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‘O objectivo que temos traçado para a Mega é obviamente duplicar as audiências’

31 de Julho de 2009 às 05:38:39, por Ana Marcela

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A Mega FM quer ser a rádio mais ouvida entre os jovens dos 15 aos 24 anos. Este é um dos objectivos da mudança de identidade e posicionamento que estação do Grupo Renascença revelou este mês. Nelson Cunha, director de programação da rádio, explica quais as metas que a estação pretende atingir e admite que existe “vontade” de expandir para outras zonas do país.

Meios&Publicidade (M&P): Apresentaram na última semana a nova identidade da Mega FM. O que motivou esta mudança?

Nelson Cunha (NC): Essencialmente a necessidade de nos adaptarmos a um público super-exigente e à grande capacidade e rápida naturalidade com que mudam de gostos.

Estes dois últimos anos serviram para, paciente e detalhadamente, construirmos um cenário que criasse a imagem certa para que a Mega pudesse apresentar esta nova imagem e posicionamento.

M&P: Segundo o Bareme relativo ao primeiro trimestre, a Mega FM tinha 1,9 por cento de Audiência Acumulada de Véspera (AAV), mais 5,56 por cento do que no período homólogo de 2008, mas mesmo assim estão em oitavo lugar no ranking das rádios nacionais, atrás da Cidade FM, com 4,5 por cento, e da Antena 3, com 3,3 por cento. Estas audiências e posição no ranking pesaram também na decisão?

NC: Obviamente que era necessário tornar a Mega ainda mais competitiva. Compararmos a Mega com as rádios que mencionou pode ser um pouco injusto face aos emissores, à qualidade de cobertura que essas duas estações têm [são rádios nacionais]. Independentemente disso, sentimos que o produto de rádio que a Mega tinha apresentado até esta mudança era um bom produto, mas com capacidade para ir buscar ainda mais audiência, um público ainda mais encaixado neste formato, mais segmentado para o objectivo que temos para a Mega.

M&P: Que é?

NC: Está posicionado entre os 15-24 anos, significa que houve um reposicionamento estratégico também da marca dentro do próprio grupo.

M&P: Esse target não foge muito às vossas audiências, sobretudo entre os 18-24 (com 5,3 por cento), seguida dos 25-34 com 4,3 por cento.

NC: Significa que afinámos mais para os mais novos, não querendo com isso dizer que sejamos uma rádio teen, de todo. Somos uma rádio para jovens urbanos. Isso é ponto assente

M&P: Têm cinco frequências – Lisboa, Porto, Sintra, Coimbra e Aveiro. Querem crescer em que região? Olhando para os números, na Grande Lisboa têm 4,9 por cento de AAV, no Grande Porto 1,5 por cento. No Grande Porto a Cidade FM tem 5,7 por cento. Dá a sensação que há muito espaço de crescimento.

NC: Este reposicionamento vai fazer com que a Mega, tanto no Porto como em Lisboa, possa vir a apresentar números mais elevados, até porque… Está a levar a conversa para a Cidade e acho que não faz muito sentido…

M&P: Comparo números de estações que se dirigem aos jovens.

NC: Mas até este momento com formatos completamente diferentes. Uma rádio com um formato muito mais urban e hip hop do que a Mega, muito mais rock. Agora não, a Mega é uma rádio muito mais ritmada e com uma direcção em tudo diferente do passado.

M&P: Em que patamar de audiências gostaria de colocar a rádio?

NC: Uma das coisas a que na Mega damos muito importância é à descoberta de talentos e formação desses talentos, para a Mega, mas também para o próprio grupo. E isso implica que, por vezes, tenhamos de interromper ou abdicar de certo tipo de apostas por questões meramente profissionais e, às vezes, até pessoais. Isto para dizer que o objectivo que temos traçado para a Mega é de obviamente duplicar essas audiências.

M&P: O que quer dizer com abdicar de apostas…

NC: Nos últimos anos a Mega tem tido uma fornada de novos talentos. Tivemos manhãs que no espaço de três anos mudaram duas vezes, tivemos diversas alterações nos últimos anos, com saída de pessoas, entrada de novas, o tempo que necessitamos para formar essas pessoas… Para construirmos um projecto precisamos de estabilidade, de tempo para que possa vir a dar resultados. Esta é a altura certa para ter a equipa bem entrosada, bem oleada, os talentos certos para arrancarmos com a Mega tal como tínhamos projectado e analisado há dois anos.

M&P: Planeiam aumentar as frequências? A última foi em 2007 com Aveiro.

NC: A expansão do projecto Mega para outras cidades/zonas do país está bem encaminhado (risos), no entanto, não é fácil à luz da lei da rádio termos as frequências que pretendemos e queremos de um dia para o outro. Se existe vontade existe, intenção também, agora depende muito da capacidade económica e financeira para poder chegar a mais cidades.

M&P: A propósito desta mudança afirmou ao M&P que gostaria que o mercado publicitário encarasse a Mega como uma rádio com soluções para os anunciantes. Que soluções são essas?

NC: Foram, são e continuam a ser soluções que procuram envolver as marcas, os ouvintes e trazer retorno para todos. Relembrando uma acção que fizemos com a Opel que nos prémios Spot nos valeu um prémio na categoria inovação em rádio. Existem muitas outras coisas que fizemos no ano passado e que foram inovadoras em termos de rádio, como os concertos transmitidos com a 7Up a partir do auditório da Mega FM (Sound Lab), onde transmitimos às sextas-feiras concertos vídeo live a partir do site – uma plataforma que para nós é fundamental continuar a explorar.

M&P: Há planos de outras possíveis interligações entre a antena e o site? Por exemplo, a RFM lançou webrádios. É uma estratégia que pensam levar a cabo na Mega?

NC: Sim. Há uma estratégia de grupo que neste momento está mais presente nas web rádios da RFM, mas que será também um dos objectivos para a Mega. Em 2010 teremos novidades nesse campo.

M&P: Passados dez anos, o que já representa a Mega em termos de facturação para o grupo?

NC: Gostava de ser rigoroso no volume de facturação, ou pelo menos na percentagem facturação… [acaba por não revelar os números].