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Voltar à escola em tempo de crise

22 de Maio de 2009 às 05:20:57, por tprior

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Num momento de retracção económica em que muitos profissionais também da área da comunicação e do marketing se vêem sem ocupação profissional, o M&P foi saber junto das escolas e universidades se já se nota os efeitos da crise, quer seja através da redução da procura de formação ou do aumento da procura por parte dos recém-desempregados.

Luís Rasquilha, professor associado e director de marketing, comunicação e marca do Instituto Superior Novas Profissões (INP), refere que nesta escola não se sente que a crise esteja a fazer com que as empresas invistam menos em formação dos seus colaboradores.

“Sentimos que as empresas tentam definir melhor as suas necessidades e racionalizar os investimentos”, comenta. E acrescenta que se está a ganhar consciência de que é preciso investir melhor (e não mais). “Por isso, assistimos a uma purificação dos mercados e isso também é bom, porque as empresas sabem melhor o que pretendem e com isso também nos ajudam em termos de oferta formativa”, explica o responsável do INP. Também Luís Liz, director do IPAM de Lisboa, defende que as escolas que oferecem verdadeiros produtos de formação adequados ao contexto das empresas ganham com o efeito da crise.

“Sentimos que nos procuram mais porque precisam de novas ideias e de incorporar inovação nas empresas”, acrescenta esse profissional.

Já Ana Passos, declara, a propósito dos mestrados executivos em marketing e direcção comercial do GIEM-ISCTE, que ainda é cedo para se saber como é que a crise está a afectar a aposta das empresas na formação dos seus colaboradores, já que as candidaturas decorrerão até dia 3 de Julho.

Voltar depois de estar no mercado de trabalho

E desenganem-se aqueles que acham que os profissionais que já estão no mercado nada ganham em voltar à escola. É que o regresso à escola significa muitas vezes a actualização de conceitos e práticas. A escola é também, refere Luís Rasquilha, um espaço de pensamento e actualização, onde se faz network e partilha de experiências que permitem enriquecer o seu portfólio enquanto profissionais. Os recém-desempregados estão a voltar à escola, comenta Luís Rasquilha. “Há mais procura e mais vontade em regressar, pois a formação é cada vez mais ao longo da vida e não apenas durante um determinado período de tempo”, explica. E acrescenta que, com o desemprego, as pessoas tentam valorizar-se e aproveitar o afastamento temporário do mercado para melhorar os seus skills e capacidades técnicas e práticas.

O director do IPAM de Lisboa comenta que essa é uma das grandes oportunidades para aqueles que estão em mudança na sua carreira profissional. “Não os encaramos como recém-desempregados mas sim profissionais em mudança ou ascensão na sua carreira”, refere. Esta é, segundo Fernando Caetano Tarouca, director executivo do IADE, para os profissionais uma tentativa de obter novas oportunidades e uma ocupação do seu tempo. Estes profissionais encontram, no regresso à escola, acrescenta, actualização de conhecimentos e contacto com novas ideias.

Já na opinião de Luís Liz “voltar à escola é voltar para pensar, para ter novas ideias, conhecer novas pessoas e adquirir novas competências e experiências”. Frederico Arouca, director da Lisbon Ad School, junta às vantagens de voltar a estudar o facto de ajudar os alunos a ganhar método e a perceber como é que os grandes nomes do mercado trabalham.

A falta de preparação para o mundo real

A falta de preparação para o mundo real Em regra, quem lida com recém-licenciados nas empresas é unânime pelo menos numa coisa: a falta de preparação dos profissionais para o mercado real de trabalho. É comum ouvir-se dizer “são uns teóricos”. Essa continua a ser uma das falhas imputadas ao sistema de ensino português em geral e às escolas de marketing e publicidade em particular. Daí que quando os alunos voltam à escola a esperança esteja numa palavra: prática.

