Será a venda de músicas online uma potencial área de negócio para as estações? Para Luís Cabral, “faz sentido”, claro está, “havendo reparte de receitas”, embora tudo dependesse do modelo de negócio que se estabelecesse com as editoras, ressalva, não revelando se esta é uma área em que a MCR quer entrar. Já Álvaro de Sousa, fundador e administrador da Orbital, não parece muito convencido com esta hipótese. A venda de CD com os temas de música de dança que passam em antena representa 70 por cento da facturação da estação, a publicidade a restante fatia da receita. A decisão de avançar para a venda de discos foi tomada há cerca de cinco anos, sendo que actualmente o departamento comercial ficou “reduzido praticamente a zero”, como admite o responsável. “Os anúncios que entram são uma resposta às pessoas que nos contactam”, diz, e são, sobretudo, de espaços de diversão ou nocturnos, dada a temática musical da Orbital. Apesar do mercado de venda de CD se deparar com o facto de “em cada seis CD que existem, cinco serem piratas”, o facto é que Álvaro de Sousa não vê uma solução para o problema no online. Pelo contrário. No online “ainda é mais difícil vender por aí. As pessoas quando vão à internet à procura de música a intenção é ‘sacar’”, acredita.Uma visão de negócio que não é partilhada por Carlos Marques. O antigo director-geral comercial da MCR e fundador da Cotonete lançou no mercado a Waymedia com vista a rentabilizar as possibilidades trazidas pela internet e pelo mobile, tanto no B2C como B2B (retail media). Até o primeiro trimestre do próximo ano, dirigido ao consumidor a Waymedia pretende “lançar no mercado um serviço que tenha condições para concorrer com os projectos internacionais, tais como Last FM, Pandora e Spotify, não só no mercado nacional, mas também no internacional”, explica Carlos Marques. “Para isso fechámos uma série de acordos com parceiros tecnológicos de topo, que nos vão permitir apresentar um serviço de grande qualidade. A música e a forma como poderá ser acedida vão ser chave neste processo. Nesse sentido estamos a finalizar negociações com as entidades licenciadoras para obtermos funcionalidades que poderão alterar radicalmente o consumo de música em Portugal”, defende. Os serviços dirigidos ao consumidor têm como modelo de negócio a venda de publicidade, serviços premium e downloads de música situando a empresa as expectativas de receita “próximo de um milhão de euros para o primeiro ano de actividade”. Carlos Marques mostra-se optimista no que se refere à receptividade dos utilizadores para o pagamento de serviços premium de um conteúdo de rádio que, até ao momento, na grande generalidade dos casos é gratuito. O responsável dá como exemplo benchmarks internacionais que “indicam um crescimento acentuado neste modelo”. “É o caso do site francês Deezer, que reforçou recentemente a sua oferta de serviço premium para web e móvel”, exemplifica. Mais, diz, os serviços de streaming cresceram o ano passado nos Estados Unidos “cerca de 40 por cento, tendência também registada no Reino Unido”, e nos próximos cinco anos, argumenta com base no estudo da The Insight Research Corporation, os serviços de streaming vão obter um crescimento de 135 por cento, “tornando-se numa das principais receitas dos media”. “No nosso entendimento, pelo conhecimento que temos e observando as tendências do mercado, estas operações têm todas as condições para serem financeiramente sustentáveis”, sintetiza.