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Caso Escutas: Provedor do Público crítica procedimentos do jornal

21 de Setembro de 2009 às 02:00:00, por Ana Marcela

Joaquim Vieira, provedor do Público, criticou os procedimentos do diário relativamente ao caso das alegadas escutas do executivo à Presidência da República (PR) e questionou se o jornal “terá uma agenda política oculta”. Na sua crónica de domingo, o provedor voltou a analisar os passos levados a cabo pelo diário antes e após a publicação da manchete, considerando que, dada a falta de confronto do Presidente da República com a informação vinda a lume em Agosto, “do comportamento do Público, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da PR, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter”. Situação que, continua o provedor, “independentemente da acumulação de erros graves jornalísticos praticados em todo este processo (…) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?”

Criticando procedimentos “de que resulta sempre o beneficio de determinada área política em detrimento de outra”, Joaquim Vieira relembra que “não é essa a matriz do Público, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores”. “É, pois, sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos”.

Ainda segundo o provedor do jornal, após a sua anterior crónica “instalou-se no Público um clima de nervosismo”, e na sexta-feira, diz, “a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do Público”. “Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no Público, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade”.

José Manuel Fernandes escusou-se a comentar a crónica do provedor. “Nunca comentei publicamente, para garantir o seu estatuto de independência, nenhum artigo de nenhum provedor. Não abro excepções”, afirmou o director do jornal, citado pela Lusa.