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Media :: Artigos de Fundo

Imprensa generalista em queda

11 de Setembro de 2009 às 05:39:57, por Ana Marcela

A imprensa diária e semanal generalista está a sofrer uma erosão na sua circulação paga, segundo os dados da Associação Portuguesa para o Controlo da Tiragem e Circulação relativos ao primeiro semestre. O segmento dos diários e semanários caíram 7,56% e 9,57% para uma circulação paga total de 320.179 e 153.706, respectivamente. A tendência de quebra também atinge as newsmagazines, embora de forma bastante mais ligeira (-2,23%). A imprensa económica parece estar em contraciclo, com a generalidade dos títulos, independentemente da sua periodicidade, a verem subir os seus números de média de circulação paga. Contudo, a aposta no item vendas em bloco efectuada por alguns meios não deixa de ser um factor de peso nesse crescimento da circulação paga dos títulos, em alguns casos quase que justificando na totalidade a subida ocorrida.As revistas masculinas registam um semestre pouco positivo, com as quebras dos títulos com maior peso em termos de números de exemplares a resultarem na queda do segmento. No acumulado do ano este cai 18,99%, para os 112.923 exemplares. Em contrapartida as revistas de sociedade assinalaram, na sua quase totalidade, subidas de Janeiro a Junho face a igual período do ano passado. O segmento cresce no semestre 2,4%, para os 359.734 exemplares de média de circulação paga.

Destaque ainda para o segmento dos gratuitos, onde as circulações totais dos três títulos que ainda se mantêm no mercado – Global Notícias, Metro e Destak – sofreram fortes decréscimos na sua circulação total, reduzindo para quase metade (43,17%) a circulação total do segmento, fixada agora nos 314.086 exemplares.

Informação Geral
No primeiro semestre o segmento dos diários desceu 7,56% a sua média de circulação paga face a igual período do ano passado, fixando-a nos 320.179 exemplares, ou seja, menos 26.171 exemplares. Todos os títulos vêem cair a sua média de circulação, tendência que afecta também, embora de forma muito ligeira, o líder do segmento, o Correio da Manhã (CM), que no período desce 0,18% (-202 exemplares) para uma média de circulação paga de 115.094. No semestre a maior descida em número de exemplares é a ocorrida com o Jornal de Notícias (JN) que cai 10.166 exemplares, para uma média de circulação de 96.309 exemplares (-9,55%), seguida do Diário de Notícias (DN), que quebra 7.226 exemplares, para os 37.811 exemplares (-16,04%), e do 24 Horas: menos 5.181 exemplares (-14,04%), fixando a sua média de circulação paga nos 31.713 exemplares. O Público também vê descer 7,96% a sua média de circulação no semestre, para os 39.252 exemplares, segurando a terceira posição de diário com maior média de circulação. Os números são mais positivos para o segmento no bimestre.

Em Maio/Junho a média de circulação sobe 0,7%, para os 309.493 exemplares, com a generalidade dos meios a crescer, registando o Público a maior variação percentual (+13%) e em número de exemplares (+ 4.618), para os 40.184 exemplares. O CM sobe 3.444 exemplares (+3,1%), para 116.204 de média de circulação paga, e o DN 2,8% e 879 exemplares, para 32.808 de média de circulação paga.

