteúdos quer de espaço”, comenta. Contudo, reconhecem também vantagens nos meios de comunicação tradicional. E nesse sentido, a MKTM propõe e implementa frequentemente campanhas que alavancam em meios tradicionais.
O managing partner da MKTM refere que olhando para os dois formatos mobile mais utilizados (SMS e WAP) não tem dúvidas que o custo por contacto mobile é de longe mais económico. O custo de um SMS utilizado como vale de desconto ou como informação específica (por exemplo, sobre saldos) é incomparavelmente mais baixo do que qualquer outro formato de comunicação, comenta. E, refere, percebe-se facilmente porquê. Por um lado, não há custos de produção e, por outro, os custos de espaço e de distribuição são residuais. “Já no caso do WAP advertising se compararmos as taxas de CTR [Click Tthrough Rate] de uma campanha WAP versus web tradicional verificamos que estas são muito mais elevadas e consequentemente o custo por contacto é menor”, admite. E acrescenta que considerando outros formatos mobile, como por exemplos aplicações ou conteúdos mobile brandizados (como wallpapers, screensavers, jogos java, toques ou templates mobile) as marcas têm um contacto prolongado e repetido com os consumidores o custo é ainda menor. Além disso, explana, “se considerarmos ainda a eficácia da comunicação mobile e a facilidade e rapidez de implementação então o custo inferior por contacto torna-se outra vez evidente”.
Mas a experiência da MKTM não se restringe ao mercado nacional, já que, como está enquadrada no universo TIM w.e., a agência tem uma presença global e efectua trabalhos internacionalmente através da sua rede de escritórios locais. Apesar disso, e “dada a experiência acumulada na sede, todas as campanhas são acompanhadas pela equipa central ao nível do marketing, design e TI.
Apenas o mercado espanhol é excepção, sendo trabalhado a partir de Portugal”, explica Ricardo Carvalho. De entre os trabalhos realizados fora de Portugal, este profissional destaca, “pelos excelentes resultados obtidos”, as campanhas desenvolvidas para a operadora Movistar em Espanha, para a petrolífera ENOC nos Emirados Unidos, para a empresa de pão de forma Sasko na África do Sul, para a Kellogs e HP no México, para a cadeia de lojas de desporto Treinador Centauro no Brasil e para o canal por cabo Direct TV na Argentina. Em 2010, está previsto realizarem uma campanha promocional com a Galp em Espanha e uma campanha de lançamento de um cartão de crédito para jovens (BonusCity) com o Garanti Bank na Turquia.
E na opinião de Ricardo Carvalho as vantagens de trabalharem clientes nacionais e internacionais são claras. Por um lado, podem aplicar a experiência a um conjunto mais amplo de clientes e explorar sinergias a nível criativo, técnico e administrativo. Por outro lado, diz, têm oportunidade para aprofundar o conhecimento e competências uma vez que são impelidos a manter-se ao corrente das últimas práticas e tendências globais e a desenvolver soluções inovadoras e adequadas a mercados com culturas distintas ou em diferentes estádios de maturidade. “Todas estas vantagens maximizam a capacidade da MKTM impactar e criar valor junto dos nossos clientes”, remata.
Entre as marcas que a Lifetime tem trabalhado em mobile marketing estão a Renault (via Tempo OMD e OMG Digital) e a Nivea (Beiersdorf). A nível internacional participaram na acção de maior envergadura Toyota Experience com a Toyota Espanha. “Temos proposto várias acções de bluetooth marketing, bem como acções promocionais via SMS”, diz Tiago Andrade, director-executivo da Lifetime.
E explica que acima de tudo são acções interactivas que permitem ao consumidor interagir e reagir a determinado estímulo, directamente e em tempo real. E as plataformas de reporting que utilizam permitem conhecer o número de interacções.
0,07 euros por contacto é o valor que a Lifetime considera o máximo para ter uma acção competitiva em comparação com outros meios quando se analisa o rácio tempo da acção, custo da acção e consumidores que interagiram.
Bluetooth em grande forma
Com o rápido aparecer de novidades no mercado, as tecnologias que surgiram há mais tempo começam a ter uma base fiel e alargada de adeptos. E como o desenvolvimento da procuram proliferam também as empresas fornecedoras. É o caso do bluetooth.
