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Balsemão afasta hipótese de ceder controlo da Impresa

4 de Agosto de 2009 às 02:00:00, por Carla Borges Ferreira

“Não vejo necessidade de um aumento de capital, que levaria, ainda por cima, a uma alteração da posição de controlo que detenho”. A afirmação é de Francisco Pinto Balsemão e surge em resposta a uma eventual alteração da estrutura accionista da Impresa, que terá sido proposta na última quinta-feira por Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing Strategy Investments e vogal do conselho de administração da Impresa.No último sábado, dois dias após a reunião, o Expresso noticiava que a Ongoing Strategy Investments se prepara para adquirir uma posição de 30% na TVI, com opção de compra até 49,9%, e que José Eduardo Moniz irá ocupar um lugar no conselho de administração da empresa liderada por Nuno Vasconcellos.

“Tem sido questionada a minha opinião sobre uma possível entrada de um dos nossos accionistas de relevo no capital de uma empresa nossa concorrente. Apesar de estarmos a falar apenas de cenários, já que a concretização de qualquer operação teria de ser comunicada (…) relembro que em tempos manifestei as minhas dúvidas relativamente à existência ou não de um conflito de interesses”, afirma Balsemão a propósito da entrada da Ongoing Strategy Investments na Media Capital.

Questionada pelo M&P, fonte oficial da Ongoing Strategy Investments afirmou que “é verdade que a Ongoing olha para todas as boas oportunidades que o mercado disponibiliza mas, até pelo que se sabe, não há qualquer posição colocada no mercado pela TVI/Media Capital que permita o domínio da gestão ou a gestão partilhada”. E, reitera a mesma fonte, “sejamos, contudo, claros: Quanto a participações financeiras minoritárias sem participação activa na gestão a Ongoing não está interessada nelas”.

Assinale-se que acaba por ser esta a situação na Impresa, uma vez que a posição de vogal do conselho de administração, assumida por Nuno Vasconcellos em Abril deste ano, não confere à Ongoing poderes executivos de gestão da holding.

Questionada também sobre a intenção de aumentar o capital na Impresa, o fundo de investimento liderado por Nuno Vasconcellos respondeu que a “Ongoing é um accionista de referência da Impresa mas a Impresa tem outro accionista de referência. A Ongoing tem que proteger os seus investimentos e só faz bem se ajudar na melhoria da estrutura financeira da Impresa. Quanto a decisões como a que é contida na questão que coloca, a Ongoing só a comenta com o accionista de referência”.

Segundo a mesma fonte, e numa alusão às notícias do fim-de-semana, a Ongoing “não envia recados por jornais, televisões ou outros órgãos de comunicação social, pelo respeito que tem pelo accionista maioritário e por todos os trabalhadores do Grupo Impresa que, tal como muitos outros no País estão, justamente, preocupados com o futuro das empresas do grupo e não com interesses pessoais mais ou menos mediáticos”.
“Tal como se tem dito, a Impresa tem um dono – o Dr. Pinto Balsemão – que a Ongoing respeita e com o qual pode aspirar a ter uma parceria de gestão”, termina a Ongoing Strategy Investments.

De acordo com diversas fontes ouvidas pelo M&P, o facto desta “parceria de gestão”, que implicaria a passagem de Francisco Pinto Balsemão a chairman da holding, deixando a presidência da comissão executiva, ter sido recusada motivou o aumento de interesse na TVI, desde que exista a possibilidade de controlar a gestão da empresa. 

A Media Capital remete para a Prisa qualquer esclarecimento sobre este tema. Até ao fecho desta edição online não foi possível obter nenhuma reacção da Prisa. No início do mês passado a empresa espanhola garantia não estar disposta a abdicar do controlo accionista e gestão da Media Capital.