
A publicidade ainda é o modelo de negócio dominante das operações online, mas os grupos de media têm vindo a desenvolver e implementar novas áreas de negócio na plataforma web. Conheça algumas das ‘novas’ linhas de receita online
É a principal fonte de receita dos projectos de media e no online não é excepção. “A publicidade continuará a ser a principal fonte de receita online dos grupos de media”, começa por constatar Nuno Ribeiro. No entanto, ressalva o director de multimédia e e-business da Controlinveste, apesar de dominante esta fonte de receita também vai evoluir, a começar pelos próprios formatos que disponibiliza para o mercado de anunciantes. “A publicidade online vai sofrer alterações nos próximos anos, que terão sobretudo a ver com o envolvimento das marcas (branded experience), onde os patrocínios e formatos mais envolventes (rich media e ingame advertising) ganharão maior predominância”, adianta.
Também Inês Valadas não duvida que, independentemente dos formatos que assuma, a publicidade online vai continuar a ser nos próximos anos a principal fonte de receita dos vários sites da Media Capital. “Estamos permanentemente a procurar e testar novos formatos que possibilitem às marcas estarem mais próximas dos seus públicos”, refere a directora da Media Capital Multimédia. Formatos e ofertas comerciais para os anunciantes que não passam exclusivamente pelo online, frisa Inês Valadas, adiantando que MC Multimédia está “já a implementar acções com anunciantes que combinam uma forte presença online com a produção de eventos e com publicidade em vários suportes e em vários formatos”, como são disso exemplo os Secret Shows, realizados para o MySpace.
Os classificados migram para o online
Ainda que a publicidade seja unanimemente reconhecida como ‘o’ modelo de negócio, o certo é que na busca de angariação de receita, os grupos de media têm vindo a diversificar as actividades das suas áreas multimédia e, por conseguinte, as suas linhas de receita. Na Media Capital Multimédia, por exemplo, a empresa apostou numa nova área de negócio que deu origem à marca Insite. “Esta é uma área de negócio especializada no design, construção e desenvolvimento de websites, bem como em soluções que maximizam a visibilidade de websites e marcas na internet”, descreve Inês Valadas. Um serviço que faz parte da oferta de serviços web para pequenas e médias empresas da MC Multimédia. Neste âmbito a MC Multimédia oferece igualmente um directório de empresas online – “com mais de 630 mil empresas a nível nacional”, sendo possível às empresas “adquirir várias opções de visibilidade, que vão desde um simples logotipo até destaques na homepage ou páginas web” – e classificados.
Neste último campo, explica Inês Valadas, tem mais de mil empresas como clientes dos portais verticais de classificados automóveis, imobiliário, emprego e formação.
Os classificados online são, aliás, uma das áreas de negócio onde outros grupos de media também têm vindo a apostar, talvez por ser uma natural evolução do negócio do papel onde já marcavam presença e onde obtinham uma fonte de receita significativa. Maior “capacidade de gerar mais audiência e consequentemente retorno para os seus anunciantes”, bem como a “credibilidade das marcas” são factores que, no entender de Nuno Ribeiro, são críticos para o sucesso do negócio dos classificados e onde os media tradicionais estão, acredita, em vantagem.
Contudo, ressalva o responsável da área multimédia da Controlinveste, também este negócio deve “ser repensado à luz das novas possibilidades que a área digital nos oferece”, embora não avance com exemplos concretos de possíveis evoluções desta área de negócio no grupo que detém o Ocasião e os sites de classificados online desta marca e onde, recentemente, a direcção comercial foi reforçada com a contratação de um director comercial de classificados multimédia, o que poderá antecipar uma nova abordagem.
“É um facto que os classificados estão a migrar para a internet, e em Portugal isso está acontecer, mas a um ritmo mais lento do que se regista em mercados mais desenvolvidos”, constata José Freire. A migração para o online deste produto é a forma de mitigar essa eventual perda de receita na plataforma papel e no grupo Impresa, relembra o director de planeamento estratégico, esse passo foi dado há vários anos sob a chancela da marca Expresso. O Expresso Emprego foi o primeiro projecto, seguindo-se o Expresso Imobiliário (actualmente em parceria com o BPI) – tendo este ano sido lançado o Emprego Directo e o Auto Guia (anteriormente designado Carfilia) para o sector automóvel. Mais, garante, “o mercado dos classificados online é considerado uma das áreas estratégicas para expansão do grupo, através da Impresa Publishing, e vamos ter algumas novidades nos próximos tempos”, assegura, sem revelar mais pormenores.