A Webeffect é uma das empresas a actuar neste mercado com o seu Difusor de Informação por Bluetooth (DIB). A empresa encara esta tecnologia como um canal complementar de divulgação e a sua utilização está integrada numa estratégia que pretende atingir os objectivos inicialmente traçados em conjunto com o cliente. Entre outros a DIB foi usado na InternetWorld 2009, em Londres, para divulgar a agenda bem como reforçar a marca InternetWorld junto dos visitantes. No caso do Football By Carlos Queiroz, o objectivo era distribuir fotografias dos alunos da escola de futebol na cerimónia de entrega dos diplomas. Para a Bota Minuto o DIB foi usado para divulgar a marca e distribuir vales desconto aos passantes nas lojas de reparação de calçado. Já no TroiaPortugalMatchCup 2009 pretenderam ter uma solução de divulgação das classificações da prova sempre actualizada. Outro cliente é a Viagens Abreu que pretendia divulgar a oferta da agência de uma forma mais amiga do ambiente e manter um canal de comunicação aberto com os potenciais clientes por um período de tempo alargado. Foram colocados DIB nas lojas a distribuir uma aplicação java mobile actualizável com informação sobre as ofertas em curso. Também na OMExpo Lisboa e no Portugal Tecnológico 2009 foi usada esta tecnologia para distribuir a informação sobre os eventos.
João Almeida, CEO da Webeffect, defende que o DIB, os sites mobile e os QRcodes servem para complementar as campanhas ditas tradicionais, mas nunca para as substituir. Estas ferramentas, diz, permitem maior proximidade com o cliente (entregam conteúdo no telemóvel), dar um posicionamento inovador às marcas e utilizar menos papel. E explica que o custo por contacto depende do projecto e do público a que a campanha está exposta. Mas “podemos dizer que custa o mesmo entregar uma aplicação java mobile a mil telemóveis ou a cem mil, já que o difusor é só um e a aplicação também é sempre a mesma”. O mesmo não se pode dizer do custo de distribuir mil ou cem mil flyers ou brochuras, porque neste caso tem o custo de impressão e distribuição, explica. Além disso, têm estatísticas diárias de quantas pessoas aceitaram o conteúdo, quantas recusaram, se o dispositivo que utilizam é um SmartPhone, CellPhone, PDA ou PC.
O Oneway Group é outro dos players que trabalha bluetooth no nosso mercado como complemento de outros elementos tecnológicos que têm utilizado na comunicação dos clientes. “Criamos interactividades para as marcas, e o bluetooth serve como potenciação das mesmas”, explica Tiago Alves Ribeiro, director-geral da Oneway Group que tem também oferta de realidade aumentada, realidade virtual, displays holográficos, surfaces, montras interactivas, touchscreens, pisos interactivos, jogos interactivos, promomans e bares interactivos.
Zon, Metro de Lisboa, Grupo Portucel Soporcel, Turismo de Portugal, Estoril Open, Porto e Norte (Redbull Air Race), Superbock e Vitalis foram alguns clientes que já este ano foram trabalhados pelo Oneway Group nesta área. A Zon esteve presente com o bluetooth em activações de marca (concertos Ana Free, My Games, XLParties, LAN Parties), o Metro de Lisboa comunicou a inauguração de novas linhas, informações sobre as existentes, e o Estoril Open comunicou informações dos jogos e do recinto. A Oneway tem também realizado trabalhos no estrangeiro remetem, quase na sua totalidade, para feiras internacionais.
Tiago Alves Ribeiro destaca nesta área a acção realizada este ano na feira Paper World em Frankfurt para o grupo Portucel Soporcel, “pela dimensão da feira, número de contactos, e resultados de interacção com os restantes elementos do stand”.
Trata-se de uma solução considerada vanguardista, com comunicação direccionada sem a necessidade de acompanhamento físico, explica Tiago Alves Ribeiro.
Juntam-se a estas vantagens o longo alcance físico nos espaços, a informação portátil e mais económica. “A implementação desta tecnologia é uma operação muito suportável financeiramente, permitindo aos clientes a sua reutilização constante, assente em comunicações distintas”, garante. Além disso, explica, criam-se redes virtuais sem fios e permite uma diversidade de dados enviados e respectivo controlo e direccionamento desses dados no local, bem como a medição de resultados. Os elementos extraídos da plataforma permitem avaliar estatísticas de envio, de recebimento/aceitação, de número de tentativas de contacto, reenvios, acessos, downloads (wallpapers, ringtones). O cliente, diz, gosta de poder avaliar no local, o efeito imediato do meio, no final do dia poder voltar a personalizar a solução e ter acesso à sua medição.
“Hoje em dia as soluções bluetooth não se limitam a enviar um texto, uma imagem ou um vídeo. Passam por acções integradas, que estão em sintonia com as campanhas tradicionais, ou exploram um lado mais irreverente e marcante de uma acção pontual ou presença numa activação de marca, que permitam ter a recordação desejada”, diz o director-geral da Oneway Group. As acções que desenvolvem remetem para micro-sites, com vários submenus, com um conjunto de variáveis (texto, imagem e vídeo), que criem a vontade/necessidade do target de as ter.
