Uma campanha presidencial nos EUA baseava-se em televisão, em mailing e sound bites dos candidatos. A lógica da campanha de Barack Obama, ontem explicada em Lisboa pelo estratega David Plouffe, veio mudar estes pressupostos. O plano de meios alocou à televisão 50 por cento do orçamento, quando os candidatos costumam destinar-lhe 75 por cento. Ao mesmo tempo, a candidatura privilegiou a publicidade na internet e o investimento em tecnologia. “Gastámos mais dinheiro em tecnologia do que qualquer outro candidato”, referiu. Foi através de novas ferramentas que foi possível construir uma comunicação “peer to peer”, ao mesmo tempo que se investigava a fundo os eleitores. “Quanto melhor for a informação e os dados, melhores serão as decisões”.Toda a campanha assentou em princípios inéditos. A começar pelo candidato. Obama “era um outsider. Há candidatos que passam anos e décadas a planear a sua campanha. Obama não tinha apoio fora do Illionis”, estado por onde foi eleito, ao contrário da Hillary Clinton que tinha uma estrutura em todos os estados norte-americanos. “Nós só podíamos conquistar a presidência com um movimento popular. Era David contra Golias”, descreveu o consultor, que esteve em Portugal a convite da Cunha Vaz & Associados.
Apesar de admitir que “é difícil replicar” uma campanha com estas características, Plouffe explicou como decidiram entregar mais poder aos milhões de voluntários. Em média, cada voluntário dedicou 20 horas semanais à candidatura, “apesar de não receberem nada” em troca. Mesmo assim, os voluntários eram pressionados através do e-mail e de vídeos que descreviam o estado em que se encontrava a campanha para contribuírem para os resultados. A agenda era programada para que quando Obama estivesse com determinado tema na ordem do dia os seus apoiantes tivessem já informação básica que também ajudasse a consolidá-lo junto de outros cidadãos, ao mesmo tempo que se contornava as interpretações de jornalistas e comentadores.
A opinião das pessoas comuns era também mais importante que a da imprensa. “Enquanto Hillary Clinton e McCain viam se tinham tido ou não um bom dia através das noticias que passavam na CNN, para nós, mais importante do que diziam os media, era o que diziam as pessoas”. Os voluntários da campanha “eram os nossos olhos e ouvidos”. Plouffe identifica ainda um grupo que se mostrou determinante nesta eleição – os jovens – que já possuem outro modelo para construir a sua opinião. “Já não estão atentos aos noticiários nacionais da noite ou aos jornais. Procuram por sua conta informação online para partilhar com as pessoas”.