A administração do Público prorrogou até às 12h de sexta-feira, dia 17, o prazo para que os trabalhadores do jornal adiram à proposta de redução salarial proposta pela empresa e chumbada, por voto secreto, na última terça-feira. Pedro Nunes Pedro, administrador do título, assegura, contudo, que não existiram ameaças de despedimento colectivo, embora admita que existe mesmo a necessidade de reduzir os custos com pessoal. “Estamos a viver um período excepcional, não é uma medida definitiva”, assegura ao M&P.
Em comunicado, o Sindicato dos Jornalistas fez saber ontem que “a administração do Público ameaça desencadear na próxima segunda-feira um processo de despedimento colectivo de duas dezenas de trabalhadores se não for aceite a redução de salários preconizada pela empresa”. “Caso 90% dos trabalhadores não formalizem o acordo”, a administração está “mandatada pelo accionista para apresentar um plano alternativo de redução de custos com pessoal”, continua o Sindicato, citando um alegado comunicado da administração da empresa.
Pedro Nunes Pedro prefere não equacionar essa medida. Mostra-se, contudo, convencido que até ao final da semana a quase totalidade dos trabalhadores irá aderir à proposta. De acordo com o responsável, durante o dia de ontem já muitos funcionários terão mostrado interesse em obter mais informação sobre os seus casos em concreto e já começaram a aderir à medida.
A proposta de redução salarial, e correspondente redução de horário, prevê uma diminuição do ordenado bruto entre os 3 e os 12%, indexada aos escalões do IRS, para vencimentos superiores a 1.250 euros, excluindo os subsídios e diuturnidades.
No primeiro trimestre de 2009 a área de Online e Media na Sonaecom, que surge agregada nos relatórios e contas da empresa, registou um volume de negócios de 7,41 milhões de euros e os custos operacionais foram de 8,1 milhões. Os custos com pessoal situaram-se nos 3,05 milhões. O objectivo da administração, explica Pedro Nuns Pedro, é diminuir em 6 a 7% os custos com pessoal.