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Media :: Noticias

José António Saraiva ouvido na ERC sobre alegadas pressões do Governo

4 de Dezembro de 2009 às 02:00:00, por Meios & Publicidade

SaraivaO director do semanário Sol foi ontem ao final da tarde ouvido pelo organismo regulador dos media no âmbito do processo sobre alegadas interferências do Governo em alguns órgãos de comunicação social denunciadas por José António Saraiva.
“Reafirmo tudo o que disse à Sábado e darei mais elementos à ERC. Vou colaborar o mais possível”, garantiu à Lusa o director do Sol à entrada da audição, que está a decorrer na sede da Entidade Reguladora para a Comunicação Social. O organismo regulador abriu, no final de Novembro, um processo de averiguações na sequência de afirmações de José António Saraiva, citadas pela revista Sábado, em que acusava o Governo de tentar interferir em alguns órgãos de comunicação social e, nomeadamente, no Sol.
“Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport”, disse o responsável citado pela revista. A ERC decidiu então abrir um processo “no uso das suas atribuições e competências (…) tendo como objectivo apurar elementos relativos à situação denunciada publicamente pelo director do jornal Sol”, referiu o organismo. A ERC abriu também “um procedimento tendo em vista a análise do cumprimento das regras relativas à publicidade do Estado, identificando eventuais desvios a essas regras”.
No mesmo artigo em que o director do Sol lança a acusação, a Sábado adiantava ter havido discriminação por parte do Governo e organismos públicos na distribuição de publicidade institucional a jornais nacionais. “Nunca nos tínhamos queixado em público das pressões porque quem se queixa é quem está na posição fraca. Não nos queixámos, fi-lo a uma pergunta [da Sábado]“, José António Saraiva não se mostrou surpreendido por só agora as declarações terem servido para abrir um processo, já que foram publicadas pela primeira vez há oito meses. “Num determinado contexto, as declarações ganham mais força”, alegou, referindo que o processo “Face Oculta” dá novo peso às acusações. (Lusa)