Filipa Trigo – Directora-geral adjunta da Ipsis
Este é definitivamente o ano da verdade do nosso negócio. De acordo com um estudo realizado recentemente, (ainda não posso divulgar os dados concretos que serão comunicados oportunamente), os anos de 2006 e 2007 assistiram a um grande crescimento do investimento na contratação de serviços de agências de comunicação.
Foi um período em que as empresas e os empresários com visão estratégica se focaram na indústria da comunicação como uma ferramenta essencial do negócio, entendendo a realidade insofismável – não basta fazer bem é fundamental comunicar bem.
Por este prisma, houve uma evolução muito positiva da consciência e do entendimento da importância das práticas especializadas das disciplinas da comunicação e da sua eficácia associada ao crescimento e sucesso do tecido empresarial que apostou na integração desta componente no seu plano de negócio.
O problema é que veio a crise! Crise financeira, crise económica e crise social. Crise em Portugal, na Europa e no Mundo! Tudo mau: o desemprego a aumentar, empresas a fechar, a bolsa a cair, bancos a falir, o índice de confiança das famílias em níveis baixíssimos, o consumo a decrescer vertiginosamente…
E imediatamente há que encontrar um culpado porque essa é a forma de atenuar a nossa própria culpa… Então os culpados são os que fazem operações de cosmética, truques de imagem, trabalham com as agências de comunicação e manobram os jornalistas para “vender” informação que não corresponde à realidade e assim construírem cenários distantes daqueles que são os seus.
Como é óbvio, há em todas as actividades e profissões, protagonistas que não agem com o rigor e ética que se deseja, mas essa não é razão bastante para generalizar ou colocar tudo num mesmo saco.
Descartes afirmou “Penso, logo, existo” eu adapto para “Comunico, logo, existo”. É que, sem afirmar uma presença no mercado, não há empresa ou negócio que possa crescer.
Sem comunicação não há envolvimento e, consequentemente, não havendo interacção entre as organizações e os seus stakeholders o “business” não acontece.
No cenário de hoje, mais ainda do que antes, as organizações não devem esconder a cabeça na areia como as avestruzes para não assistirem ao desenrolar de acontecimentos negativos. Como se assim estes não as atingissem…
É preciso enfrentar os problemas: identificá-los claramente e definir uma estratégia para o futuro.
Depois, é fundamental comunicar internamente qual é o caminho que vai ser seguido e as suas razões, para envolver e motivar as equipas e assim energizar a força de trabalho da empresa. Com ambição, com reconhecimento pelo mérito, com incentivo, transmitir um desígnio que precisa de todos para benefício de todos.
Também para fora, a organização tem que ter a capacidade de seduzir os seus stakeholders para os conquistar e assim alavancar o seu negócio. Mostrar a sua ambição, capacidade e visão para o conseguir realizar. Também para fora, a comunicação irá assumir um papel estratégico determinante para o sucesso da organização.
E a toada pessimista tem que ser invertida. Já chega de anunciar que a empresa xxx está a pensar despedir trabalhadores. Já chega de anunciar que a empresa xxx está a pensar fechar. Ainda estão a pensar… ainda não aconteceu, mas a ideia que fica na mente dos consumidores é que a instabilidade está cada vez mais acentuada e o índice de confiança baixa novamente, e não é injectado dinheiro na economia, e não há consumo, e…..
Venha o showbusiness pela positiva! Comunicação social faça o favor de mostrar o que se faz bem, mostrar aquilo de que somos capazes. Organizações foquem o vosso negócio, encontrem a oportunidade e envolvam os vossos stakeholders no projecto, dialogando, informando, comunicando.
Vamos criar esperança: fomentar a actividade empresarial e comunicá-la para que seja real, para que exista aos olhos de todos.
There is no business without showbusiness!