Será que os utilizadores estão dispostos a pagar por conteúdos online? Um estudo divulgado este mês pelo Boston Consulting Group (BCG) dá sinais positivos q.b. para os grupos de media. De acordo com o inquérito online que a consultora conduziu em Outubro junto a um universo de 5.083 indivíduos, oriundos de mercados como Alemanha, Austrália, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Itália, Noruega e Reino Unido (Portugal não está incluído), pagar ou não pagar depende do tipo de conteúdos. Informação local e especializada são as matérias pelas quais 67 e 63 por cento dos inquiridos afirmaram estar mais dispostos a pagar, mas também serviços como alertas noticiosos, tendo este último sido referido por 54 por cento dos inquiridos. Boas notícias para os grupos de media com uma forte presença em imprensa é o facto de, segundo o estudo, os utilizadores estarem mais dispostos a pagar por conteúdos noticiosos produzidos por jornais, do que outros media, como estações de televisão, sites ou portais online. E, claramente, não estão interessados em verem ser cobrados conteúdos noticiosos disponíveis de forma gratuita numa enorme variedade de sites. O estudo também dá algumas pistas sobre modelos de cobrança, sugerindo que no futuro uma série de modelos de cobrança híbridos para aceder aos conteúdos poderão emergir. Segundo o inquérito, 52 por cento dos utilizadores norte-americanos estariam interessados num modelo tipo pacote de assinatura tanto para conteúdos de edições em papel como online, embora esta hipótese tenha sucesso só junto a 35 por cento dos consumidores jovens. Deste cenário, apesar de tudo animador, surge ‘apenas’ a nuvem negra de quanto os utilizadores estão dispostos a pagar. A esta pergunta o estudo responde: não muito. “A boa notícia é que, ao contrário das percepções convencionais, os consumidores estão dispostos a pagar por conteúdos com significado. As más notícias é que não estão dispostos a pagar muito. Mas cumulativamente estes pagamentos poderão ajudar a contrabalançar três anos de declínios antecipados nas receitas de publicidade”, afirma John Rose, senior partner, da BCG.. Os valores falam por si: nos Estados Unidos e Austrália os utilizadores estão dispostos a pagar mensalmente três dólares, em Itália o valor sobe para sete dólares.