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Media :: Noticias

WAN: Serão as redes sociais o próximo Google?

2 de Dezembro de 2009 às 02:00:00, por Ana Marcela, em Hyderabad


“Não deixem o Facebook tornar-se no próximo Google”. O alerta foi deixado por Are Stokstad, vice-presidente executivo da A-Pressen, durante a mesa redonda The Internet – A Maturing Media, inserida no encontro mundial da World Association of Newspapers (WAN), a decorrer desde segunda-feira em Hyderabad, Índia. Uma questão que ganha maior relevância para os grupos de media, quando só na Noruega, refere, “um terço da população está nas redes sociais”, ou, a fazer fé nos números apresentado por um outro participante, 15% da população na Austrália, ou seja, cerca de 3 milhões de pessoas, gasta 23 minutos por dia no Facebook Por isso, como concluía Are Stokstad, “temos de olhar para este negócio e levá-lo a sério”.

 

Talvez para apanhar a onda das redes sociais, antes que se transforme num tsunami que engula os media, alguns grupos estão a apostar nesse mercado. É o caso do grupo norueguês A-Pressen que criou a rede social Ortico e, a fazer fé nos testemunhos trazidos dos quatro cantos do mundo, as redacções também se estão a movimentar para redes sociais como o Twitter ou o Facebook, tendo dado inclusive origem, segundo o professor Stephen Quinn, à emergência de editores de social media nas redacções. Ou seja, explica, alguém responsável pela ligação e gestão das relações entre os media e as suas audiências nessas plataformas. Contudo, esta não é a realidade na generalidade das redacções, como depressa se conclui quando apenas um par de mãos se levantou na sala após Eamon Byrne, director da Wan-IFRA, ter questionado a plateia sobre se essa figura existia nas suas redacções e que impacto é que a mesma tinha efectivamente no conteúdo que surge na edição.

No I, deu conta Martim Avillez Figueiredo, único português que integra o lote de congressistas, o jornal tem “editores responsáveis por interagir o máximo que puderem com as pessoas que o jornal tem no Twitter, Flicr e Facebook” (esta última é responsável por 9% do tráfego do site), ajudando a super-desk a decidir que conteúdos vão para as plataformas, com base também nos temas que estão a ser debatidos nas redes.

 

E, de acordo com outros testemunhos, se não é possível quantificar o impacto que essa figura tem na redacção, o certo é que, afirmava a responsável de um jornal búlgaro, “muitas histórias foram lançadas com base em histórias encontradas no Facebook”.

Se editorialmente os títulos podem ganhar novos conteúdos estando nas redes sociais, também podem obter maior relevância junto da sua base de leitores e, como recordou Martha Stone, directora do projecto Shaping the Future of the Newspaper, essa não é uma situação que se possa ignorar. Afinal, “os jornais mais bem sucedidos são aqueles que se mantêm relevantes para as suas audiências” e estas redes sociais são “uma forma valiosa de alcançar a nossa audiência”. O problema parece ser o modelo de negócio associado, como depressa se concluiu. Além da publicidade oriunda do tráfego gerado, o que há?, questionava um dos participantes. “Pois, bem me parecia”, comentou Eamon Byrne, director da Wan-IFRA, quando o silêncio foi a resposta imediata.

O M&P viajou a convite do I