Luís Rasquilha declara que os cursos do INP são de cariz muito mais prático do que teórico “uma vez que o nosso posicionamento como instituto de ensino é o de preparar os alunos para o mercado em termos de capacidade de ‘fazer acontecer’”. A teoria é sempre a base de uma boa capacidade prática e “temos isso bem presente, daí que a nossa vertente teórica tenha um peso de cerca de 30 por cento versus 70 por cento de prática”, acrescenta.
Também Luís Liz sublinha que os cursos do IPAM são essencialmente mais práticos: “Tem sido o método de ensino do IPAM ao longo dos seus 25 anos”, refere. E acrescenta que é um método que concilia o saber, com o saber fazer. A área de marketing é instrumental na empresa daí que o seu ensino tenha de reflectir essa preocupação, remata.

Já o GIEM-ISCTE considera ter uma relação ponderada entra as vertentes prática e teórica, “apesar da vertente prática ser uma mais valia nos nossos cursos”, diz Ana Passos. Fernando Caetano Tarouca, diz que os cursos do IADE, onde os cursos são geralmente pagos pelos próprios alunos, têm uma base teórica, com aplicações à realidade. Já na Lisbon Ad School, Frederico Arouca refere que os cursos leccionados são 100 práticos práticos. “É uma área onde o mais importante é saber fazer. E esse saber fazer pode ser amparado pela teoria, mas é através da repetição da prática que se atinge a perfeição”, garante.

Formação é uma garantia

No IPAM, onde a idade média de regresso à escola anda entre os 25 e 35 anos, há uma relação de 70/30 para o financiamento próprio e o empresarial dos estudos. No INP está equilibrada a percentagem de alunos que paga a sua formação e a percentagem que é paga pelas empresas onde trabalham. E nem com o agudizar da crise esta escola sentiu reduzir a procura por parte dos alunos. “Hoje com as possibilidades de financiamento que existem e que os próprios bancos têm lançado não se regista uma quebra de procura de alunos nessa situação. Antes pelo contrário”, comenta Luís Rasquilha. E acrescenta: “Temos mais pessoas a quererem valorizar-se pelo facto de a crise aumentar a concorrência e com isso as pessoas se terem de valorizar”. Na opinião deste profissional, nas alturas de maior indecisão e dificuldade o melhor investimento que se pode fazer é na valorização pessoal e profissional e a formação é a grande ferramenta para tal.

As instituições não esquecem que estamos a enfrentar momentos de dificuldades financeiras. “A escola tem uma flexibilidade enorme em encontrar soluções para que os nossos alunos sintam o menos possível a crise”, diz o responsável do INP. Nesta instituição há desde alunos que trabalham nas unidades de marketing, comunicação e administrativo e que por isso têm descontos nas propinas, outros que por terem boas notas têm incentivos e alunos que depois de acabarem o curso é que pagam o valor que, durante o curso e por algum motivo, não puderam pagar. “Existe desde sempre grande abertura para podermos ajudar quem confia em nós a sua vida de formação”, comenta Luís Rasquilha.

O IPAM conseguiu desenhar novas formas de os alunos poderem financiar o seu investimento em formação. Também aqui “temos casos onde o aluno completa o pagamento muito tempo depois de concluir a formação”, refere Luís Liz. O director do IPAM Lisboa diz que não sentem menor procura por parte dos estudantes que pagam eles próprios a sua formação. “Diríamos até que funciona em sentido inverso.

É nestas alturas que as pessoas pensam mais naquilo que verdadeiramente as faz crescer pessoal e profissionalmente”, comenta. Também no caso da Lisbon Ad School há situações em que são as empresas a financiar os estudos, mas a maioria é paga pelos próprios alunos. E mesmo antes do estalar da crise, a escola tinha já acordos com o Banco Totta para os alunos poderem pagar as propinas de forma alargada e quase sem juros.