Na Cofina a migração dos classificados para o online tem também vindo a ocorrer. “A Cofina através do Correio da Manhã é líder na área de classificados. O ano excepcional que o Correio da Manhã está a fazer em termos de circulação faz-nos acreditar que ainda seremos bem sucedidos nesta área durante muito tempo, garante José Manuel Gomes. “Na parte online também temos feito uma grande aposta com o lançamento este ano de novos sites de classificados de imobiliário, automóvel, diversos e convívio. Por outro lado, este ano adquirimos o Empregos Online que está a ter uma evolução muito positiva”, acrescenta o director da Cofina Media Internet, embora sem revelar valores de facturação com esta área de negócio, uma reserva, de resto partilhada por todos os grupos de media ouvidos pelo M&P.
E-commerce ganha fôlego
Os operadores não revelam igualmente facturação, nem as suas expectativas, no que se refere ao e-commerce, mas este ano a criação de assinaturas digitais e edições e-paper de publicações ganhou um novo fôlego e reforçou esta linha de receitas das operações online. “A recente solução de e-paper que colocámos no mercado serviu-nos para testar o e-commerce”, comenta José Manuel Gomes, referindo-se à edição e-paper do Jornal de Negócios. “No futuro soluções de micro-pagamentos associadas aos conteúdos podem ser uma realidade na Cofina dada a qualidade dos nossos conteúdos. No entanto, não é possível ainda saber qual vai ser o seu peso nas receitas”, afirma o responsável da Cofina Media Internet.
José Freire acredita que o e-commerce “vai ser uma nova fonte de receita que os grupos podem desenvolver”.
Actualmente, “vendemos produtos com as nossas publicações, utilizando a força das respectivas marcas.
Vamos ter que dar o próximo passo e desenvolver esta área no online, mas não existe nada de concreto”, diz o director de planeamento estratégico da Impresa. Nuno Ribeiro, da Controlinveste, acredita igualmente que o “e-commerce vai crescer nos próximos anos”, considerando que um “grupo de media como a Controlinveste pode potenciar alguns dos seus negócios e desenvolver novos através das plataformas digitais”. O grupo actualmente utiliza “as plataformas digitais para vender alguns produtos e serviços, como por exemplo viagens (Global Viagens) e produtos da Loja do Jornal”, especifica Nuno Ribeiro. Na Media Capital Multimédia o e-commerce é uma área de negócio que “estrategicamente” o grupo desenvolve “em parceria com diversas empresas especializadas nesta matéria”, frisa Inês Valadas, dando como exemplo o acordo estabelecido com a Blueticket, para a venda online de bilhetes para espectáculos, e com o site de leilões Miau.pt.
Leilões q.b.
Leilões “não são uma possibilidade que esteja neste momento a ser equacionada” no grupo Cofina, assegura José Manuel Gomes, e na Controlinveste, a avaliar pela reacção de Nuno Ribeiro, também não parece estar na lista de prioridades, já que, diz, “há várias iniciativas de leilões no nosso mercado, mas ainda nenhuma conseguiu um nível de viabilidade e visibilidade relevante…”. Um ponto de vista secundado por José Freire. “O mercado de leilões é um mercado global. Por exemplo, a partir de Portugal temos acesso à oferta do Ebay. Por isso, é muito difícil ganhar massa crítica para tornar este negócio rentável”, considera o director de planeamento estratégico do grupo de Francisco Pinto Balsemão. “Não é estratégico estar presente neste negócio para a Impresa”, conclui.
Já a venda de conteúdos online para outras empresas se tem revelado, se não estratégica, uma fonte adicional de receitas para as operações dos grupos de media. É o caso da Cofina, como dá conta José Manuel Gomes, holding onde esta área de negócio já tem “um histórico muito significativo de evolução positiva”, mas também da MC Multimédia, onde esta actividade representa “uma fonte de receitas relevante”. Neste momento a empresa, diz Inês Valadas, tem como clientes empresas de telecomunicações ou instituições financeiras que incorporam os conteúdos nos produtos ou serviços que prestam aos seus clientes.
“É uma área de negócio que tem vindo a crescer e que queremos continuar a desenvolver no futuro, explorando novos formatos, plataformas e parcerias. Conteúdos para telemóveis ou para televisão interactiva são dois bons exemplos de áreas a explorar”, assegura.

Inês Valadas, MC Multimédia
“A venda de conteúdos online é uma área de negócio que tem vindo a crescer e que queremos continuar a desenvolver, explorando novos formatos, plataformas e parcerias”

José Freire, Impresa
“O mercado dos classificados online é considerado uma das áreas estratégicas, e vamos ter algumas novidades nos próximos tempos”
José Manuel Gomes, Cofina Media Digital
“No futuro soluções de micro-pagamentos associadas aos conteúdos podem ser uma realidade. No entanto, não é possível ainda saber qual vai ser o seu peso nas receitas”

Nuno Ribeiro, Controlinveste
“A publicidade online vai sofrer alterações nos próximos anos, que terão sobretudo a ver com o envolvimento das marcas, onde os patrocínios e formatos mais envolventes ganharão predominância”