8,6 milhões de euros foram os lucros na Media Capital no primeiro semestre. O valor representa uma quebra de 38% face a igual período do ano passado, segundo o relatório e contas do grupo ontem divulgado. De Janeiro a Junho, o grupo registou uma ligeira quebra de 1% no seu total de receitas operacionais, para os 134,8 milhões de euros, fruto de quebras ocorridas nas diversas unidades de negócio, com a área de televisão a assinalar a maior descida, 15%, para os 77,3 milhões de euros.
Publicidade em televisão cai 20%
Para este decréscimo nas receitas do negócio de televisão o maior contributo veio da publicidade que no período cai 20%, para os 65,8 milhões de euros. Uma quebra que o grupo diz ser inferior à descida verificada no mercado de televisão em sinal aberto que “terá recuado cerca de 22% em termos homólogos durante o primeiro semestre”. “Não fosse o efeito Euro 2008, a performance relativa face ao mercado seria substancialmente superior, reflexo de uma adequada política de gestão de conteúdos e de uma actividade comercial agressiva”, justifica o grupo. No trimestre as receitas de publicidade descem 22%, para os 49,3 milhões de euros.
O item outros proveitos cresce no semestre 42%, para os 11,5 milhões de euros, passando a representar 15% das receitas da área de televisão. A subida “reflecte sobretudo o contributo do novo canal TVI24″, mas também receitas resultantes da prestação de serviços de apoio técnico. No trimestre o item melhora o seu desempenho em 27%, para receitas de 5 milhões de euros.
Os custos operacionais recuaram 8% nos primeiros seis meses do ano (para os 58,7 milhões de euros), 18% no segundo trimestre, para os 29,5 milhões de euros, “em boa parte de uma poupança significativa ao nível dos custos de programação, derivado não só do ‘efeito Euro 2008′, mas também de uma redução relevante ao nível de outros conteúdos de desporto, bem como de conteúdos internacionais”, explica o relatório. O que, acrescenta, “compensou” o incremento com conteúdos nacionais e dos custos do TVI24. A área recua 36% nos seus resultados operacionais fixando-se no primeiro semestre nos 15,6 milhões de euros. No trimestre a quebra não é tão acentuada, fixando-se nos 21%, para os 12,4 milhões de euros.
Produção cresce 217% resultados operacionais
A produção audiovisual apresenta um desempenho mais positivo com a área de negócio a subir 71% os seus proveitos operacionais, para os 55,2 milhões de euros (no trimestre a subida é de 43%, para os 31,4 milhões de euros). Os crescimentos ocorridos da produção audiovisual (+70%, para os 52,7 milhões) e o item outros proveitos (+138%, para os 2,5 milhões de euros), bem como uma redução de 68% dos custos operacionais, que se fixam nos 49,3 milhões de euros, levou a área a um resultado operacional de 4,4 milhões, mais 217% do que em período homólogo. No trimestre a subida percentual é mais acentuada: 296%, para os 2,8 milhões de euros. A holding aponta a “forma decisiva” como Plural España contribuiu ao “nível da produção e venda de conteúdos a operadores generalistas (com destaque para e a Cuatro)” para estes resultados.
14,9 milhões de euros foram os resultados operacionais da área de Entretenimento. O valor semestral representa uma descida de 11% face ao período homólogo, sendo que no trimestre a quebra é mais acentuada, fixando-se nos 20%, para os 7,5 milhões de euros. Na análise semestral as receitas operacionais reflectem a performance em quebra dos itens música & eventos (-12%, para os 5,9 milhões de euros) e cinema& vídeo (-11%, para os 9 milhões de euros), fruto da redução das vendas de CD (-15%) e da distribuição de vídeo (-14%). Os custos operacionais caiem 6%, para os 15,5 milhões de euros. O resultado operacional da área apresenta prejuízos de 725 mil euros euros, face a 230 mil euros de lucro em período homólogo.
Rádio: publicidade desce 14%
Em rádio as receitas operacionais caem 10%, para os 6,4 milhões de euros, com as receitas de publicidade a registarem uma descida de 14% no semestre, fixando-se nos 5,8 milhões de euros, uma descida em consonância com o mercado que “enfrentou também ele nestes primeiros seis meses do ano um cenário de queda significativa de investimento publicitário”. No trimestre, contudo, a quebra é de 5%, para os 3,5 milhões de receitas de publicidade. O item outros proveitos assinala uma melhoria de 60% no semestre, para os 589 mil euros, fruto do desempenho no trimestre onde cresce 122%, para os 386 mil euros. Os custos operacionais da área recuam no semestre em 17%, fixando-se nos 6,5 milhões de euros, consequência da diminuição nos “custos de marketing e publicidade e da redução do quadro de colaboradores da MCR em curso desde a parte final do exercício de 2008″. Uma contenção que contribuiu para diminuir em 32% os prejuízos da área de negócio, que regista resultados operacionais negativos de 1,3 milhões de euros. No trimestre estes fixam-se nos 36 mil euros negativos, menos 91% que no segundo trimestre do ano passado.
Outros (que inclui a internet, a holding, unidade de serviços partilhados e os ajustamentos de consolidação) regista um resultado operacional de 15 mil euros, uma melhoria face aos prejuízos de 3 milhões ocorridos no primeiro semestre do ano passado. Desta área de destacar a quebra de 66% ocorrida com as receitas de publicidade, para os 1,5 milhões de euros, “justificado em larga parte pelo facto da actividade de imprensa já não estar incluída, já que a taxa de publicidade na rede de sites de internet registou uma queda de 14%, com uma melhoria da taxa de variação no segundo trimestre face ao segundo”.