As excepções são o JN que cai 4,2%, para os 90.928 exemplares, e o 24 Horas. O título da Controlinveste, que em Maio operou uma reformulação gráfica e de formato, viu em Maio/Junho a sua média de circulação paga cair 8,7% face ao bimestre anterior, fixando-a nos 29.369 exemplares. O I, título lançado em Maio, não tem os dados disponíveis no APCT. O segmento dos semanários caiu 9,57% no primeiro semestre, para uma média de circulação de 153.706 exemplares, ou seja, menos 16.266 exemplares. O Expresso lidera com 112.639 exemplares, embora caia 9,12% (-11.297 exemplares), seguido do Sol com 41.067 exemplares. Este último cai no acumulado do ano 10,79% (-4.969 exemplares). No bimestre o desempenho do segmento é mais positivo, com o Sol a subir 22,3%, para os 43.157 exemplares, e o Expresso a subir 1,3%, para os 113.529 exemplares. No semestre as newsmagazines vêem cair a sua média de circulação em 2,23%, para os 187.821 exemplares, reflexo da quebra ocorrida na Visão e Focus. A Visão lidera apesar da descida de 6,12%, que a coloca nos 100.264 exemplares, tendo a Focus caído 13,69%, para os 9.211 exemplares. A excepção foi a Sábado: mais 5,02%, para os 78.346 exemplares. No bimestre o segmento cai 9,7%, situando-se os 179.030 exemplares.
Económicos
50.797 exemplares é a média de circulação paga dos diários de economia de Janeiro a Junho, valor que representa um crescimento de 12,56% face ao período homólogo do ano passado. A maior subida percentual foi a ocorrida no Jornal de Negócios (JdN) que no acumulado do ano sobe 18,99% (+1.576 exemplares), para uma média de circulação de 9.877 exemplares. Mas, em número de exemplares, o maior crescimento foi o do Diário Económico (DE) que sobe a sua média de circulação paga em 2.276 exemplares (+17,07%), para 15.606. Subidas que reflectem o contributo positivo das vendas em bloco que no primeiro semestre sobem no DE de 4.269 para 6.906 exemplares, ou seja, 2.637 exemplares, e no JdN de 2.991 para 4.618 exemplares (1.627 exemplares). O Oje, título com assinatura anual simbólica, sobe 7,73%, para os 25.314 de média de circulação paga. No bimestre o segmento desce 2,7% a sua média de circulação paga, para os 50.037 exemplares. Face ao bimestre anterior apenas o JdN sobe – 8,7%, para os 10.199 exemplares – a sua média de circulação paga. Nos semanários, o Vida Económica lidera no semestre com 11.354 exemplares, embora quebre em 5,43% a sua média de circulação paga (para os 11.354 exemplares). O agora Weekend Económico (WE) sobe 9,46%, para os 10.779 exemplares (+932 exemplares), com o contributo das vendas em bloco que face ao primeiro semestre do ano passado subiram 1.645 exemplares. O segmento no acumulado ano sobe 1,28%, para os 22.133 exemplares, caindo no bimestre 2,6%, influenciado pela descida de 7,3% (para os 10.362 exemplares) do WE, que fixa a sua média de circulação nos 21.751 exemplares. A Exame lidera as mensais com 26.811 exemplares, mais 26,63% e 5.639 exemplares que no primeiro semestre do ano passado. Tendência de crescimento que atinge a Executive Digest, que sobe 23,76% (+1.665 exemplares), para os 8.673 exemplares, e a Marketeer que melhora em 7,42% (+696 exemplares) a sua média de circulação paga, para os 10.078, resultados do item vendas em bloco que crescem 2.091 e 2.170 exemplares, respectivamente. Em quebra surge a bimestral Negócios & Franchising: menos 18,39%, para os 10.538 exemplares.
Femininas
A Happy Woman lidera as revistas mensais femininas com 108.324 exemplares, tendo reforçado em 8,95% a sua média de circulação paga face ao primeiro semestre do ano passado. Além do título da Baleska Press, a Máxima é a única mensal a melhorar a sua circulação paga (em 9,28%, para os 53.806 exemplares). A generalidade dos títulos regista descidas na sua média de circulação, sendo a ocorrida na Activa a maior em número de exemplares (-7.537, para os 59.461 exemplares) e a na Vogue a maior em termos percentuais. O título da Cofina sofre uma descida de 16,52%, para uma média de circulação paga de 25.227 exemplares. No acumulado do ano o segmento fixa-se nos 391.108 exemplares (-1,32%). Já no bimestre apenas a Máxima, a Cosmopolitan e a Guia Astral vêem subir a sua média de circulação paga em 2,6% , 26,7% e 1,2%, respectivamente, fixando os seus números em 52.500, 47.332 e 15.756. A subida de 9.980 exemplares da Cosmopolitan coloca no bimestre de Maio/Junho o título da Impresa como o quarto título com maior média de circulação paga do segmento.

