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WAN: “Isto não é blogar ao lado da piscina”

3 de Dezembro de 2009 às 02:00:00, por Ana Marcela, em Hyderabad

“Não estamos a falar de um jornalismo amador ou de blogar ao lado da piscina”. O aviso é de Olivier Creiche durante a apresentação Entrepreneurial Journalism: The Growing Influence of Online-Only News, inserido no Editors Forum, a decorrer em simultâneo como o congresso da WAN-IFRA, em Hyderabad, na Índia.

“Estamos a falar de alguém que se transforma numa marca que pode concorrer consigo [casa de edição] e, em algumas coisas, ser vosso amigo”, continua. O CEO da região Europa da empresa de tecnologia Six Apart referia-se aos novos jornalistas empreendedores, ou seja, profissionais que deram o salto em direcção à criação do seu próprio negócio e construíram com as ferramentas online de open source actualmente ao seu dispor, e com custos de produção consideravelmente mais baixos do que o jornalismo tradicional, marcas de informação. Meios que podem transformar-se em concorrentes “pois lutam pelo mesmo bolo de investimento publicitário que outras operações online” – mas que também pode resultar num “aumento de criatividade junto das equipas” – ou num colaborador, a partir do momento em que se passam a comprar os seus conteúdos.
“Agora é provavelmente a melhor altura para se quiserem dar o salto e fazerem o vosso projecto”, defendia, por seu turno, Rafat Ali, fundador e CEO do paidcontent.org, operação online entretanto comprada pelo The Guardian. Porquê? É que “se não há empregos suficientes no negócio dos media, as hipóteses são que eles não vão regressar. É a melhor altura para ser um jornalismo empreendedor”, considerava. Os cortes nas redacções e a necessidade das editoras manterem operações não muito pesadas fez que com esta tendência proporcionada pelas novas tecnologias tomasse maiores proporções.

E nem sempre o jornalismo empreendedor tem uma origem online, como dá conta Frédéric Filloux, editor do 20 Minutes, em França. O responsável do gratuito detido pela Schibsted International relembrou que no que se refere à produção de conteúdos das páginas de desporto do jornal, a opção não recaiu na contratação de uma equipa pesada e interna, nem de freelancers – que face às leis laborais em França passado algum tempo podem solicitar a integração nos quadros – mas sim na criação de uma start-up. “Oferecemos-lhes um acordo justo” e não colocaram obstáculos à tomada de iniciativas que lhes permitissem crescer, diz. Mas também nestas operações a questão da rentabilidade e da capacidade de gerar receitas coloca-se. “Poderá ser rentável?”, questiona. “Tão rentável quanto a capacidade da publicidade gerar dinheiro”, diz.

O M&P viajou a convite do I