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Opinião :: Cronistas

British jobs for british workers?

13 de Março de 2009 às 05:51:50, por Meios & Publicidade

Pedro Graça – director-geral da Euro RSCG LisboaSou um fã da Partners. Acho que toda a gente que trabalha neste ramo tem o desejo de um dia fazer o que fez o M, o S, o T e o F: juntar amigos que têm sobre esta actividade um entendimento comum e montar uma agência. Foi isso que eles fizeram e, no que me é dado a ver, foram bem sucedidos. Lançaram-se, cresceram, ganharam clientes, fizeram bom trabalho, ganharam prémios e, espero, dinheiro. Conquistaram com legitimidade e mérito um lugar de destaque no mercado das agências.

Por tudo isto o M, o S, o T e o F têm o meu respeito, a minha admiração e simpatia.

E é por isso que não gostei de ler o artigo que o Lourenço Thomaz (o T de MSTF) escreveu na última edição do M&P intitulado “Em Portugal sê português”. Neste artigo o Lourenço insurge-se contra a falta no mercado português daquilo que designa por “proteccionismo patriótico”, ou seja, em tempos de crise – e a bem da nação – as marcas portuguesas deveriam escolher trabalhar com agências portuguesas.

Na sequência deste postulado, o Lourenço apresenta a sua agência como uma agência mais portuguesa do que outras, nomeadamente mais portuguesa do que, por exemplo, a minha, uma vez que a Euro RSCG Lisboa integra um network mundial, facto que, como nos explica o Lourenço, faz dela uma “agência estrangeira”.

Não me parece que a Partners seja mais portuguesa do que a Euro RSCG, ou do que a Y&R, a McCann, a TBWA, a BBDO, a Publicis, a Ogilvy, a JWT, a Grey, a Leo Burnett, … Todas elas se constituíram como empresas em Portugal, respeitando a legislação portuguesa, criando postos de trabalho em Portugal, gerando riqueza em Portugal e, last but not least, pagando impostos em Portugal.
Mais: as ditas “agências estrangeiras” têm lá dentro a trabalhar portugueses tão portugueses como aqueles que trabalham na Partners, e aos trabalhadores portugueses juntam-se trabalhadores de outras nacionalidades (como certamente acontece também na Partners), e isso acontece não porque haja uma conspiração do grande capital transnacional para tramar as agências nacionais, mas apenas porque hoje o mundo é assim: sem fronteiras, global.

Se dúvidas restarem acerca da “portugalidade” das “agências estrangeiras” olhe-se para o top 10 do ranking da Media Monitor (onde a Partners muito meritoriamente pontifica) e repare-se que as maiores empresas deste sector estão entregues à gestão de um Graça, de um Oliveira, de um Ralha, de um Alvarez (é brasileiro, mas toda a gente sabe que o Brasil é Portugal à solta), de um Wengorovius (soa a polaco, mas é português, Bastos Wengorovius, se a memória não me falha), outra Bastos na Publicis, uma Carvalho na JWT, um Solomon na Ogilvy (aqui não dá para esconder, não é português, mas não faltam portugueses na agência), na Partners os portuguesíssimos MSTF e na Grey um Vasques.

Se continuarmos lista abaixo o padrão mantém-se, mas não vale a pena irmos por aí, porque, em meu entender, a tese do Lourenço enferma de um outro vício ainda mais grave do que o primeiro: que é o de achar que “ser português” deve ser um critério de escolha usado por quem é português.
Acho que as marcas (portuguesas ou estrangeiras) devem escolher parceiros em função da competência que lhes reconhecem para dar resposta aos problemas que enunciam. Ou seja, parece-me sensato que uma marca escolha uma agência por achar que ela é competente e não por ser portuguesa, ou espanhola, ou do Sporting, ou Cientologista.

Não me parece que os clientes da Partners (alguns deles também multinacionais) a tenham escolhido apenas por ser uma agência portuguesa, isso seria diminuir-lhes o critério e apoucar o mérito da Partners e a qualidade do trabalho que desenvolveram.
Ser português até pode ser um posicionamento, mas não deve ser nunca apenas uma desculpa.