
A presença online do título da Progresa/Media Capital Edições ainda não tem uma data, mas está nos planos da, desde finais de Agosto, directora da revista feminina mensal, Rita Machado. Este mês a LuxWoman chegou às bancas com um novo grafismo e conteúdos.
Meios&Publicidade (M&P): Assumiu em finais de Agosto a direcção da LuxWoman, título que tinha ficado durante alguns meses sob a direcção de Pedro Javayoles (da direcção editorial da Progresa) após a saída de Conceição Pissarra. O que lhe foi pedido?
Rita Machado (RM): Olhar para o produto, enquadrá-lo nas outras revistas femininas existentes e trabalhar o produto de forma a fazer um relançamento que fizesse sentido para o nosso mercado e para a leitora que pretendíamos atingir. Tínhamos já um projecto gráfico, foi então elaborar um projecto editorial e depois ver se esse projecto gráfico se adequava ou não. Em muitos casos adequava-se, outros acertámos, e o resultado é a revista que se vê agora em banca.
M&P: Quando fala em reposicionar a revista, queria fazê-lo face a que produto?
RM: Reposicionar tem a ver com o fazer uma espécie de um lifting, uma melhoria. A revista existe no mercado há nove anos, durante sete anos teve um percurso determinado, nos últimos dois anos e meio, antes da minha entrada, teve outro. Foi uma aposta que teve alguns resultados, mas, de facto, percebemos que a revista podia melhorar em termos editoriais e, sobretudo, em termos gráficos.
M&P: De acordo com os últimos dados da Associação Portuguesa para o Controlo da Tiragem e Circulação
(APCT), de Janeiro a Agosto fixaram a média de circulação paga nos 44.764 exemplares, o que representa uma descida de 2,75%. Considera que a nova reformulação poderá conter esta tendência de descida do título?
RM: Esperamos que as vendas subam bastante, sobretudo em banca. A reformulação vem nesse sentido, vem para cativar mais leitoras. Portanto, espero que essa tendência se inverta.
M&P: E até onde é que considera que poderá chegar? Neste momento são o quinto título com maior média de circulação paga.
RM: O mais longe possível. Não queremos estar a dizer números. Já fomos líderes de audiências, já estivemos no topo de vendas. E é, obviamente, para esses lugares que queremos voltar.
M&P: Olhando para os vossos números, em termos de vendas em bloco apresentam de Janeiro a Agosto 14 mil exemplares de média, o que representa cerca de 31,3 por cento da vossa média de circulação paga e faz com que seja a revista do segmento que mais recorre a este item. Pensam dar continuidade a esta estratégia?
RM: As vendas em bloco são vendas empresariais e não uma estratégia em si, pelo que para o futuro esta percentagem depende obviamente do número de empresas que nos queiram comprar revistas desta forma. O importante é o número final de leitoras que atingimos e a audiência que conseguimos.
M&P: Quer crescer por onde?
RM: Sobretudo em vendas em banca, queremos cativar mais leitoras.
M&P: Ofertas, brindes over-price, vales de desconto têm sido usados para aumentar as vendas dos títulos femininos. É tudo isto que vão apresentar ou há uma outra estratégia?
RM: Tudo isso nós já tínhamos. Temos quatro formas de venda em banca: a revista sozinha, a revista com o brinde em over-pricing, a mini [pocket] e a semana em que sai ‘shrinkada’ com a Lux por metade do preço. Essas quatro formas de venda vão-se manter. O brinde, obviamente, é uma estratégia das revistas femininas. No início da LuxWoman ainda tivemos um ano e tal sem estratégia de brinde, mas, de facto, no nosso mercado a leitora está habituada e nós queremos ir ao encontro da sua expectativa. Nesse sentido, vamos continuar a ter brindes, espero que mais apelativos, a ter cupões de desconto, que é uma coisa que as leitoras gostam.
M&P: E o que mais poderá ser feito?
RM: Nada que possa revelar para já, mas teremos algumas novidades.
M&P: A LuxWoman custa 2,50 euros, valor superior ao da líder Happy Woman que custa 1,90 euros…
RM: E há outras que custam 3 euros e 3,50…
M&P: Então não considera que o preço seja um factor que possa levar a uma outra decisão de compra por parte das leitoras, sobretudo nesta fase de recessão?
RM: Acho que tem a ver com um good value for money. A leitora quando comprar a LuxWoman não se vai sentir defraudada com os 2,50 euros [que paga], porque temos uma série de colaboradores novos a escrever, temos produções, muita coisa que, obviamente, custa dinheiro a fazer. Se tenho um José Luís Peixoto, uma Clara Ferreira Alves a escrever na revista… A estratégia da que vende mais [a Happy Woman] é uma estratégia de preço, a nossa é uma estratégia de qualidade.
M&P: E o online? Recentemente, foi lançado o site da Lux…
RM: Adoraria lançar já o site da LuxWoman, hoje em dia faz todo o sentido termos presença online, não só por causa da leitora, mas também pelo mercado anunciante. Mas para já, pelo menos para os primeiros seis meses, não vamos ainda lançar o site. O que temos é a nossa página no Facebook, uma novidade desta edição, mas aí o objectivo é estarmos mais próximos da leitora, para que tenha um meio de comunicação muito mais rápido e quase imediato connosco.
M&P: Mas finda essa fase o objectivo é ter um site marca da LuxWoman.
RM: Mal seja possível é uma coisa que queremos implementar.
M&P: No portfólio da Progresa em Espanha não há um título feminino mensal. Esta reformulação já implicou uma grande proximidade entre o departamento gráfico de Portugal e Espanha, eventualmente poderá haver uma ‘exportação’ do conceito LuxWoman para Espanha?
RM: A Progresa não tem nenhuma revista feminina no grupo (no mercado espanhol). Acho que, inclusivamente, o investimento do accionista na LuxWoman e o relançamento da revista tem a ver com o facto de identificarem aqui alguma oportunidade num produto que consideram. Não custa sonhar.