Comunicar para comunicólogos

Mas nem sempre é fácil fazer chegar as mensagens da existência destes cursos. É que muitas vezes estes profissionais, de tão habituados a lidar com informação, criam bloqueios a recebê-la. No INP a comunicação segue uma estratégia integrada. Usam a componente online em termos das principais redes sociais e motores de busca, integrado com road-shows nas escolas, comunicação relacional com actuais e antigos alunos e presença nas publicações do sector. Juntam-lhe o patrocínio ao Imagens de Marca da SIC Noticias e o patrocínio dos principais cadernos e suplementos do ensino superior. Luís Liz acredita que a decisão e selecção de programas de formação em Portugal é muito baseada na recomendação, prescrição e reputação da Escola. “Neste sentido usamos as ferramentas que potenciam este comportamento do consumidor”, comenta. Já o IADE, para dar a conhecer os seus cursos, opta por publicidade e promoção pessoal nas escolas secundárias e o GIEM-ISCTE comunica através do site, brochura, e-mail e revistas da especialidade. A participação em eventos de que são exemplos o OFFF e o Festival do Clube de Criativos, aliada à comunicação online são as apostas da Lisbon Ad School quando se trata de dar a conhecer as suas ofertas.
Diferenças de método

learning no local de trabalho
- Permite a aprendizagem e a sua aplicação em ambiente real de trabalho
- Períodos dedicados à formação, sem se deslocar para fora do seu posto de trabalho
- Plataforma de formação pode ser da empresa empregadora ou da empresa formadora
- Formação calendarizada de acordo com o estabelecido entre a entidade empregadora e a entidade formadora
- Permite trocar informações com outros formandos localizados noutros locais
- Permite verificar de imediato o nível de aquisição de conhecimentos e a pertinência/ qualidade do tipo de formação prestada.

Aprendizagem fora do local de trabalho
- Desenvolvimento de networking
- Desenvolvimento de competências a desempenhar em futuras funções profissionais
Qual o perfil?

“Desenhar um estudante tipo é sempre um exercício que tende para generalizar a cada vez mais heterogeneidade de perfis de estudantes que nos procuram, aliada igualmente à diversidade de oferta que oferecemos”, declara Luís Liz. No entanto, acrescenta, “podemos afirmar que os estudantes que procuram o IPAM se caracterizam por profissionais cujo motivação é a aquisição de competências específicas numa das áreas de marketing cruzada com necessidade de rapidamente poderem colocar essas competências ao dispor das suas funções na empresa”. E Luís Liz assegura: “Os nossos alunos valorizam a componente experiencial que caracteriza os nossos cursos.”

Luís Rasquilha explica que o INP tem cursos de primeiro (licenciaturas) e de segundo ciclo (mestrados) de Bolonha, pós-graduações e formação avançada, o que permite delimitar três grandes tipos de estudantes. Aqueles que por quererem evoluir nas suas carreiras e porque não têm um curso superior, embora já trabalhem, frequentam os cursos nocturnos. Os que seguem a sua formação no timing normal e que ao terminarem o secundário frequentam o primeiro ciclo de dia. E depois têm o grupo de pessoas que estando no mercado querem enriquecer a sua formação com cursos mais avançados e de 2º ciclo pós-licenciatura.

Dos 18 aos 80

Da mesma forma que há vários motivos para voltar à escola são também várias as faixas etárias que o fazem, quer seja no horário diurno, quer seja no horário nocturno.

Frederico Arouca refere que na Lisbon Ad School não existe um tipo específico de estudante. Tanto são alunos recém-licenciados como são pessoas que trabalham em pequenas agências e querem dar o salto, explica o director da escola. Daí que também as idades sejam muito variadas, havendo alunos com 18 anos e outros com 50 anos. Mas, a média, segundo o mesmo profissional, é de 24/25 anos.

Também Luís Rasquilha diz que no INP tem alunos que entram com 18 anos que vêm do secundário e aqueles que na casa dos 20/30 anos vêm estudar e completar a sua formação. “Mas também temos muita gente com 40 e mais anos que longe do estudo há 20 vêm agora iniciar uma nova fase da vida académica”, comenta.

Nos mestrados executivos em marketing e direcção comercial do GIEM-ISCTE o estudante-tipo ronda os 30 anos e é quadro, gestor e executivo das áreas de marketing, comercial e vendas. Já no IADE, diz Fernando Caetano Tarouca, director executivo do IADE, o estudante-tipo é interessado por estas áreas, de preferência profissional da comunicação e do marketing que voltam à escola quando se apercebem de que estão desactualizados, geralmente entre os “trintas” e os “quarentas”.