O que têm em comum a Presidência da República e Barack Obama? Eles já aderiram ao Twitter, uma ferramenta de micro-publicação onde só é possível escrever até 140 caracteres.Mas os líderes e as marcas devem aderir no Twitter? “Aprendendo a lição da blogosfera, ninguém precisa realmente de ‘aderir’ e o melhor mesmo é não o fazer se não se têm convicções sobre essa adesão. Estar apenas para fazer número é um desperdício de recursos.” É esta a convicção de Paulo Querido, jornalista especializado nos new media e tecnologia, que acredita que é um erro encarar o Twitter como uma ferramenta de publicação. “O Twitter é mais telefone que impressora. No Twitter não se publica: divulga-se, partilha-se e aprende-se. Constrói-se uma reputação com essas três acções.” Qualquer marca, se tiver em vista estes objectivos, deverá, por isso, aderir. Mas são, sublinha Paulo Querido, as marcas mais pequenas quem têm mais a ganhar com o Twitter, tal como as actividades em torno da comunicação, tecnologia, ciência e política. “O crescimento do Twitter em Portugal tem sido explosivo e a curva está a empinar-se: 2009 bem pode ser o ano de disparo desta rede entre nós, algo comparável não com o ano de 2003 na blogosfera, mas com 2006, quando a quantidade de blogues passou a ser realmente impressionante”, completa Paulo Querido.
Só o Twitter da Presidência da República, com uma semana de actualizações, vai em 1200 seguidores. Obama soma 165 mil e o Twitter oficial do Gordon Brown, o 10 Downing Street, quase que alcança os 23 mil. Vários meios de comunicação estão a utilizar esta ferramenta, para partilhar as suas notícias em 140 caracteres. A titulo de exemplo, Público, Expresso, SIC e TSF usam o Twitter para captar tráfego para as suas notícias online.
João Duarte, também ele presente no Twitter, não hesita em apontar alguns exemplos de personalidades que deveriam marcar presença: Belmiro de Azevedo, Dionísio Pestana ou Cristiano Ronaldo. O patrão da Sonae poderia “contar com a sua experiência e conselhos, agora que está numa função menos executiva. Seria acompanhado por milhares de pessoas em Portugal e no mundo. Poderia recomendar leituras, modos de actuação, métodos de trabalho, tomadas de decisão e conselhos de gestão”, descreve o CEO da YoungNetwork. Já o fundador do grupo Pestana teria uma boa oportunidade para “relatar o dia-a-dia de um dos mais bem-sucedidos empresários portugueses. Poderia utilizar o Twitter como diário de bordo e apresentar os seus novos projectos. Marcas como Dionísio Pestana podem servir de charneira ao empreendedorismo em Portugal”. Já o bota de ouro estaria em linha com outras figuras desportivas globais, como Lance Amstrong ou Shaquille O’Neal, também presentes no Twitter. 
Já na área da política, João Duarte aponta para os deputados, onde o Twitter poderia funcionar como a ferramenta que aproximasse eleitor e eleitos. O centrista Pedro Mota Soares tornou-se no primeiro porta-voz de um partido a estar no Twitter. Por enquanto vai em cerca de 140 seguidores.