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I-Com: “Se fosse hoje conhecíamos alguém que conhecia Jesus”

27 de Novembro de 2009 às 02:00:00, por Ana Marcela

“Se fosse hoje conhecíamos alguém que conhecia Jesus”. A frase é de Alexandre Silveira, director de marketing da Hewlett-Packard Portugal, e dá conta do actual poder de penetração e conectividade das redes sociais e do seu impacto no sector da comunicação. As redes sociais foram, de resto, um dos temas em debate durante o I-Com National Roundtable Portugal, encontro organizado pela I-Com e pela CAEM.
Como tocar nos ‘botões certos’ dos utilizadores das redes sociais para provocar certos tipos de comportamento é, no entender de Bernardo Rodo, managing director, da OMG Digital, uma das dificuldades com que os media planners e anunciantes se debatem com estes novos serviços. E se Alexandre Silveira considera que influenciar os influenciadores nestas redes é uma forma de criar buzz para as marcas, já Inês Valadas, directora da MC Multimédia, não se mostra tão receptiva, frisando que não se deve confundir acções de relações de públicas das marcas, com a publicidade onde o anunciante procura brand awareness e notoriedade.
Da Alemanha chegou pela voz de Benedikt Kohler, director de Digital Strategy & Research, da Ethority (empresa de medição de social media), a experiência do modelo de medição das redes sociais neste mercado (o modelo BVDW), promovido entre outros pela AGOF, um grupo de trabalho que visa a promoção dos media online. Para o funcionamento deste sistema site-centric foram estabelecidos alguns parâmetros como contributos (número de uploads ou posts), partilha (recomendações, por exemplo), networking (juntar-se a um grupo, convidar amigos) e consumo (contactos), sendo monitorizados estes elementos sempre que o utilizador tenha uma acção com esses contornos. Contudo, ainda não mede o papel dos chamados influenciadores. Junte-se a este lote de dificuldades a medição dos chamados 3 screens (telemóveis, PC e televisão), uma problemática que assume contornos de maior urgência à medida que o consumo de vídeo no móvel ou no PC aumenta. Em Inglaterra, o Broadcasters’ Audience Research Board (BARB), organização responsável pelo fornecimento das audiências oficiais de televisão no Reino Unido, anunciou um novo sistema de medição para o início do próximo ano. O actual sistema, recorda Ivor Millmann, consultor deste comité pela ITV, já mede terminais como consolas de jogos, PC, set up boxes (que permitem on-demand playback quando visualizados através de um televisor), estando previsto que soluções específicas para PC possam mais tarde ser implementadas. A questão, frisa, é que se para implementar um sistema de medição novo o sector tem de alocar 1% do seu investimento, será que os custos tem idênticos benefícios?

O primeiro passo para a medição online de audiências, destaca Guy Phillipson, CEO do Internet Advertising Bureau do Reino Unido, é um sistema que dê conta do volume de investimento do sector, “o primeiro cartão de visita” junto de uma marca, defende. Em Portugal, “estamos a um passo de ter esses dados”, diz Inês Valadas.