29 por cento dos participantes da Sonda Central de Informação / Meios & Publicidade consideram que existe um “certo proteccionismo” por parte dos jornalistas ao Bloco de Esquerda, uma opinião da qual a maioria dos inquiridos discorda. Aliás, 57 por cento consideram que nenhum partido é mais beneficiado pela cobertura mediática do que os restantes. Os inquiridos mostram-se divididos quanto à monitorização da ERC nas questões relacionadas com a independência dos órgãos de comunicação social
Manuel Tavares – director de O Jogo
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Manuel Tavares não se mostra muito surpreendido com o facto de 57 por cento dos inquiridos na Sonda Central de Informação / Meios & Publicidade considerar que não existe “um certo proteccionismo por parte dos jornalistas nacionais”, ao Bloco de Esquerda (BE) como foi argumentado nas últimas eleições europeias por alguns políticos e comentadores. No entender do director de O Jogo, a concentração de respostas no negativo “reflecte o universo consultado e tem uma dose de proteccionismo da profissão e do próprio comportamento dos media”. Manuel Tavares considera, no entanto, significativo a percentagem de pessoas (29 por cento) que responde que houve um certo proteccionismo ao BE, “suspeito que seja [uma percentagem] maior”. Ordem de valores que volta a ser referida em relação ao partido de Francisco Louçã, quando 21 por cento dos inquiridos considera que o Bloco tem sido “mais beneficiado” na cobertura mediática. O que, para Manuel Tavares, é um resultado que “decorre do primeiro”. Mas, que talvez essa alegada cobertura possa também ser influenciada “pela própria dinâmica política do Bloco de Esquerda que propicia mais títulos, maior visibilidade”.
O facto de 32 por cento dos inquiridos classificar a monitorização da independência política dos órgãos de comunicação nacionais feita pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) como “razoável” ou “má” e 19 por cento como “muito má” também não espanta Manuel Tavares. “A ERC está, em relação à monitorização dos meios, um pouco como o Banco de Portugal para os bancos. Deve controlar mas falta-lhe, com toda a evidência, política efectiva, que exerça um controlo, que haja penas e que tenha efeito do ponto de vista ético e até pecuniário”. A ERC, diz, “é mais política de dissuasão do que outra coisa”.
Ana Marcela / Meios & Publicidade
Patrícia Cunha – editora de media da Agência Lusa
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Patrícia Cunha não tem dúvidas em destacar o facto de mais de metade dos inquiridos considerar a monitorização da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), relativamente à independência política dos media, como “má” (32 por cento) ou mesmo “muito má” (19 por cento). Na análise aos resultados da 48ª edição da Sonda Central de Informação / Meios & Publicidade, este é mesmo o ponto que merece maior reflexão, na opinião da editora de media da Agência Lusa. Este resultado “mostra que um dos principais objectivos do organismo regulador da comunicação social não está a ser cumprido ou, pelo menos, que esse cumprimento não está a ser percepcionado pelo sector”, adianta Patrícia Cunha.
Em relação à questão que tem sido levantada nos últimos meses, sobre se algum dos partidos políticos nacionais tem beneficiado de maior cobertura mediática em detrimento dos outros, os resultados foram mais consensuais, sendo que 57 por cento das respostas rejeitam esse cenário. Mesmo assim, segundo Patrícia Cunha, não se pode esquecer que “mais de 20 por cento dos que responderam a este inquérito acham que o Bloco de Esquerda tem sido beneficiado na cobertura mediática que recebe”. Aliás, nas respostas à primeira questão colocada pela Sonda, mais de 40 por cento consideram que existe algum proteccionismo no que respeita ao Bloco de Esquerda por parte dos jornalistas nacionais, enquanto 57 por cento discordam desta teoria.
Neste contexto, a editora de media da agência de notícias alerta que, “independentemente de se poder ou não discutir a necessidade de um organismo que imponha uma espécie de quotas para divulgação mediática de eventos políticos (como forma de assegurar a independência nos órgãos de informação)”, este é um resultado que merece a atenção do sector. “Parece-me que nesta matéria, como em muitas outras, o equilíbrio tem de começar em casa e tem de ter como base o bom senso e a responsabilidade de quem dá informação, mas também influencia opiniões. Sem isso, não há organismo regulador que valha”, adianta Patrícia Cunha.
Eduardo Pamplona / Central de Informação