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Marketing :: Artigos de Fundo

Comprar marcas mais baratas para combater a recessão

26 de Junho de 2009 às 05:16:14, por Maria João Lima

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Como resultado da crise económica a população a nível global está a mudar os seus comportamentos de compra. Em termos globais, cerca de 60 por cento dos inquiridos a nível mundial afirmam estar agora a gastar menos em presentes (84 por cento em Portugal), a gastar menos em refeições fora de casa (82 por cento em Portugal) e a gastar menos em roupa (77 por cento em Portugal).

Portugal é o país em que as refeições fora de casa estão a ser sujeitas a maiores cortes. Mais de 40 por cento estão a contribuir menos para instituições de caridade (53 por cento em Portugal) e a gastar menos em alimentação (26 por cento em Portugal). As férias poderão também sofrer restrições este ano com 40 por cento dos portugueses a admitirem cancelar planos de férias (face a 31 por cento a nível global).

Estes são alguns dos resultados de um estudo global sobre a confiança económica em 19 países realizado em Março de 2009, Portugal incluído, tendo abrangido cerca de 16 mil indivíduos. A Motivação, como única representante da rede IriS em Portugal, foi responsável pela condução local do projecto. O estudo foi realizado através de uma combinação de metodologia CATI (Computer Assisted Telephone Interviews) e online. Em Portugal foram inquiridos 643 indivíduos, com idades entre os 18 e os 70 anos. Este estudo tinha como principal objectivo responder a três questões relativamente a como é que esta crise afecta as pessoas, em termos psicológicos e em termos práticos, até que ponto os indivíduos têm confiança na situação económica do seu país, agora e no futuro, e como é que o comportamento de compra irá ser afectado.

Situação económica

O país mais optimista é a China que aparece como o único onde os entrevistados continuam convencidos de que conseguirão não ser atingidos pela recessão. Em quase dois terços dos outros países, os inquiridos sentem que o seu país já se encontra em recessão. É o caso de Portugal já que 69 por cento dos inquiridos afirmam sentir que o país está em recessão, valor semelhante à Irlanda e a Espanha. Mas há países em que essa sensação é ainda mais flagrante de que são exemplos o Japão, a Tailândia e os EUA. Portugal, Irlanda e Lituânia são os três países que mais sentiram uma regressão na economia do país (87 por cento face a uma média global de 71 por cento), logo seguidos da Espanha (84 por cento). Mais uma vez reina o optimismo na China onde há mais indivíduos a afirmar que a economia está mais forte do que os que a avaliam como mais fraca.

Apesar da crise alguns consideram que agora é um bom momento para comprar o que querem ou precisam. É o caso dos inquiridos da Alemanha e da Holanda onde cerca de um terço dos inquiridos valorizam as ‘boas oportunidades’ de compra que emergiram da maior competitividade de preços como resultado da crise. Portugal está uma vez mais entre os pessimistas com cerca de 53 por cento dos entrevistados a concordar que se trata de uma má altura para se comprar, sendo apenas ultrapassado pela Rússia, EUA e Grécia.

Portugal é também quem mais sente dificuldade em fazer face às despesas mensais. Noventa e três por cento afirma ter dificuldade em fazer face a todas as despesas, bastante acima da média global de 52 por cento.

A culpa não morre sozinha

Portugal encontra-se na média dos países analisados, ao culpar o respectivo governo pelos problemas económicos actuais, (21 por cento). As críticas são mais ferozes na Rússia (45 por cento), por oposição na Alemanha, onde apenas 5 por cento atribui responsabilidades ao governo.
Os serviços financeiros (banca em particular), a ganância empresarial (especialmente as multinacionais), os EUA ou a administração Bush são outros dos factores apontados como fontes da crise.

