Três milhões e 51 mil portugueses afirmaram ler diários generalistas em banca nos primeiros três meses deste ano.O número, evidenciado pelo último Bareme Imprensa, representa um aumento de 388 mil leitores da imprensa diária generalista face ao primeiro trimestre do ano passado e reflecte as subidas ocorridas nos títulos deste segmento que, sem excepção, vêem aumentar neste período as suas audiências.
O primeiro trimestre também é marcado pelo regresso do Jornal de Notícias à liderança do segmento, com 12,2 por cento de audiência, ou seja, com mais de 1 milhão de leitores, ultrapassando o até líder Correio da Manhã – o título da Cofina fixa de Janeiro a Março a sua audiência nos 12 por cento – e pela subida do Diário de Notícias no ranking. Os 4,7 por cento de audiência do título da Controlinveste, posicionaram-no à frente dos 4,6 por cento registados pelo Público, empurrando o Diário de Notícias para o quinto lugar de diários generalistas e para terceiro nos títulos em banca.
Mas, se nos jornais diários vendidos em banca a tendência nos primeiros três meses do ano foi do crescimento da sua penetração junto dos leitores, o mesmo fenómeno já não ocorre nos diários gratuitos. Neste sub-segmento, o número de leitores passou de um total de 1.840 mil, para 1.375 mil. Ou sejam, menos 465 mil leitores afirmaram ler os diários gratuitos, uma linha de orientação que afecta todos os títulos, tendo a maior queda percentual sido a ocorrida no Meia Hora, que fecha o trimestre com 1,3 por cento de audiência, menos 48 por cento que em igual período do ano passado.
“Os jornais de circulação paga fizeram um grande esforço de marketing, também com produtos associados, ao longo do ano passado, com especial enfoque nos diários da Controlinveste,”, começa por referir Manuel Falcão, quando instado a comentar os resultados registados no Bareme Imprensa no que respeita aos diários em banca. “Um trabalho contínuo de evolução editorial e de marketing associado ao nível da circulação acabaram por ver resultados no primeiro trimestre do ano”, acrescenta o director-geral da Nova Expressão. Para Joaquim Vieira, presidente do Observatório da Imprensa, a explicação para a subida de audiências nos jornais em banca “tem a ver com uma política de promoções que se pode fazer”, com, enumera, “oferta de jornais em bombas de gasolina, oferta de DVD ou faqueiros”. Uma tendência que o responsável acredita ainda terá de mostrar se se irá ou não consolidar, já que, afirma “a tendência geral da imprensa é para descer” face a outros suportes. Joaquim Vieira também aponta como factor explicativo desta subida generalizada do segmento a actual recessão. “Dada a situação de crise pode ter aumentado o interesse das pessoas pela leitura de notícias”, diz.
A ‘boa’ e a ‘má’ crise
Se o actual momento de recessão, no entender de Joaquim Vieira, poderá levar a um aumento do interesse dos leitores pelo caudal noticioso, essa maior atenção não se iria igualmente reflectir nas audiências dos gratuitos?
Que razões poderão então estar na origem da quebra generalizada ocorrida no segmento? “Tem a ver com a capacidade de entrega dos jornais às pessoas”, refere Joaquim Vieira. “O que me parece é que os jornais gratuitos estão a desinvestir neste modelo de distribuição [na rua]“, diz, apontando esse eventual desinvestimento ao facto dos títulos poderem não estar a ter “capacidade económica para pagar a todas as pessoas que antes distribuíam o jornal”. O segmento dos gratuitos, relembra o responsável do Observatório Imprensa, tem um modelo de distribuição e “um sistema de funcionamento” diferente dos jornais em banca. “As pessoas aceitam o jornal se alguém lhes oferecer”, frisa, considerando que a recessão económica – com reflexo no investimento publicitário – poderá ter levado a quebras de circulação total dos títulos. Manuel Falcão também aponta “uma distribuição mais limitada” dos jornais gratuitos como factor explicativo das descidas ocorridas no segmento dos diários gratuitos.
E quanto à imprensa económica, segmento que revelou um desempenho positivo no último Bareme? Será que também aqui o actual momento económico funcionou como impulsionador das audiências dos diários que de Janeiro a Março aumentaram de 375 mil para 481 mil os seu números, ou seja, mais 106 mil leitores que em período homólogo? Manuel Falcão acredita que sim: “A crise levou as pessoas a procurarem saber mais sobre a situação económica do ponto de vista global”.