204.944 exemplares de média de circulação paga garantem à Maria a liderança das femininas semanais, ainda que o título da Impala desça face ao semestre homólogo do ano passado 8,8% (-19.765 exemplares). A tendência de descida que afecta o segmento, que cai no acumulado do ano 7,18% (para 386.403 exemplares), apenas é quebrada pela Mariana. A revista sobe 9,98%, para os 22.299 exemplares.
Sociedade
A Nova Gente lidera as revistas de sociedade com uma média de circulação paga de 128.174 exemplares, embora caia 1,45% (-1.890 exemplares) face a igual período do ano passado. No acumulado do ano, o título da Impala é o único a registar uma descida, tendo a generalidade das revistas assinalado uma performance positiva em termos de circulação paga. A maior subida em valor percentual (+12,63%) e em número de exemplares foi a da Flash que adiciona 5.659 exemplares à sua média de circulação paga, fixando-a nos 50.450 exemplares. Evolução positiva nas vendas em banca que sobem 4.272 exemplares para uma média de 45.011, mas também das vendas em bloco que sobem de 3.886 para 5.245, ou seja, uma média de 1.356 exemplares.

Na Caras a subida não é tão pronunciada (+0,81%), ou seja, mais 680 exemplares, tendo para os resultados contribuído o crescimento do item vendas em bloco que de Janeiro a Junho aumenta de 5.799 para 10.027, ou seja, mais 3.429 exemplares. A Lux melhora em 3,47% ,para 59.953 exemplares, a sua média de circulação paga, já a Vip sobe 5,69%, para uma média de 36.829 exemplares. Nos primeiro semestre o segmento cresce 2,4% fixando-se nos 359.734 de média de circulação paga..
Masculinas
18,99% foi a quebra ocorrida no segmento das masculinas no primeiro semestre, face a igual período do ano passado, fixando a sua média de circulação nos 112.923 exemplares. A Maxmen lidera em termos de média de circulação paga, com 40.403 exemplares (-17,14%). A FHM, com 36.866 exemplares, surge como a segunda masculina com maior média de circulação paga no semestre, valor que representa a maior queda em termos percentuais (-26,6%) e em número de exemplares (-13.360). O título continua a ser a publicação do segmento com maior média de venda em banca, embora tendo decrescido de 39.842 para 28.525 exemplares (-11.317). A Men’s Health mantém-se como a terceira masculina com a maior média de circulação paga, com 18.581 exemplares, embora caia 26,26%. Apenas a GQ vê subir a sua média de circulação paga de Janeiro a Junho em 12,25%, para os 17.073, a curta distância da Men’s Health.
Gratuitos (circulação total)

O segmento dos diários gratuitos viu cair para metade a sua circulação total em relação aos primeiros seis meses do ano passado. O segmento registou uma circulação total de 314.086 exemplares, menos 238.549 exemplares que em igual período do ano passado. O Global Notícias registou a maior queda em número de exemplares (-95.847), fixando a sua média de circulação nos 108.825 exemplares (-46,83%), mas a tendência de descida atingiu todo o segmento, com o Destak a cair 47,51%, para os 89.696 exemplares de média de circulação total. O Metro – título entretanto adquirido a 80% pela Holdimédia de Alberto do Rosado e a 20% pela Metro News – lidera o segmento no acumulado do ano com 115.565 de média de circulação total. Contudo cai face a período homólogo do ano passado 34,74%.Em Maio/Junho o segmento mantém a tendência de descida (-35,2%), uma análise onde faltatam os números de circulação do Metro desse bimestre.