A actualização das tendências mundiais na indústria dos jornais feita por Timothy Balding não contrariou o adágio jornalístico “there’s no good news, like bad news”. Os números apresentados pelo CEO da WAN-IFRA, ontem durante o congresso da World Association of Newspapers, a decorrer em Hyderab, Índia, fariam por isso mesmo manchete em qualquer jornal e são elucidativos q.b. da crise do sector. No primeiro semestre o mercado mundial registou quebras no investimento publicitário na ordem dos 13%, tendo o online sido o único meio a registar crescimentos, favorecendo particularmente operações baseadas no search como o Google, frisou o responsável.
O ambiente recessivo atingiu “de forma particularmente forte” mercados consolidados como os Estados Unidos, a registar quebras no terceiro trimestre de 29% nas receitas de publicidade, atingindo também as receitas de publicidade digital que neste mercado, de acordo com os números apresentados pelo responsável da WAN-IFRA, caíram 17%. Situação acompanhada por quebras na circulação na ordem dos 10,6%.
A nível global, pelo menos em termos de circulação, as notícias são ligeiramente mais animadoras, com o sector a aumentar os seus números em 1,3%, e mais 9% do que nos últimos 5 anos. Crescimentos muito empurrados, como se apressa a constatar, por mercados de economias emergentes, como a China ou a Índia, onde a indústria tem vindo a consolidar-se. Só estes dois últimos mercados, aos quais se junta o Japão, representam 60% das vendas mundiais de jornais no mundo, refere, com o Japão, seguido da Índia, a liderar as vendas. Como nota positiva, Timothy Balding apresenta o facto de 91% dos japoneses lerem diariamente jornais e a nível mundial 1.9 mil milhões de pessoas optarem pela leitura de jornais, o que significa que a imprensa “ainda é um meio de escolha para muitas pessoas”.
Não tão positivas são as previsões de crescimento das receitas de publicidade, tanto para as edições em papel como as digitais. Estas últimas têm vindo diminuir “ano após ano” e calcula-se que em 2015 representem apenas 10% das receitas de publicidade: “As receitas de publicidade online não vão compensar as perdas da publicidade das edições em papel”, conclui. Mais, em 2013 a combinação de receitas de publicidade destas duas plataformas deverá ser inferior às receitas obtidas em 2008. O que leva Timothy Balding a afirmar que “o modelo de negócio do papel não pode migrar para a internet”, já que as receitas de publicidade digital dos jornais não estão a acompanhar o crescimento no número de utilizadores. “Para onde está a ir o dinheiro? Para search e, sobretudo, para o Google”.
“Temos de resolver a questão dos conteúdos pagos online, e depressa”, antes que o “próximo media tsunani” atinja os jornais: A mobile internet, proporcionada por terminais móveis como os iPhone.
O M&P viajou a convite do I