Os diários gratuitos perderam quase meio milhão de leitores no segundo trimestre deste ano, em comparação com o período homólogo do ano passado. De acordo com o último Bareme Imprensa, estes títulos têm agora uma audiência média de 1.414 mil leitores, contra os 1.892 mil do segundo trimestre do ano passado. A existência de uma quebra não é propriamente surpreendente, mas perder um quarto dos leitores não pode deixar de ser relevante.
A guerra dos gratuitos teve o seu pico há três ou quatro anos, quando quase mensalmente Metro e Destak anunciavam o aumento de tiragem ou a distribuição em mais uma cidade, já na altura não sendo certa a existência de mercado para os dois títulos. E enquanto se discutia se os jornais gratuitos aumentavam o número de leitores de imprensa ou estrangulavam o investimento nos jornais pagos, foram lançados mais dois jornais, já excluindo o Sexta, que apenas durou alguns meses. Parecia claro, pouco tempo depois, que o mercado dificilmente tornaria viáveis os quatro títulos, alguns com tiragens superiores a 100 mil exemplares. Com a crise, e de resto em linha com a generalidades da imprensa, os gratuitos começaram a tentar reduzir custos industriais, a cortar no papel. E de repente deixaram de ser ver os “ardinas”, os expositores começaram a ficar vazios, as pessoas deixaram de chegar aos empregos com um, ou mais, jornais oferecidos debaixo do braço. Os cortes de tiragem, de acordo com os últimos dados conhecidos, oscilaram entre os 33 e os 64 por cento. Entre os 47 e os 95 mil exemplares, números superiores à circulação da maioria dos diários pagos. Com as audiências já a reflectirem o impacto desta medida, o futuro passou a ser um grande ponto de interrogação, num mercado onde três dos quatro jornais têm, pelo menos parcialmente, o mesmo accionista.