O director-geral da Oneway Group refere que apesar do formato ser inovador, a Oneway considera que neste tipo de soluções, há um regresso à famosa expressão dos anos 90, do “content is king”. “Para além de ser necessária a comunicação da existência desta solução de uma forma inteligente nos espaços onde é aplicada, o bluetooth comunica na base do “one-to-one” e para um consumidor cada vez mais exigente”, refere. Os conteúdos devem ser coerentes com a marca, ter um objectivo especifico, ser atractivos, passar informação relevante (seja ela mais institucional ou fun). E, garante, quem se limitar a aplicar, um anúncio de televisão num telemóvel, não vai ter o impacto/resultados pretendidos. E dá o exemplo de uma acção que a Oneway fez para festivais de verão, nas quais as pessoas eram convidadas a activar o Bluetooth, e recebiam um micro-site que lhes permitia ter acesso ao programa/horários, a todo o tipo de informação dos espaços do recinto, a ringtones dos artistas, wallpapers com os cantores/marcas, jogos, passatempos. Este tipo de soluções, afiança, passam a marca do cliente, mas ultrapassam essa função, tornando-se um meio útil/portátil, que permite às pessoas terem informação actualizada, associada a outras vertentes mais fun. O mesmo responsável dá o exemplo das feiras de automóveis, onde criaram conteúdos que permitiam apontar o telemóvel para o carro que estava a ser lançado, receber um configurador do mesmo, que permitia viajar pelas alternativas existentes e criar uma versão que mais se adequasse ao cliente da interacção. No final dava a escolher ao utilizador a opção de enviar para o seu mail, de ser contactado por um vendedor da marca, de utilizar o mesmo num jogo (race mode) no seu telemóvel ou de o definir como wallpaper.
Receptividade das mensagens
A taxa de aceitação da comunicação via bluetooth varia imenso em função do tipo de acção e da relevância do seu conteúdo. “O tipo de acção está claramente associado aos resultados”, garante Tiago Alves Ribeiro. E explica que qualquer acção de marca que faça alusão a prémios (ex activações de marca), a descontos (ex loja centro comercial), ou informação relevante (ex jogos de futebol, festivais etc), tem resultados claramente superiores ao simples envio de um gif animado ou um conteúdo mais institucional. “A oferta atrai sempre mais o utilizador, e as campanhas que se apoiam nessa característica, têm invariavelmente melhores resultados”, resume. Uma campanha “básica” tem um nível médio de aceitação a rondar os 30%, enquanto que as acções mais elaboradas, e com as características referidas, já ultrapassam os 50/60%, diz o responsável da Oneway Group.
Também a taxa de aceitação de mensagens com o DIB depende do ambiente em que a acção está inserida, e de quanto as pessoas se sentem envolvidas com a marca. Por isso dizem que o DIB complementa, não substitui. “Continua a ser necessário criar relação através dos meios tradicionais.
A demarcação de zona de distribuição através de muppis, sinalética, hospedeiras são alguns dos apoios que uma campanha deve ter para aumentar a taxa de sucesso”, explica João Almeida. Das acções que fizeram têm taxas de aceitação entre os 2 e os 15%.
Miguel Botelho de Barros garante que as campanhas permitem que os anunciantes saibam exactamente o retorno de cada campanha. Isto porque no final de cada acção enviam um relatório detalhado com a análise da dinâmica estabelecida. “Conseguimos dizer ao anunciante qual a quantidade de pessoas impactadas, qual a taxa de resposta, o numero de pessoas que aceitou a campanha nos seus telemóveis, informações por dias de semana, com gráficos”, resume
Numa campanha de duas semanas, a Blueharbour Media consegue impactar cerca de 20 mil pessoas, isto é, o número de pessoas que aceitam e descarregam a campanha directamente para o seu telemóvel. Esta rede está permanentemente a funcionar com campanhas. Além dessa rede têm a Rede Nacional Comboios. Têm um contrato de exclusividade com a CPCOM (empresa responsável pela gestão publicitária nas estações de comboios da Refer/CP) e com a Fertagus (empresa responsável pelas linhas comboios da margem Sul) onde lhes é permitido explorar e comercializar esta rede no mercado nacional. Também no El Corte Inglés a rede de bluetooth é da Blueharbour, fruto de uma parceria estabelecida há um ano e que permite ao ECI comunicar as suas campanhas e promoções directamente para todos os visitantes e clientes deste espaço. Outra das redes fixas de bluetooth são os estádios de futebol, onde os anunciantes podem fazer as suas campanhas através de hotspots de bluetooth nos estádios. Em termos de redes móveis a Blueharbour oferece a Rede City (nas ruas das cidades), Ensino (à porta de faculdades e/ou escolas secundárias), Cool (em zonas de diversão nocturna) e Praias. “Estas redes móveis servem para comunicar nestes locais específicos, e embora estejam organizadas tematicamente, podem ser ajustadas em função das necessidades do anunciante”, explica Miguel Botelho de Barros.
