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Media

ANNUS MIRABILIS

25 de Setembro de 2009 às 05:31:18, por Meios & Publicidade

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Pedro Norton – Vice-presidente da comissão executiva da Impresa

Quando, daqui a alguns anos, se fizer a história de 2009 no Mundo dos Media, haverá muito boa gente a lembrar um «annus horribilis». Com uma crise financeira global, um colapso económico sem precedentes desde os anos 30, uma retracção de dois dígitos do mercado publicitário nos principais mercados mundiais, um acentuar da erosão das circulações de jornais e revistas um pouco por toda a parte, uma «asfixia democrática» em Portugal e uma revolução digital que traz ainda muito mais perguntas do que respostas, convenhamos que é uma forma compreensível de ver as coisas.

Acontece que não é a única. E o que talvez muita gente não saiba é que a expressão celebrizada por Isabel II fazia alusão a um célebre poema de Dryden que dava pelo paradoxal nome de «annus mirabilis». Ora, o milagre de Dryden (também há um milagre de Dreyer mas se vou por aí ainda acabo a perorar sobre cinema mudo sueco) não era, bem entendido, o grande incêndio de Londres de 1666 (o poema é de 1667) mas a reconstrução da cidade anunciada por Carlos II na sequência dessa terrível tragédia.

É de facto por vezes muito ténue a fronteira que separa a tragédia do milagre. E o ano de 2009 marcará, para os media, uma dessas fronteiras. E se é verdade que, um pouco por todo o Mundo, vamos assistir ao encerramento de jornais, de revistas, de televisões e até ao colapso de grandes grupos de comunicação, não é menos verdade que desta «crise» sairão outros tantos, mais fortes, mais ágeis e mais bem preparados para os extraordinários desafios que o futuro nos reserva.

Bem sei que o trabalho se faz, não se anuncia. Mas mentiria se não dissesse que estou absolutamente seguro de que a Impresa será um destes grupos. Como sempre afirmámos e a seu tempo comprovaremos, acabaremos o ano de 2009 com um regresso aos lucros, com uma situação financeira estável, com uma equipa orgulhosa do seu trabalho e sobretudo com a certeza de que mantivemos inviolado o nosso principal património: uma independência editorial que se vai tornando rara e de que muito nos orgulhamos. E é precisamente sobre estes pilares que estamos a preparar o futuro.

Espero, sinceramente, que a acompanhar-nos possam estar a generalidade dos grupos portugueses. A bem do país e da democracia.