Tendo em conta esses dados não é de estranhar que apenas 26 por cento do global dos participantes sinta que os seus governos estão de facto a fazer o suficiente para fazer face aos desafios económicos actuais. Em Portugal, dos inquiridos 64 por cento pensa que o governo não está a responder aos desafios inerentes à crise económica actual. Mas mais insatisfeitos são o Japão, a Tailândia e a Lituânia, onde apenas 6 por cento ou menos está satisfeito com as medidas governamentais. Na Holanda e na Austrália predominam os inquiridos que consideram que os seus governos estão, de facto, a fazer o suficiente.

No global, as atitudes são pessimistas, predominando os entrevistados que sentem que a sua situação económica irá piorar nos próximos seis meses. Em Portugal, no entanto, a generalidade dos inquiridos não antecipa mudanças, nem para melhor nem para pior (50 por cento acha que estará na mesma dentro dos próximos seis meses). Neste aspecto as características aproximam-nos de Espanha e da China.

O Canadá é um dos mais optimistas, havendo quase o dobro de indivíduos a afirmar que a situação financeira irá melhorar (40 por cento) face aos que afirmam o contrário (22 por cento). Maiores dificuldades sentem os inquiridos da Lituânia e da Coreia do Sul, com 65 e 57 por cento respectivamente, a sentir que a situação irá piorar.
Da análise global constata-se que metade dos inquiridos sentem receio de perder o emprego e a outra metade não sente esse receio. Mas ao analisarmos os dados por país verifica-se que em Portugal 56 por cento dos entrevistados afirma ter medo que alguém no agregado venha a perder o emprego a curto prazo. Entre os inquiridos, 5 por cento tinha pelo menos um membro da família que já perdera o emprego. A preocupação é partilhada por inquiridos de países como Irlanda, os EUA e a Espanha. Em destaque nas preocupações com este assunto está a Rússia com 71 por cento dos indivíduos claramente preocupados. No extremo oposto está a Holanda onde 82 por cento afirma não ter estas preocupações.

Também entre os optimistas estão o Canadá, a China, a Alemanha.

Mais do que dois anos é o que um terço dos inquiridos globais acham que esta crise vai durar. Irlanda, Lituânia, México e Tailândia são os países mais pessimistas. Em Portugal apenas 15 por cento dos inquiridos acreditam que a crise terá essa duração.

Segundo este estudo, 43 por cento dos portugueses estão a optar mais frequentemente pelos transportes públicos (face a uma média global de 31 por cento). É o valor mais alto entre os países da Europa que é ultrapassado pela Coreia do Sul, o México e a Tailândia. Apesar de a nível global 23 por cento estar a adiar a compra de casa, em Portugal o valor está ligeiramente acima, chegando aos 29 por cento. Mas não é só nestes aspectos que se vê o sofrimento dos consumidores com a crise. Há mais: 25 por cento afirmam estar com dificuldades para pagar as contas dos serviços básicos como a água, luz e gás (face a 20 por cento da média global) e 36 por cento estão a trabalhar mais horas, de modo a conseguir cumprir com as despesas do agregado (face a uma média global de 28 por cento).

Comprar menos ou marcas mais baratas

Mas face a esta conjuntura o que podem os consumidores fazer para tentar gastar menos? A resposta está em reduzir a quantidade comprada ou fazer Trading Down (mudar para marcas mais baratas).

Na área da alimentação, os inquiridos mostram tendência para mudar para marcas mais baratas (41 por cento), face à opção de redução de volume de compras (24 por cento).

Portugal não foge à regra já que 62 por cento afirmam fazer trading down em algumas marcas de produtos alimentares. Daí que as marcas da distribuição (MDD), de diversas cadeias, tenham vindo a aumentar significativamente as suas vendas em Portugal.

Com a tendência encontrada para a redução de refeições fora de casa por parte dos portugueses, deverá haver um aumento da quantidade de produtos alimentares / mercearias diárias adquiridas. É que os portugueses estão renitentes em fazer cortes prioritários nas compras de mercearias diárias (apenas 1 por cento face a uma média global de 8 por cento).

Já no que diz respeito à roupa, em Portugal, 46 por cento dos inquiridos afirma redução das suas compras nesta área e 47 por cento afirma optar por uma solução mista de redução de quantidade e opção por marcas mais baratas.