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Opinião :: Editorial

O exemplo de Amesterdão

26 de Junho de 2009 às 05:16:14, por Rui Oliveira Marques

A Taxi, uma agência de publicidade e design canadiana, decidiu abrir um escritório na Europa. Em cima da mesa estavam quatro opções: Londres, Barcelona, Amesterdão e Paris. A escolha recaiu sob Amesterdão. Além dos já conhecidos factores atractivos – a qualidade de vida, a maioria dos habitantes fala inglês, convivem 200 nacionalidades, o regime fiscal é atraente e existe talento local-, um responsável da Taxi explicava esta semana na Advertising Age mais pormenores que ditaram a decisão. Durante um dia, os representantes das autoridades locais reuniram-se com os líderes da agência para explicarem as vantagens fiscais de situarem o negócio na cidade. Outras agências locais, como a Wieden & Kennedy, a 180 e a Amsterdam Worldwide, para surpresa dos canadianos, também se disponibilizaram para prestar toda a informação possível. Como se não bastasse, durante uma festa conheceram o presidente da Câmara, que repetiu a vontade de recebê-los. A Taxi é apenas um exemplo. É que só em 2008, ano em que estalou a crise financeira, o número de empregos no sector das indústrias criativas de Amesterdão subiu 11,2 por cento. No ano passado, instalaram-se 105 novas empresas de 22 países. O festival de publicidade Eurobest vai mudar-se este ano para lá.Mas os esforços da mais importante cidade holandesa não se ficam por aqui. A Advertising Age conta que a Câmara do Comércio local e representantes das agências foram à China para se promoverem e, ainda este ano, vão repetir a acção de charme em Nova Iorque. Neste momento, está também a decorrer a campanha I AMsterdam para promover a cidade como um hub criativo. Há já uma festa, paga pelas autoridades municipais, programada para decorrer durante o festival de publicidade de Cannes. Enfim, a lista podia ser interminável. Em véspera do arranque de mais uma campanha para as autárquicas, valeria a pena os candidatos à Câmara de Lisboa, mas também a outros municípios, olharem com atenção para este case study. As indústrias criativas estão a demorar muito tempo a entrar na agenda dos autarcas. Os projectos mais interessantes nesta área estão a decorrer no Porto, onde a Fundação de Serralves está a servir de incubadora para vários projectos. A LX Factory já funciona como um laboratório nesta área. Mas é muito pouco. Há quatro anos um dos eixos do candidatura de Manuel Maria Carrilho a Lisboa, passava por atrair, a quatro anos, 500 indústrias criativas, que gerassem oito mil empregos e um volume de negócios de cem milhões de euros. As promessas eleitorais são isso mesmo, promessas. Mas bem que, durante a campanha que se avizinha, os candidatos poderiam perceber-se como as indústrias criativas podem mudar a face de uma cidade.