“Este foi o governo mais perdulário da democracia, o mais arrogante desde o 25 de Abril, o que espezinhou os valores da democracia”. A afirmação é de Montalvão Machado proferida ontem durante a reunião da comissão permanente da Assembleia da República, onde o caso TVI, “o mais recente caso às liberdades”, nas palavras do presidente da banca parlamentar do PSD, também marcou a agenda política.
O responsável do principal partido da oposição, apesar de afirmar não ter razão para duvidar das afirmações do primeiro-ministro José Sócrates, que nega qualquer intervenção na suspensão do Jornal Nacional de Sexta-feira, considera que “não se podem atirar pedras e depois lamentar o vidro partido”, pois os socialistas criaram “todas as condições para amordaçar o serviço noticioso” da TVI.
O governo esteve, aliás, na mira da oposição com o Bloco de Esquerda, na voz do deputado Luís Fazendo, a considerar que o primeiro-ministro teve “exclusiva e indeclinável responsabilidade” das consequências políticas que decorrem da interrupção do Jornal de Sexta da TVI, acusando José Sócrates de ter exercido sempre “forte pressão” sobre jornalistas.
O PCP, por seu lado, dispara em direcção aos dois principais partidos com assento parlamentar, acusando Bernardino Soares que “José Sócrates sabe bem do que fala quando se trata de matéria de condicionamento de jornalistas. O PSD sabe bem do que se fala quando se trata de matéria de condicionamento de órgãos de comunicação social”. Quanto ao fim do bloco noticioso da TVI, esse “deve ser encarado com preocupação”.
O CDS-PP lamentou a ausência do governo na reunião. “Não se percebe como é que um governo que continua no pleno das funções, a inaugurar hospitais que nem sequer têm camas, recusa-se vir dar resposta no Parlamento às preocupações dos portugueses”, afirmou, na sua declaração política, o líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Mota Soares.
“O governo não recusou coisa alguma”, respondeu Augusto Santos Silva, em declarações à Lusa. “O governo não podia participar hoje na sessão da comissão permanente visto que a agenda fixada pelo presidente da Assembleia da República, ouvida em conferência de líderes, em algum momento previu ou possibilitou a presença do governo”, afirmou o ministro dos Assuntos Parlamentares.