Pedro Rodrigues – Director-geral da Desafio Global
AC – Antes da Crise, tudo e todos faziam eventos. Quando utilizo a expressão “todos”, digo-o literalmente. Para além das empresas de eventos propriamente ditas, acontecia, frequentemente, participarmos em concursos para a organização de eventos com consultoras, empresas de casting ou até de design. Parecia que a força de vontade era o bastante. Claro que a ingenuidade, quer destes intervenientes, quer de clientes, permitia que estas situações fossem possíveis.
Passámos por alguns exemplos deste tipo, cujos eventos acabaram por não correr bem, e que se tornaram episódios de aprendizagem. Mas o que é certo é que não deixaram de ser eventos perdidos.
Isto só é possível em tempos prósperos. São alturas em que proliferam organizadores de eventos provenientes das mais diversas áreas e existe algum desconhecimento por parte de clientes menos exigentes. Esta é uma situação que permite que estes organizadores vão sobrevivendo.
Agora os tempos são outros… Vivemos um período que tem o condão de ser, na área de organização de eventos, altamente selectivo.
Agora sobrevivem os eficientes, os profissionais e os proactivos.
Agora sobrevivem os que são genuinamente bons na sua actividade.
Os clientes estão cada vez mais profissionais e exigentes na compra e não estão disponíveis para desperdícios. Hoje em dia, os eventos precisam de ter a eficiência de uma mira laser. Os que disparavam de bazooka, esses foram corridos da carreira de tiro.
Não falamos só da eficiência nos pequenos eventos. Falamos também da realização de grandes eventos, cada vez mais complexos do ponto de vista técnico, onde, independentemente dos custos e recursos alocados, não existe desaproveitamento.
E o futuro? Como será o DC – Depois da Crise?
O ressurgimento de organizadores de eventos de geração espontânea, tão cheios de genica como desprovidos de know-how sobre a verdadeira essência desta actividade, é o futuro mais provável no mercado dos eventos.
Assim, a menos que surja a esperada legislação para esta actividade, sendo que actualmente esta é inexistente, continuará a ser fácil exercer uma actividade nesta área.
Do lado da oferta, para além dos organizadores “cogumelos”, estarão no mercado as empresas que viveram e sobreviveram à crise. Estas estarão mais experientes, com maior know-how, e com meios e vontade para vencer.
A maior expectativa é de que os clientes, na pós-crise, despertem com novos e maiores investimentos nesta área e, simultaneamente, com a capacidade de perceber o mercado. É natural que ainda se venham a cometer alguns erros de casting mas, os clientes mais exigentes e profissionais, estarão neste tempos com vontade de fazer eventos e acções de activação de marca inesquecíveis.
É com esses que queremos estar, na pós-crise. Tanto mais que já estamos com eles agora e, mesmo em tempos complicados, fizemos e fazemos bem os seus eventos.
Que esta crise, sobre a qual oiço falar há mais anos do que gostaria, sirva para moldar esta actividade, todos os que nela vivem e os que nela, infelizmente, apenas sobrevivem.