A Impresa apresentou no primeiro trimestre prejuízos de 6 milhões de euros, de acordo com o relatório e contas ontem divulgado.Os resultados operacionais do grupo, que de Janeiro a Março obtém receitas de 55,6 milhões de euros (-10%), reflectiram a retracção das receitas de publicidade que na holding de Francisco Pinto Balsemão registaram uma descida de 25,9%.
A performance da área de televisão, pelo volume de negócios, foi aquela que mais impacto teve no desempenho trimestral da Impresa. A SIC fechou Março com receitas de 34,9 milhões de euros, valor que representa uma quebra de 16,9% face aos primeiros três meses do ano passado, “principalmente consequência da descida do mercado publicitário e da redução de vendas pelo facto de se ter procedido à alienação da Iplay”, justifica o grupo no relatório e contas. As receitas de publicidade da estação fixam-se nos 18,5 milhões de euros, reflectindo uma descida de 27,2% nesta fonte de receita, dado “o forte abrandamento do mercado publicitário no início do ano”. Face à retracção desta fonte de receita, a empresa estabeleceu como prioridade a diminuição dos custos de programação, medida que passou pela “redução do investimento em ficção nacional”, o que motivou a venda da TDN à SP Televisão. Mas, a redução de 3,4% dos custos operacionais, para os 35,9 milhões de euros, resulta “do esforço de reorganização efectuado no final de 2008″ (os custos com pessoal descem 14%), já que os custos de programação sobem 7% “devido à exibição das novelas portuguesas e ao reforço da aposta no futebol”.
A contenção nos custos revelou-se insuficiente, no entanto, para inverter os prejuízos da estação, com linhas de receita da SIC como as de multimédia (-14,4%, para os 3,4 milhões de euros), multimédia (-22,9%, para os 328 mil euros) e outras (-38,8%, para os 1,7 milhões de euros) a acompanharem a tendência decrescente da publicidade. De Janeiro a Março a única fonte de receita a apresentar uma subida foi a das receitas por subscrição de canais que aumenta 18,8%, para os 10,6 milhões de euros, reflexo da “forte dinâmica de crescimento do mercado nacional de pay-tv, para além de elevadas taxas de crescimento (cerca de 40%) nos mercados internacionais”. A SIC fecha o trimestre com prejuízos de 4 milhões de euros.
Na Impresa Publishing as receitas no trimestre sobem 3,6% face a igual período do ano passado, para os 19,4 milhões de euros, mas também aqui as receitas de publicidade sofrem uma descida de 20,7%, fixando-se nos 8,9 milhões de euros. “A descida das receitas foi particularmente significativa na área dos classificados. A única área que registou um crescimento das receitas, no primeiro trimestre de 2009, foi a da publicidade online, tanto display como classificados”, informa o grupo. As receitas de circulação sobem para os 8,3 milhões de euros (+19,1%), bem como a venda de produtos alternativos, mais 126,7% que face a igual período do ano passado, para os 447 mil euros. O item Outras, que inclui novos contratos de customer publishing, também melhora o seu desempenho, subindo 419,4%, para os 1,7 milhões de euros. A Impresa apresenta resultados antes de impostos negativos de 862 mil euros, ou seja, cai 149,4% face ao primeiro trimestre do ano passado.
Na Impresa Digital o total de receitas sofre uma ligeira quebra (-0,1%), fixando-se nos 1,3 milhões de euros. O DGS sobe as suas receitas em 61,9%, para os 763 mil euros, e o AEIOU melhora em 23,8%, para os 299 mil euros, o seu desempenho. Em sentido contrário surgem as receitas da InfoPortugal (-23,8%, para os 209 mil euros), e Outras (-86%, para os 56 mil euros). Esta área de negócio opera uma contenção dos custos operacionais de 26,1%, para os 1,4 milhões de euros, fechando o trimestre com resultados antes de impostos negativos de 476 mil euros. Valor que representa uma melhoria de 41,8% nos resultados da Impresa Digital.
A holding fechou o trimestre com um EBITDA negativo de 1,4 milhões de euros, caindo a margem para os 2,5% negativos.