Steve Ballmer, CEO da Microsoft, foi a Cannes receber o título de personalidade de media do ano e apresentar aquela que foi, provavelmente, a conferência mais inquietante da semana em que decorreu o festival de publicidade. Em menos de uma hora, Ballmer descreveu a mudança radical que o sector da comunicação vai viver nos próximos anos. Para o CEO da Microsoft, o investimento publicitário não deverá voltar aos valores pré-recessão e, por isso, nem vale a pena as empresas do sector estarem a fazer planos em linha com os índices de crescimento do passado. As empresas de media tradicional, com jornais e revistas à cabeça, têm um futuro complicado pela frente. Não conseguem gerar receitas significativas no meio digital, cometeram erros sucessivos ao tentar replicar no online fórmulas que só funcionam em papel e vão perder ainda mais quota de investimento para a media digital. Têm, sustentou, de se habituar a viver com menos dinheiro. A transformação mais profunda, segundo Steve Ballmer, é que, no prazo de 10 anos, os conteúdos serão apenas digitais e terão de ser, em simultâneo, sociais, interactivos, integrados, relevantes e multiplataforma. E quando se refere à componente multiplataforma, o CEO da Microsoft restringe-a aos suportes telemóvel, televisão, computador e consola de videojogos. Sem papel, portanto.A visão de Ballmer está em linha com os interesses da empresa que dirige e que, na área da publicidade, tem o Google como principal concorrente. No entanto, o futuro que descreve é irreversível, seja para os meios, seja para as agências.