
André Freire de Andrade – CEO?da Carat
Eis um tema em que frequentemente me pedem opinião: o futuro da publicidade, as previsões para este mercado, perspectivas de evolução, etc. Como nesta altura de grandes incertezas e volatilidades esse exercício tem uma grande probabilidade de sair errado, e tendo em conta estarmos num período onde muito se fala no futuro, resolvi mudar o exercício e fazer algumas previsões mais alargadas. Errarei certamente, mas não mais do que outros que o fazem com frequência e de cada vez com enorme convicção de que irão acertar…
Portugal e a Democracia. Estando em período de eleições, este tema é especialmente relevante. A minha previsão é que, depois de anos de democracia e de gerações de políticos brilhantes a governar a nação, Portugal não vai registar melhorias significativas. Então será finalmente criado um movimento de unificação nacional para resolver o verdadeiro problema do País. Os Portugueses. Os governantes e aspirantes a tal chegam finalmente à conclusão óbvia, depois de já tudo ter sido tentado: o clima, comida e simpatia das pessoas tornou o País ingovernável. Nessa altura, preparam um secreto plano para nos trocar com o povo do Uzbequistão, liderados por um tal de Scolari, especialista em falar com burros e defender minorias indefesas.
Bons e maus empregos . Depois de anos de incompreensão, contabilistas e auditores passam a ser os empregos mais conceituados do mercado de trabalho. Os contabilistas vão ganhar uma capacidade única de fazer as pessoas gritar:
de desespero, ao sofisticarem e complicarem tudo o que sejam processos da mais elevada importância para as empresas, como por exemplo os “expense reports”. Quanto aos auditores, também farão as pessoas gritar, mas neste caso de frio, no duche da prisão a todos os que se aproveitam das empresas para benefícios pessoais. A sua função será irrepreensível e infalível, pelo que as entidades de supervisão dos mercados, como por exemplo o Banco de Portugal, poderão converter uma parte importante dos seus funcionários à nobre função de fazer estimativas do futuro dos mercados, deixando para trás as legiões de inspectores e auditores que hoje garantem o correcto funcionamento das instituições. Lamentavelmente, e por oposição, o marketing vai passar a ser uma função de segunda linha, uma vez que os presidentes das empresas, depois de evoluírem as suas carreiras pelas nobres funções de contabilistas e auditores, assumirão cada vez mais essa função, definindo campanhas, fazendo filmes e definindo os planos de meios, utilizando técnicas sofisticadas como o até agora ultra secreto software VLC, mais conhecido por “o que se vê lá em casa”.
Media e Publicidade. Com a evolução das elites governantes, a media e a publicidade ocuparão o lugar que sempre mereceram, tornando-se pilares fundamentais das empresas. Os budgets de marketing nunca serão cortados de forma aleatória, pois o seu impacto no negócio das empresas estará cientificamente medido. Os media lançarão projectos muito relevantes para os consumidores, diferenciados, e claro está, criadores de valor para os accionistas, sem agendas políticas ou pessoais de qualquer espécie. Por este motivo, não mais veremos revistas sem tiragens, programas sem espectadores e principalmente primeiros-ministros a promover programas de televisão ou programas de televisão a promover primeiros-ministros.
Coisas que nunca vão mudar. Apesar das enormes evoluções que a sociedade vai ter, algumas coisas nunca irão mudar.
Destas, aquela que consigo neste momento garantir são as companhias aéreas e o seu serviço. Continuaremos a ter de pagar tarifas que ninguém percebe, esperar para embarcar tempos sem fim fechados em autocarros em que não cabe nem uma mosca, aturar hospedeiras mal-educadas e por fim ver as nossas malas viajarem muito mais do que nós e nem um postal mandarem.
Desculpem não dar nenhum prazo para estas previsões se realizarem, mas seguindo os bons princípios dos videntes e leitores de futuro em geral, essa é a variável que ninguém pode controlar…