
Sai uma agência de publicidade, entra uma empresa de estudos de mercado. Este podia ser o resumo da actividade da WPP em Portugal no último ano. Os últimos meses da WPP ficam marcados pela entrada da TNS para a esfera do grupo de comunicação. A compra da empresa de estudos de mercado, também presente em Portugal, não foi propriamente fácil, já que a alemã Gfk também chegou a mostrar interesse na TNS. No entanto, a meio de 2008, a empresa de investimento que iria apoiar a GfK nesta operação decidiu pôr um travão à compra. O caminho ficou então livre para a WPP, que concretizou um negócio avaliado em 1,5 mil milhões de euros. O grupo dirigido por Martin Sorrell tem crescido através da compra de outras empresas de comunicação. No passado, aquisições como a do grupo Grey ou da 24/7 Real Media, ajudaram a que a WPP se cimentasse como um dos principais grupos de comunicação do mundo. Em 2008 deu-se o culminar deste processo expansionista: as receitas da WPP ultrapassaram pela primeira vez as da Omnicom. Em euros, o grupo dirigido por Martin Sorrell registou receitas no valor de 9,97 mil milhões, contra os 9,83 mil milhões do Omnicom. A WPP passou assim a ser o grupo líder.
No mercado português, a principal mudança registada no último ano está ligada ao desaparecimento da SCPF Portugal, depois de dois anos e meio de presença no mercado nacional. Recordemos o processo. Em Maio de 2008, a saída de Edson Athayde da direcção criativa da Ogilvy, ditou uma reorganização da estrutura do grupo em Portugal. João Espírito Santo, até aí director criativo da SCPF, passou para o lugar de Athayde, ao mesmo tempo que se assistiu à integração dos quadros e dos negócios da SCPF Portugal na Ogilvy. À data, a agência com sede em Barcelona apresentava no seu portfólio português clientes como a Matutano, a Diageo, a Edirevistas, a Toys R Us, a Loja das Sopas e o Bricomarché. A SCPF conta neste momento com escritório apenas em Madrid, Barcelona e Miami.
Y&R e Hill & Knowton foram as agências onde se registaram mudanças nos seus líderes. Teresa Figueira foi nomeada directora-geral da Hill & Knowlton, substituindo Nadim Habib, que saiu em Novembro para integrar um projecto de gestão de executivos na Universidade Nova de Lisboa. A nova responsável estava na Hill & Knowton há 11 anos e exercia até aí as funções de directora de operações. Já a Y&R Brands anunciou em Julho do ano passado a contratação de Filipe Vasconcellos, que era responsável pela conta global da Danone na Y&R nos EUA, para dirigir a unidade de advertising do grupo. Recentemente, o grupo contratou também Mário Miguel, ex-director-geral da Lowe Lisboa, para um cargo transversal para as várias disciplinas e empresas do grupo dirigido por João Carlos Oliveira.
Para 2009, a nível internacional, a WPP prevê uma quebra nas receitas na ordem dos dois por cento. É também essa a percentagem que o grupo quer cortar em postos de trabalho, correspondendo a dois mil lugares.