A maior parte dos anunciantes da Blueharbour procuram a Rede Nacional Bluetooth Comboios, que segundo Miguel Botelho de Barros, director-geral da empresa, é “a mais impactante”. Mas, segundo diz, têm tido também muita procura para comunicar nas redes de rua, que são móveis e permitem comunicar de uma forma cirúrgica em locais específicos que os anunciantes queiram. “Depois há também procura para comunicação em eventos do tipo reuniões internas de empresas, seminários, congressos, feiras”, acrescenta. Entre os clientes estão marcas como TMN, Nespresso, Zon, Pingo Doce, El Corte Inglés, CTT – Phone-IX, Unilever, SIC, Grants, PT, Galp e BES.
As Boxs de Bluetooth utilizadas pela Blueharbour Media, registam digitalmente, como se de um computador se tratasse, todas as informações desde o momento em que uma campanha inicia até ao dia que termina, explica o director-geral. “A profundidade de informação que conseguimos registar numa campanha são, para além da quantidade de pessoas que descarregou os conteúdos, saber o numero de pessoas que têm o bluetooth activo, saber com detalhe as marcas e modelos dos telemóveis que passaram nas nossas estações de comboios e redes em geral”, refere o mesmo profissional. E acrescenta que apesar do core business da empresa ser a publicidade, também conseguem elaborar dados para estudos de consultoria no que diz respeito a análise de dinâmicas comportamentais de utilizadores mobile em Portugal. E dá o exemplo da Rede Nacional Comboios onde conseguem saber ao detalhe quantas vezes o mesmo telemóvel entrou ou saiu num estação de comboios por semana ou por mês, quais as estações de comboios que utilizou, em que horários.
Magic Mirror implementado na Throttleman

Após a implementação do Magic Mirror na Throttleman do CascaiShopping, a loja registou um aumento de 46 por cento nas vendas a clientes que interagem com o espelho.
Este produto assenta na tecnologia RFID (Radio Frequency IDentification) e permite ao cliente conhecer as características e as disponibilidades de qualquer peça de vestuário na loja, bastando passar a etiqueta pelo touch screen do espelho, que dá sugestões de outras peças que combinam com a roupa em causa. A Creativesystems é a empresa responsável pela implementação desta solução, desenvolvida com a Avery Dennison.
O espelho descreve e permite visualizar detalhadamente a peça, saber qual a sua composição, preço, que tamanhos e cores estão disponíveis na loja e com que outras peças de roupa combina.
Ticketing em vias de avançar

O couponing ou ticketing significa o envio de um cupão promocional/bilhete através de um código alfa numérico para um telemóvel. Esse código, explica António Galhardo Simões, CEO da Send It, “permite a redenção do referido cupão/bilhete promocional no ponto de venda através das máquinas Bcode By Send It que lêem o código através de um sistema chamado OCR (Optical Character Recognition)”.
Esse sistema, por sua vez, comunica via internet com os servidores da Send It, fazendo a correspondência desse código único ao cupão ou bilhete que se pretende imprimir. A comunicação pode ser por Ethernet, wireless ou 3G, acrescenta António Galhardo Simões. Por ter sido lançado recentemente e o time to market deste tipo de soluções ser relativamente prolongado ainda não há projectos desenvolvidos, explica o CEO da empresa. Mas na calha estão quatro projectos praticamente prontos para avançar.
António Galhardo Simões identifica as vantagens destas acções quando comparadas com as campanhas tradicionais de publicidade/marketing. O sistema permite “comunicar de forma individualizada com um target específico, realmente one-to-one, uma vez que as ofertas podem ser diferenciadas para tantos números quantos existam numa determinada base de dados”. Isto, explica, “traduz-se num potencial incrível para todos os marketers que olhem para as ferramentas de CRM como algo indispensável nos dias de hoje”. António Galhardo Simões acrescenta que as campanhas tradicionais têm a dispersão e consequente desperdício de contactos conhecida, que não acontece com esta forma de comunicação. “O tradicional spot de 30 segundos tem com certeza o seu enquadramento, mas julgo que este tipo de soluções servem realmente o marketer inovador, que se preocupa em conhecer o seu alvo (um a um) e na maneira mais eficaz (em termos genéricos) de o contactar e de o manter contactável”, opina. E o sistema disponibiliza informações em tempo real sobre o número de redenções, por máquina (localidade). Se soubermos a quem pertence o telemóvel, poderá fornecer informações sobre relação de mulheres/homens, idades, profissões, entre outras variáveis.