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Opinião :: Editorial

Incógnitas

1 de Maio de 2009 às 05:32:41, por Carla Borges Ferreira

Foram conhecidas na última semana as audiências dos jornais e revistas portugueses. Com várias subidas e quedas, como de resto acontece sempre, há um dado que parece incontornável neste relatório: apesar da crise, ou se calhar por causa da crise, as pessoas estão a ler mais diários generalistas e económicos. Se esta parece ser uma evidência – e durante a próxima semana vamos poder comprovar se esta subida de leitores se reflecte também na circulação paga -, há outra que ainda salta mais à vista: a queda, sem excepção, dos gratuitos. Num ano particularmente difícil, uma das primeiras medidas de grande parte das editoras foi reduzir os custos industriais. Diminuir o número de páginas, e em alguns casos as próprias dimensões das publicações, e reduzir tiragens. Ou seja, cortar no papel. Os gratuitos seguiram o mesmo modelo e, se há um ano o habitual era receberem-se dois ou três jornais a caminho do trabalho, tanto nos transportes como nos semáforos, hoje o difícil é ver alguém a oferecer um gratuito. Lá diz a sabedoria popular “quem não aparece, esquece”. Mas qual a alternativa quando não há preço de capa e as receitas são exclusivas da publicidade? 2009 está a ser um ano complicado para todos os players. Mas, sem dúvida, será determinante para estes títulos.Esta semana saíram os rankings MediaMonitor que medem, a preços de tabela, como frisamos insistentemente, o investimento nos meios. De acordo com os dados, o investimento global em Março ainda caiu, mas ligeiramente (1,44%), sobretudo se pensarmos nas quedas de dois dígitos a que se assistiu nos primeiros dois meses do ano. No dia a seguir à publicação da notícia recebemos alguns comentários, onde as pessoas, genuinamente indignadas, perguntavam como é que tínhamos publicado aqueles números, quando na realidade a descida era bastante superior. Mas é de quanto? Não se sabe. A APAP, que trabalhava os dados das agências de meios, deixou de o fazer, as agências de meios, que estão a constituir uma associação independente, ainda não dão números, as empresas cotadas remetem para os relatórios e contas e as restantes não mostram qualquer indicador. No meio disto, os números reais da quebra do investimento são apenas divulgados em almoços ou reuniões de trabalho.