O presidente da Confederação dos Meios de Comunicação Social, que representa mais de 600 empresas do sector, insistiu ontem que o Estado deve apoiar financeiramente os órgãos de media através de medidas fiscais ou benefícios no investimento. João Palmeiro falava na sessão de encerramento do seminário comemorativo dos 15 anos da confederação dedicado ao tema Os Media e o Desafio Digital, que decorreu em Lisboa e que reuniu vários representantes de empresas de comunicação social.
“A presente crise veio mostrar que apoios do Estado inteligentes e actuais, adequados à estrutura nacional de cada sector empresarial dos media, não só são possíveis – não só não obrigam à perda da independência, da autonomia e da transparência – como são indispensáveis no campo da inovação e da procura dos modelos de negócio mais adequados a cada sector dos media”, defendeu. Segundo o presidente da Confederação, há cada vez mais vez Estados da União Europeia a desenvolver políticas modernas e apropriadas de apoio aos órgãos de comunicação social, contribuindo para resolver os problemas em cada mercado e em cada sociedade nacional.”É este o apelo que é preciso fazer a todos os políticos portugueses, em especial àqueles que no Governo e na Assembleia da República têm especiais responsabilidades”, frisou.
Na sua intervenção, João Palmeiro disse ainda que a confederação enfrenta desafios cujo impacto determinará o futuro do sector que representa, nomeadamente, o dividendo digital, o pluralismo e a diversidade de conteúdos e os direitos de autor. Estas três preocupações, frisou, têm uma característica comum: a capacidade de decisão sobre essas matérias esta cada vez mais perto de Bruxelas e cada vez mais distante das capitais dos Estados-membros. Além destes temas prioritários é ainda apontado como preocupação o investimento publicitário que, frisou, terá de ter uma resposta local para serem encontradas soluções capazes de competir, de estabelecer alianças ou confrontar.
Sobre a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), João Palmeiro disse que a confederação defende uma cada vez maior abrangência da auto-regulação e da co-regulação como formas para a organização do sector.”Queremos aqui deixar o testemunho do nosso interesse e disponibilidade para colaborar com a ERC em tudo aquilo que conduza ao melhor conhecimento das necessidades, dos desafios, e das ameaças que possam contribuir para uma cada vez melhor auto-regulação do sector”, disse. (Lusa)